Sem sacolinhas, por favor !

Por Carlos Lima (*)

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É isto mesmo: dizer adeus àquelas que são as grandes vilãs da poluição ambiental não é nenhuma vergonha, mas sim um orgulho quando se trata da conservação do planeta.

Tudo não passou de uma grande mudança de hábito quando decidi abdicar daquele conjunto de sacolas plásticas, que acumulava na gaveta do armário e sem me preocupar, aproveitava para descartá-las no ímpeto de desafogar as lixeiras de casa.

Sem saber do crime que estava cometendo para com o meio ambiente, eu descartava o lixo orgânico misturado ao inorgânico, o que exigia, por vezes, quase dez sacolas plásticas por semana. Estava tudo errado. Aliás, nem tudo ainda está muito certo, visto que não consegui livrar-me totalmente das ditas cujas, embora já tenha um plano secreto para tal empreitada.

O plano secreto a que me refiro não é nenhuma inovação, antes um resgate dos velhos costumes benéficos ao meio ambiente: um balde de lixo, sem sacolas ou sacos, seria minha arma secreta para resolver o problema. No entanto, a questão é: será que vão entender a finalidade do emprego do utensílio? Alguém seria capaz de derramar o conteúdo (lixo) ali na rua e levar embora o recipiente, para vendê-lo à reciclagem? O gari teria paciência de despejar o lixo no caminhão e devolver o balde em minha residência, em tempos em que a coleta quase que se assemelha a uma linha de produção (afinal, o caminhão não pára mais e as famigeradas sacolinhas são arremessadas com certa velocidade ao veículo)?

Considerados como os maiores responsáveis pelo derramamento de embalagens plásticas no comércio, alguns poucos supermercados até que apresentam boa vontade em proporcionar um substituto ecologicamente correto para que o cliente, digamos mais consciente para com o seu habitat, possa levar suas compras. Vejamos alguns modelos: em um grande e novo supermercado da cidade, estampa-se logo na entrada um belo painel convidando o consumidor a preservar o planeta e para tal, sugere o uso de caixas de papelão e disponibiliza-as para o transporte das compras. Uma ótima maneira de reaproveitamento e ao mesmo tempo, uma recusa às vilãs plásticas aqui atacadas. Nos caixas, bem no alto, estão as sacolas fabricadas em tecido, vendidas, entretanto, a um valor que poucos se interessem em comprar: em torno de R$ 7,00. As entregas em domicílio, por sua vez, apresentam a sua parcela de contribuição para com o meio ambiente, uma vez que dispensam quaisquer embalagens, pois as mercadorias são transportadas em engradados do próprio comerciante.

Na guerra contra o mau costume do uso das sacolas que levam mais de 100 anos para desintegrarem-se na natureza, tenho procurado levar sempre minha ecobolsa (bolsa ecologicamente correta) durante as compras – fato este que quando não causa a estranheza por parte da grande maioria dos comerciantes e seus funcionários, não deixa de despertar, pelo menos, a curiosidade de alguns poucos. Aliás, compreende-se perfeitamente que os empresários não queiram correr o risco de constranger sua clientela propondo soluções ecologicamente corretas em meio a um cenário altamente capitalista, portanto, voltado sobremaneira para a obtenção do lucro.

Há também os lojistas que optaram pelo modelo de sacola oxi-biodegradável. Seria esta uma solução viável? Alguns ambientalistas defendem que não basta a fragmentação do artefato plástico, pois mesmo em minúsculos fragmentos, ele é capaz de poluir a terra, a água e causar a intoxicação dos animais.

Uma lei municipal, a de nº 2.738/2009, prevê a proibição do uso de sacolas plásticas na cidade de Paracatu para o ano de 2012. Para que ela seja respeitada, algumas iniciativas bem que vem sendo realizadas pelo município como o diálogo com a associação comercial local tendo em vista o emprego de embalagens que não agridam o meio ambiente, entre outras.

Sinceramente, tenho por certo que o segredo para dizer adeus à sacolinha está no processo de conscientização da população, pois ela é capaz de escolher para si não apenas os produtos que melhor lhes servem, mas também aqueles que poupam a natureza de prejuízos ambientais. Um programa de educação ambiental amplo, a começar pelas crianças nas escolas, e um marketing que venha a chamar a atenção para os danos ocasionados pelas embalagens plásticas, pode ser uma solução viável para o problema em foco.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa) e é Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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2 Respostas

  1. Achei muito interessante esta matéria.

    Saco é um Saco… rs

    Parabéns também pelo Blog.

    Abraços

    1. Muito obrigado, André!
      Continuaremos a escrever sobre medidas e atitudes que contribuam para a preservação meio ambiente.
      Abraços!
      Carlos Lima
      Arquivista e Redator

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