Documentos dos séculos XVIII e XIX são restaurados no Arquivo Público de Paracatu

Por Carlos Lima (*)

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Processos de inventário, justificação de casamento, autos de seqüestro de bens, justificação de sepultura são algumas das raridades que estão sendo restauradas no Arquivo Público Municipal, com o objetivo de garantir maior longevidade aos documentos e proporcionar aos interessados na pesquisa histórica, o direito de acesso às fontes primárias.

A documentação, que data do período compreendido entre 1723 e 1800 e que já esteve abandonada nos porões da Santa Casa de Misericórdia, em Paracatu, sofrera todo tipo de intempérie, como goteiras, poeira, umidade e a ação de insetos como térmitas (cupins) e traças-de-livro. Em alguns itens, pelo menos 30% do suporte (papel) e da escrita foram destruídos devidos aos fatores mencionados. É possível constatar ainda a fragilidade apresentada por diversos manuscritos, que quando manuseados soltam fragmentos de sua composição, o que só acelera o processo de sua degradação.

O quadro em que se encontravam tais documentos, classificados ou arranjados (termo técnico da Arquivologia) sob a forma de Fundo Tribunal Eclesiástico (espécie de miniatura do Tribunal Inquisitorial, que cuidava da ordem moral e religiosa), exigia do Arquivo Público uma solução a curto ou médio prazo, o que veio a acontecer a partir do Projeto de Higienização e Restauração dos Manuscritos do Século XVIII, elaborado pelo arquivista da instituição Carlos Lima e orçado em R$ 12.000,00, que obteve apoio financeiro em 2009 do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), com sede no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o Diretor-Presidente do IAB, Ondemar Dias, que já houvera pesquisado nos registros em questão, o que lhe despertou o interesse em apoiar a restauração desse acervo foi o fato de tais documentos constituírem-se também como artefatos arqueológicos, portanto, fundamentais para a compreensão da dinâmica social.

Com o recurso do projeto foram adquiridos materiais específicos para o restauro de documentos, como papel japonês, cola neutra, papel neutro para acondicionamento, além de modernos equipamentos que subsidiam todo o processo de execução e que futuramente servirão à digitalização dos manuscritos e de outros itens.

As atividades de diagnóstico, higienização e restauro vem sendo realizadas pela própria equipe do Arquivo Público Municipal, que sob a coordenação do arquivista Carlos Lima, recebe toda a orientação teórica e prática necessária para efetuar os procedimentos de intervenção nos documentos raros conservados na instituição.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa) e é Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

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