A Feira de Paracatu: História, turismo e o Mercado

Mercado Municipal de Paracatu, na Rua Direita, em 1910. Ao centro, o chafariz. Foto: Olímpio M. Gonzaga/Acervo Arquivo Público de Paractu

 Por: Carlos Lima (*)

Do milho ao mingau e a pamonha, do caldo de cana à rapadura e à pinga, do polvilho ao biscoito e ao beiju seco, a “feirinha”, como é mais conhecida em Paracatu, atrai milhares de freqüentadores principalmente aos sábados pela manhã. É gente que vende, compra,

Feirinha de Paracatu, na Avenida Romualdo Ulhôa Tomba (fundos da Prefeitura). Foto: Carlos Lima/Jan. 2011/APMOMG

pechincha, mas sequer dispõe de um espaço mais amplo, coberto e com sanitários melhores, já que funciona de forma improvisada nos fundos da Prefeitura e aos domingos, no largo do Santana.

Em tempos passados, a feira já tivera endereços e abrigos próprios: Rua Direita (atual Dr. Seabra), a partir de 1902, no extinto Mercado

Mercado Municipal na Praça Euzébio em 1987. Foto/Reprodução: Folha do Noroeste/Nov. 1987/Acervo Arquivo Público de Paracatu

Municipal, onde hoje se localiza o Museu Histórico Pedro Salazar Moscozo e posteriormente, na Praça Euzébio, em 1987, cujo imóvel mais tarde tornara-se Delegacia de Polícia.

O primeiro Mercado fora implantado por volta de 1902, na gestão do Agente Executivo e Presidente da Câmara Municipal (na época não existia Prefeitura), Christino Pimentel de Ulhôa, que por meio da Lei nº 53, de 23 de novembro de 1899, determinara a construção do local para instalar os feirantes.

Documentos do Fundo Câmara Municipal de Paracatu, datados da primeira metade do Século XX, no entanto, dão conta de que ínfimo era o movimento de pessoas no Mercado e grande o prejuízo acumulado pelos comerciantes ali estabelecidos, principalmente porque tinham de pagar impostos à municipalidade.

Tabela de Preços do Mercado Municipal de Paracatu. Reprodução: Jornal Folha do Povo/Março 1911/Acervo Arquivo Público de Paracatu

Fato é que o funcionamento de tal espaço destinado aos feirantes nunca foi um ponto forte da cidade, certamente pela falta de apoio ao empreendimento, ou pela inviabilidade dos locais escolhidos, ou em razão da carestia dos produtos ou ainda pela pouquíssima ou quase que inexistente diferença entre os preços para o consumidor. Um conjunto de fatores, poder-se-ia afirmar.

O município, entretanto, vem crescendo e junto ampliam-se também as necessidades da população, que busca por melhores serviços e a satisfação de seus anseios.

A implantação de um mercado municipal em Paracatu significaria o fortalecimento do chamado turismo de negócios, pois atrairia muitos visitantes, que não hesitariam em apreciar o local, as iguarias e o artesanato da cidade. Os resultados, portanto, viriam na forma de mais vendas, maior qualidade do serviço e dos produtos e, principalmente, satisfação da clientela.

Interior do Mercado Municipal de Montes Claros, no Norte de Minas. Fonte: http://www.flickr.com/photos/uira/3520638846/

Ao tomar como referência os mercados municipais de Belo Horizonte e de algumas cidades do norte de Minas, como Montes Claros e Januária, que inclusive já foram tema de documentários televisivos, percebe-se que tais recintos são sim pontos turísticos, capazes de atrair as pessoas e recebê-las de forma mais segura, salutar e agradável.

Em Paracatu, o improviso expõe feirantes e consumidores ao lixo, em plena Feira Livre. Foto: Carlos Lima/APMOMG

Paracatu possui um enorme potencial turístico e cultural, contudo, carece ainda de políticas que permitam fortalecer os seus atrativos. A “feirinha”, embora marginalizada deste viés, necessita de um bom espaço que possa abrigar seus freqüentadores, quem sabe um “mercadão”, agora com cara de patrimônio e corpo de empreendimento turístico.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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