Livro de Irmandade paracatuense é objeto de pesquisa de doutorado

Por: Carlos Lima (*)

História e tecnologia: Profa. Bethania Veloso digitaliza manuscritos das Irmandades de Paracatu. Foto: Carlos Lima/APMOMG

Conhecidos como termos de compromissos ou estatutos, os livros das Irmandades dizem respeito a onze confrarias religiosas de Paracatu, entre elas a de Nossa Senhora do Rosário, N. Sra. do Amparo e do Glorioso São Benedito, esta última alvo de uma pesquisa de doutorado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O estudo está sendo desenvolvido pela Professora e Restauradora Bethania Reis Veloso, de 56 anos, que é diretora do CECOR (Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis) da UFMG e que esteve em Paracatu entre os dias 21 e 25 deste mês para analisar, sob diferentes perspectivas, os documentos datados de 1808.

Memória e grafia: Fólio do livro da Irmandade do Glorioso São Benedito, de 1808, objeto de estudo na tese da restauradora do Cecor. Foto/Reprodução: Carlos Lima/APMOMG

De acordo com Veloso, sua investigação científica orienta-se pelo livro “Nova Escola para aprender a ler, escrever e contar”, de autoria de Manoel Andrade de Figueiredo, a partir do qual os escribas (escrivães) ter-se-iam baseado para realizarem a parte gráfica (letras capitulares, escrita e outros) dos livros das irmandades paracatuenses.

Análise de elementos constitutivos da grafia e do suporte (papel): Pesquisa vai além da consulta aos documentos. Foto: Carlos Lima/APMOMG

Com uma extensa parafernália tecnológica destinada ao trabalho a ser desempenhado junto aos documentos históricos, a restauradora realizou diversas análises nos manuscritos, como por exemplo, a localização de fungos não detectáveis a olho nu, existentes no papel, a partir de um equipamento de fluorescência ultravioleta.

São elementos intrínsecos ao documento, como tintas e reações químicas provenientes destas, “que revelam todo processo de um fazer artístico nos livros das irmandades”, afirma com entusiasmo a Professora da UFMG, que é bibliotecária de formação e que se interessou pela área de conservação e restauro quando trabalhara em arquivo pertencente ao Governo do Estado de Minas.

Mas, a visita da restauradora ao Arquivo Público de Paracatu não marcou apenas pela consulta aos documentos raros que lhe renderão uma tese de doutorado na área de preservação, mas também pela quantidade de conhecimentos novos que foram agregados, de forma muito dinâmica e enriquecedora, ao trabalho dos servidores da instituição que diariamente lidam com registros que carecem de técnicas especiais em termos de conservação e restauro.

Laboratório do Centro de Conservação e Restauro (CECOR), na UFMG, em Belo Horizonte. Foto: Cecor

Durante os trabalhos no Arquivo Público Municipal, a pesquisadora doutoranda chamou a atenção do Poder Público Municipal para a necessidade de investimentos na instituição, que já desenvolve atividades relacionadas à restauração de documentos, mas que necessita de equipamentos e utensílios modernos para a composição de um laboratório para tais procedimentos.

A tese da Professora Bethania Reis Veloso tem previsão de defesa para outubro ou novembro próximos, em Belo Horizonte.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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