Jornalista e crítica de cinema profere palestra em Paracatu

  

  

A continuidade das comemorações pelos 10 anos do Cine Teatro Santo Antônio foi marcada por uma riquíssima palestra proferida pela Jornalista e crítica de cinema, Maria do Rosário Caetano, na Câmara Municipal nesta quarta-feira (25). A palestrante veio à cidade a convite da Associação dos Amigos da Cultura de Paracatu, instituição que apóia o cinema local. Estiveram presentes no evento, além do grande público, a diretora do Cine Teatro Santo Antônio, Rosângela Carvalho, a vereadora e irmã da palestrante, Graça Jales, a diretora da Secretaria Municipal de Cultura, Marina Cunha, o gerente de relações com a comunidade do Grupo Kinross, Marcelo Coelho, o Superintendente Executivo da Fundação Conscienciarte, Lucivaldo Paz de Lira, os vereadores Rosival Araújo, Sílvio Magalhães e Vânio Ferreira.

A jornalista fez uma abordagem sobre os 100 anos do cinema e uma retrospectiva sobre o cinema nacional, os desafios sobre o cinema no interior do Brasil, as perspectivas do cinema brasileiro quanto à produção e exibição e ainda lançou a nova edição do seu livro denominado Cangaço, o Nordestern no Cinema Brasileiro, pela Editora Avathar.

Rosário apresentou a trajetória do cinema novo (iniciou-se na década de 50) no Brasil, de maneira a destacar filmes como Vidas Secas (1963) dirigido por Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra homônima de Graciliano Ramos, Deus e o diabo na terra do sol (1964), direção do baiano Glauber Rocha e Assalto ao trem pagador (1962), direção de Roberto Farias, cujas temáticas caracterizaram-se por divulgar a realidade brasileira, o que segundo a palestrante justificou o fato de que tais filmes “não tivessem bom diálogo com o público, embora tenham perdurado ao longo do tempo”.  

No tocante às produtoras de filmes do período do cinema novo mencionou-se a Atlântida Cinematográfica, grande produtora de filmes no período do cinema novo e que deixou um acervo de mais de cinqüenta chanchadas (humor ingênuo, burlesco, de caráter popular). Os filmes de maior repercussão da Atlântida foram Gente Honesta, de 1944, direção de Moacir Fenelon, com Oscarito no elenco, e Tristezas Não Pagam Dívidas, também de 1944, dirigido por José Carlos Burle. Também houve o surgimento da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que lançou 20 filmes, cuja maioria das obras fracassou em função de seus elevados preços e dos baixos retornos. Ainda assim, houve destaque para o filme O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto e Mazaroppi (1952).

Maria do Rosário fez questão de lembrar a visita do cineasta Nelson Pereira dos Santos a Paracatu em 1993, que deu início ao renascimento de um novo ciclo do cinema brasileiro quando ele gravou, às margens do Rio Paracatu, o filme A terceira margem do Rio, homônimo do conto de João Guimarães Rosa.

A palestrante apresentou dados alarmantes sobre a sétima arte no Brasil:

Segundo Rosário, o maior sucesso de bilheteria com 11 milhões de ingressos vendidos é do filme Dona Flor e seus dois maridos, direção de Bruno Barreto e obra homônima de Jorge Amado.

Quanto à existência de cinemas no país, a jornalista aponta que apenas 8% das cidades possuem tais salas de exibição e a concentração está localizada nas capitais. De acordo com ela, os cinemais atuais vem assumindo um novo formato conhecido como multiplex, ou seja, várias salas para a exibição de diversos filmes para o público. A também crítica de cinema vê o Cine Santo Antônio em Paracatu como um dos poucos que ainda resistem no interior Brasil, haja vista que ele não se enquadra no estilo multiplex (comum nos shopping centers). Para ela, a sugestão seria a construção de um cinema com duas salas com modernas tecnologias agregadas e a permanência do Cine Santo Antônio como Teatro, idéia esta que seria possível com a inscrição de projeto por meio de edital da Ancine (Agência Nacional do Cinema) para criar cinemas multiplex em cidades com até 100 mil habitantes no país.

O Cine Teatro Santo Antônio fica na Rua Alexandre Silva, nº 285, Centro (próximo à Igreja Matriz de Santo Antônio) e o telefone para contato é (38) 3672-1381 ou 3672-1258.

Texto e fotos: Arquivista Carlos Lima 

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Uma resposta

  1. Parabéns Carlos pela matéria, vc realmente conseguiu resumir a palestra da Rosário com fidelidade! Ela é o máximo, não é?… Vamos unir esforços para trazê-la pelos menos uma vez por ano, pegando carona no Festival de Brasília!
    Rosário é tudo de bom, enquanto profissional e como pessoa também… quanta simplicidade para quem sabe tanto!…
    Abs.
    Rosângela

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