Queimada, não tenha uma em sua casa

Por Carlos Lima (*)

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Inverno, ar seco, muita poeira e prá embaçar de vez, vários focos de incêndios espalham-se gerando imensas cortinas de fumaça, que trazem não poucos prejuízos ao meio ambiente e aos seus habitantes.

Esta é também uma realidade cada vez mais freqüente em Paracatu. Falta de informação? Pelo menos não é o que se constata, quando se sabe que campanhas incisivas são veiculadas repetidas vezes nos meios de comunicação com o intuito de conscientizar a população sobre os riscos das queimadas. E a televisão, por sua vez, é um poderosíssimo veículo comunicação de massa (Em 2008, 94,5 % dos lares com TV a cores), através do qual o poder público promove campanhas para tentar reduzir o quadro apresentado pelas queimadas no Brasil, embora o que se veja é o crescimento dos índices desse tipo de agressão à natureza e ao próprio homem.

Conheçamos alguns números sobre o problema, de acordo com o relatório de monitoramento de queimadas apresentado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais): Entre os dias 1º e 28 de Junho de 2010, foram registrados 185 focos de incêndio em Minas Gerais, contra 65 no mesmo período do ano passado. Isto representa um aumento de 184 % em apenas 1 ano. Em São Paulo, entretanto, houve o maior decréscimo entre os demais estados monitorados: menos 25 %, ou seja, em junho deste ano registraram-se 125 focos de incêndio contra 167 no mesmo período de 2009.

Há de salientar-se que o agravamento da situação está diretamente relacionado à seca, que predomina no período de inverno. Para o meio ambiente, os prejuízos das queimadas são incalculáveis: poluição que destrói a camada de ozônio, de maneira a favorecer o aquecimento global; eliminação de nutrientes do solo, de forma a torná-lo pobre para o plantio; morte da vegetação nativa – no nosso caso o cerrado, que em virtude do desmatamento já perdeu em torno de 50 % de sua totalidade (IBGE, 2008), boa parte devido a uso indiscriminado do fogo na expansão de áreas agrícola e pastoril, associado à extração de madeira e carvão vegetal.

No tocante ao homem, sem contar nos animais (alguns dos quais tem de ser sacrificados devidos às queimaduras), há também uma série de danos e prejuízos que são: perda da qualidade do ar, que relacionada também à baixa umidade, ocasiona problemas respiratórios e oculares para a população; aumento do número de acidentes nas rodovias, portanto um crime à vida; aumento dos custos com a saúde pública, vez que cresce o número de pacientes vítimas da péssima qualidade do ar. Acrescentam-se a isto, os custos para combaterem-se focos de incêndios, que no caso de Paracatu, tem um agravante, que é o de não possuir um Corpo de Bombeiros, de modo a recorrer à Corporação de Unaí, distante portanto a aproximadamente 100 quilômetros.

O que todos sabemos é que praticar queimadas é crime ambiental, mas não tão grave assim, pensaria neste instante alguém que faz vistas grossas e arremessa uma simples e perigosa bituca de cigarro pela janela do carro. E o que dizer de quem lança mão da queimada para agilizar e economizar na limpeza do seu lote, mesmo que urbano? Nota zero, cara-pálida! Polui a natureza da mesma forma e nossas casas estão cheias de fuligens por causa de ações como esta. E que tal uma paradinha à beira da rodovia, para discretamente atear fogo no capim seco à espera de chuva? Pois é, se alguém pensa assim – e há os que pensam mesmo – merece um tratamento, ou melhor, um enquadramento nos rigores da lei.

Utópico é acreditar ou esperar que o poder público resolva tudo sozinho. Isto porque, nas vezes em que os agentes públicos são indagados sobre o controle da ocorrência das queimadas, surge sempre o argumento de que não há estrutura (recursos humanos e materiais) suficiente para fiscalizar incêndios criminosos, o que de fato é compreensível, haja vista a imensidão de todo o território nacional. Uma parte da solução ou a minimização do problema aqui apresentado está na promoção da educação ambiental nas escolas, órgãos públicos, associações urbanas e rurais e outras entidades, por meio de palestras, seminários, workshops e outras formas que visem à formação de uma consciência crítica acerca do assunto.

Ah! Em caso de incêndio, denuncie: Disque 193

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa) e é Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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