Lixo, você pode fazer a sua parte!

Por: Carlos Lima (*)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em tempos em que se assiste a freqüentes catástrofes naturais e já se conhecem estimativas sobre números alarmantes da dengue, nunca é repetitivo propor uma reflexão sobre a problemática do lixo na cidade.

Os resíduos orgânicos descartados das residências têm efeito prejudicial ao meio ambiente quando são armazenados em lixões, pois emitem o chorume, líquido poluente que contamina o solo, rios e o lençol freático. Ainda assim, a maior parcela dos danos ambientais pode estar relacionada aos resíduos inorgânicos, aqueles que a natureza não consegue decompor ou leva anos para consumi-los.

A partir de uma simples experiência com a separação do lixo doméstico, é possível constatar que o volume varia muito quando os rejeitos não são selecionados, pois as embalagens e outros materiais inorgânicos ocupam muito espaço. O processo de separação permite que o material orgânico (restos de alimentos, por exemplo) possa ser eliminado de forma adequada nos aterros sanitários ou mesmo, feita a sua compostagem, método de decomposição e considerado ecologicamente correto. Os materiais selecionados como recicláveis podem ser acumulados e destinados aos catadores ou ainda às cooperativas que recolhem esses itens.

Mas o que fazer quando a coleta seletiva não chega a todas as residências? É aí que entra o papel fundamental do poder público em propor soluções de curto prazo para que a população possa exercer a sua cidadania e ter também o direito e o dever de contribuir com a preservação do planeta.

Em capitais como Belo Horizonte e Salvador, há pontos de coleta seletiva de lixo espalhados no perímetro urbano, que viabilizam o acesso da população a esse tipo de serviço. A parafernália ecológica constitui-se de tambores ou grandes recipientes bem apresentados e que permitem ao cidadão a possibilidade de separar e destinar, de forma apropriada, plástico, papel, metal, vidro e outros. Consciência e um pouco de esforço são alguns dos principais requisitos exigidos de cada um para participar desse processo.

Em Curitiba, localizada no Paraná e considerada pela ONU como a “capital Ecológica do país”, a coleta seletiva é tratada tão a sério que caminhões baús passam de porta em porta recolhendo os materiais recicláveis separados pelos moradores. Existe por lá uma forte “simbiose” entre comunidade e poder público, onde um ajuda o outro na questão dos resíduos.

Em Paracatu, de um total de 33 bairros, apenas 11 são atendidos pela coleta seletiva praticada por duas cooperativas, que contam com o apoio de alguns pequenos caminhões e várias carroças e similares em circulação pela cidade. Embora de grande relevância para o município, o trabalho apresenta certa deficiência, pois os sacos com material reciclável e lixo orgânico são armazenados juntos nas portas das residências, de modo que os trabalhadores só recolhem aqueles visivelmente identificados como sendo de seu interesse. Outros pacotes com itens recicláveis são deixadas para traz e seguem viagem para o aterro controlado.

Louvável iniciativa é a do Lions Clube de Paracatu, que iniciou há alguns meses o projeto Sabão Ecológico, que além de gerar renda para famílias carentes, possibilita um destino ambientalmente correto para o óleo descartado das cozinhas. Quando lançado na rede de esgoto, esse tipo de resíduo torna-se sólido e causa o entupimento das vias públicas de esgotamento sanitário. Em cidades como Irecê, no interior baiano e a 478 Km de Salvador, a Prefeitura implantou um projeto similar e criou diversos pontos de coleta de óleo de cozinha por toda a cidade.

Pode até parecer loucura de minha parte, mas me orgulho de ir às compras com uma ecobolsa (sacola ecologicamente correta), de armazenar em recipientes o óleo descartado da cozinha e de trazer o material reciclável, retirado do lixo de minha casa, para ser eliminado junto com o do meu local de trabalho, pois no meu bairro não há coleta seletiva.

Trecho de relatório de fiscalização da Câmara de Paracatu destaca o problema do lixo em 1869. Fonte: Acervo Arquivo Público de Paracatu

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

Clique no documento para ampliar!


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: