Lixo: o problema é nosso

Por Carlos Lima (*)

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Um dos temas mais discutidos na atualidade é o destino que vem sendo dado aos resíduos sólidos provenientes das atividades humanas. E na ponta desse processo de descarte encontra-se o futuro de toda a humanidade, que depende dos recursos naturais e da qualidade de vida para a sua sobrevivência. Na contramão desta dependência, está o consumo desenfreado de produtos que terminam por prejudicar o meio ambiente.

Uma breve viagem no tempo, especificamente para a década de oitenta, revela que a cultura e a educação da época eram muito mais favoráveis à reutilização de determinados objetos e ao consumo consciente de produtos. Na época, os bons costumes pregavam o hábito de ir à feira e levar consigo a sacola reutilizável ou a cesta na qual eram postas as mercadorias. Isto ainda se verifica, em número reduzido, em algumas cidades do interior do Brasil, devido à oferta quase que sem limites de sacolas plásticas cujo destino termina por ser a própria natureza, uma vez que a população acostumou-se a utilizá-las na embalagem de seu lixo. Aliás, também naquele tempo não se gozava desta facilidade, vez que o lixo era depositado em galões ou tambores que na porta das residências aguardavam pelo despejo de seu conteúdo no caminhão coletor. Outro privilégio do passado, do ponto de vista da conservação do meio ambiente, era o uso de garrafas retornáveis, uma prática exemplar que em tempos de uma sociedade largamente consumista, perde feio para o uso das garrafas plásticas ou pet(Politereftalato de etileno), preferidas pela grande maioria das pessoas, dada a sua enorme disponibilidade no comércio e pelo fato de dispensar a entrega do velho casco de vidro. Era comum ainda o uso de cabaças ou cuias, como conhecem alguns, para se colocar alimentos como arroz, feijão e farinha, modelos também substituídos por utensílios de plástico, que quando deteriorados são lançados, na maioria das vezes, no meio ambiente, e resistem por mais de cem anos, de forma a trazer mais prejuízos à natureza.

Há de considerar-se, entretanto, que há alguns anos atrás sequer existiam aterros sanitários e usinas de lixo – lembram-se dos lixões, ainda presentes na maior parte das cidades brasileiras. O fato é que a ausência de tais locais e equipamentos ditos mais modernos ou menos agressivos ao meio ambiente era compensada justamente pelo descarte de maior volume de resíduos orgânicos, que podem decompor-se em menos tempo.

Na balança entre lixo e meio ambiente saem ganhando os recicladores, que reutilizam a matéria-prima do lixo para gerar renda, as cooperativas de coleta seletiva, que vendem o material reciclável retirado das ruas e dividem os rendimentos entre os cooperados, e a população, que é amplamente beneficiada por ter uma cidade limpa, sem focos de insetos transmissores de doença, sem enchentes agravadas pelo entupimento de bueiros e com seus afluentes e córregos preservados.

O princípio para uma educação ambiental eficaz está na plena consciência de que preservar é indispensável para a qualidade de vida, de que a atitude de cada um em promover a coleta seletiva, separando lixo orgânico de inorgânico é importante, de que reutilizar é fundamental para difundir o conceito de ecologicamente correto, de que sensibilizar e cobrar do poder público ações que reduzam os impactos do lixo sobre a natureza é uma obrigação de todos.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa) e é Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

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Uma resposta

  1. Matéria muito interessante!!!

    Parabéns também pelo blog.

    Abraços

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