Uma bike, um carro a menos!

Por: Carlos Lima

Wilma Melo Franco Dias passeia de bicicleta no antigo Largo da Abadia (Atual Fórum) em Paracatu. Foto: Olímpio M. Gonzaga/Acervo APMOMG. Data: Século XX

Com uma frota estimada em quase 25.000 veículos que circulam pelas ruas diariamente, o trânsito de Paracatu cresce em meio ao caos e sugere uma reflexão mais séria por parte de todos, considerando-se, inclusive, o uso de meios de locomoção sustentáveis.

Ao trafegar pelo centro da cidade é comum assistir à disputa entre os motoristas por uma vaga de estacionamento,

Trânsito na Avenida Olégário Maciel, em Paracatu: Frota vem aumentando diariamente. Foto: Carlos Lima/APMOMG/Dez. 2010

dada a grande quantidade de pessoas que optam pelo automóvel como meio de transporte. A rapidez e a comodidade proporcionadas pelo carro, além da sensação, para alguns, de maior status social, são possíveis razões para justificar-se a preferência por esse tipo de transporte.

Com os combustíveis subindo a passos galopantes (gasolina em torno de R$ 3,06) e sem maiores expectativas de quedas significativas para o bolso do consumidor, a bicicleta torna-se uma forma de locomoção viável e ao mesmo tempo sustentável, afinal possui baixíssimo custo de manutenção e emissão zero de poluentes.

Mas esta viabilidade do ciclismo na cidade só é possível desde que haja a participação conjunta entre sociedade e poder público, para que o uso da bicicleta seja feito de forma segura, estimulada e condizente com as normas de trânsito.

Embora o Código Brasileiro de Trânsito, em seu artigo 201, determine que os veículos automotores mantenham a distância mínima lateral de 1,5 m com relação às bicicletas, o que se assiste nas principais vias de Paracatu são ciclistas espremidos pelos carros. Mas, há também infrações por parte dos usuários das bikes, que irresponsavelmente trafegam pela contramão como se isto fosse normal.

Na opinião de algumas pessoas, como a do antropólogo e professor João, “bicicleta, em Paracatu, só atrapalha o trânsito”, disse ele que faz uso do carro como meio de transporte. Isto se explica na medida em que as vias de circulação tornam-se saturadas e o espaço esgota-se para os tantos usuários que delas dependem.

Ciclovia na Alemanha: o estímulo e o interesse pelas "magrelas" andam lado a lado. Fonte: Blog Feudalismo Atual. Dez. 2010

Os veículos automotores, especialmente os de maior peso, são os que mais ocupam as ruas e também aqueles que mais as deterioram. O incentivo ao uso de bicicletas significa, dentre outras vantagens, maior mobilidade, maior conservação das pistas, menos poluentes lançados no meio ambiente e saúde para a população, que ao exercitar-se através das pedaladas, fugiria do sedentarismo imposto pela correria e pelas facilidades do mundo moderno.

Ciclovia no bairro da Savassi, em Belo Horizonte. Foto: Correio Democrático. Abr. 2011

O estímulo à prática do ciclismo como forma de movimentação urbana deve ser feito com planejamento, estrutura e educação. O poder público deve estudar sobre a implantação de ciclovias e/ou faixas para ciclistas no município, mas também educar, de modo a fortalecer a opção pelo uso da bicicleta como um meio de transporte ecologicamente correto e sustentável para o planeta.

Só para lembrar, o autor deste texto é apaixonado por bicicleta e faz uso diário dela para ir ao trabalho.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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