Virtualização de documentos: Estamos preparados?

Por: Carlos Lima (*)

Convergência dos dados de um suporte papel para o meio virtual. Foto/Reprodução: Carlos Lima/APMOMG

Na semana passada, assistiu-se a uma série de ataques cibernéticos a portais do Governo Federal na rede mundial de computadores. Órgãos como Petrobrás, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Ministério da Cultura, Presidência da República e Receita Federal tiveram seus sites invadidos por hackers e em alguns casos, informações pertinentes a funcionários e gestores foram extraídas e posteriormente divulgadas na Internet.

Imagem publicada no site do IBGE pelos hackers invasores. Foto/Reprodução: IBGE

As cenas de invasões, que não pouparam sequer os dados da Presidente Dilma Roussef e do Prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, reforçam que há fragilidade com relação à preservação de dados importantes que se encontram armazenados em bancos de dados do governo e de empresas, como o número de CPF, endereço eletrônico (e-mail), telefone, entre outros, que dizem respeito a centenas de milhares de cidadãos.

Os arquivos digitais não estão tão protegidos assim. Ilustração: tvopcao.com

Numa tendência de que as informações sejam produzidas e disponibilizadas freqüentemente em meios virtuais (não palpáveis), de maneira a superar muitas vezes o tradicional suporte papel, a segurança de informações pessoais e estratégicas é sem dúvida uma preocupação cada vez mais constante no cotidiano das organizações e dos indivíduos.

Charge sugere uma das formas de virtualizar documentos provenientes do suporte papel. Ilustração: sinarquivo.ning.com

A virtualização de documentos, caminho adotado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para permitir uma maior celeridade no julgamento dos processos do Poder Judiciário, emprega a digitalização como ferramenta tecnológica capaz de converter registros em suporte papel para meios digitais, como banco de dados e cd-rom, o que viabiliza o acesso aos documentos numa simples tela de computador.

Numa mesma linha de raciocínio, o Governo Federal criou a nota fiscal eletrônica (NF-e), documento digital que reduz sobremaneira a papelada e cujo arquivamento é realizado em bancos de dados. A NF-e como é conhecida, é processada mediante o uso da Internet e significa a redução dos casos de sonegação de impostos.

Leis severas e específicas para a punição de crimes cometidos na Internet não existem no Brasil, entretanto, nos casos relacionados ao vazamento de informações de órgãos governamentais e à “perturbação” de serviços de utilidade pública, há sim legislação (Artigo 265 do código Penal) para enquadrar os criminosos virtuais.

O fato é que se a virtualização de documentos é um caminho sem volta, tanto para as pessoas quanto para empresas e instituições, que buscam a rapidez no acesso aos dados e o acerto na tomada de decisão, a segurança das informações torna-se um investimento, sem dúvida nenhuma, indispensável e impreterível no cotidiano dos brasileiros.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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