Associação de Amigos do Arquivo desenvolve projeto e documentos são organizados no Pará

O projeto está sendo coordenado pelo historiador Leonardo Torii e pela restauradora Ethel Soares, que encaram o trabalho de identificar, higienizar e recuperar todo este volume de documentação para finalmente disponibilizá-lo para o acesso do público em geral

Por: Antonio Pacheco Neto – Secult/Agência Pará de Notícias (*)

Arquivo Público do Estado do Pará. Fonte: Agência Pará

Belém(PA) – 02/03/2012 – Prestes a comemorar 111 anos de existência, o Arquivo Público do Estado do Pará é reconhecidamente uma das maiores instituições brasileiras da área, sendo prestigiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) com o selo “Memória do Mundo/Memory of the World – MOW”, pelo seu trabalho com a guarda da documentação do período colonial da Amazônia (1649 – 1823).

Dentro do seu acervo, que recebe visitas de pesquisadores do Brasil e do Mundo, estão importantes documentos e iconografias, como a ata da adesão do Pará à Independência,os documentos da administração do diretor Emílio Goeldi no Museu Paraense e da administração do interventor Magalhães Barata. Porém, outras preciosidades estão guardadas no centenário prédio do Arquivo Público do Estado.

Em duas salas no Arquivo Público estão guardados 1663 pacotes, alguns em avançado estado de deterioração e todos sem nenhuma identificação. Dentro destes pacotes estão documentos que perfazem quase quatro séculos de história do Estado. Agora, através de um projeto desenvolvido pela Associação dos Amigos do Arquivo Público (Arqpep) e com patrocínio do Programa Petrobras Cultural, este precioso acervo, denominado de “Documentação Avulsa”, finalmente recebe a devida atenção.

O projeto está sendo coordenado pelo historiador Leonardo Torii e pela restauradora Ethel Soares, que encaram o trabalho de identificar, higienizar e recuperar todo este volume de documentação para finalmente disponibilizá-lo para o acesso do público em geral. “O principal desafio é a identificação deste material, pois é comum em um mesmo pacote encontrar documentos dos séculos XVIII, XIX e XX, de origens e fundos diferentes”, explica Torii.

Ainda de acordo com os coordenadores do projeto, este acúmulo de documentação sem a devida catalogação e tratamento é fruto de décadas de descaso com arquivos tão importantes, como ocorrências policiais e boletins médicos que foram direcionados para o Arquivo Público e não receberam nenhum tipo de atenção, sendo apenas envelopados e colocados em prateleiras.

Para Ethel Soares, é preciso conscientizar o público que o patrimônio histórico é mais do que apenas prédios e monumentos. “Se mesmo com edificações já há casos notáveis de descaso com o patrimônio, imagine com documentos, que é algo muito mais fácil de deteriorar e ainda não é encarado pelo grande público como algo que deve ser preservado”.

Os trabalhos de arquivologia do projeto estão sendo feitos com as mais modernas técnicas aplicadas atualmente em grandes instituições, como os Arquivos Públicos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano foi realizado um curso de atualização para todos os funcionários e servidores do APEP, ministrado pela Professora Doutora Ana Célia Rodrigues, coordenadora do curso de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense.

Com os trabalhos iniciados em janeiro deste ano, e ainda na primeira das quatro etapas do projeto, alguns documentos importantes já foram localizados como os “Autos de Liberdade”, que fazem parte do processo de remoção dos restos mortais do maestro Carlos Gomes. A previsão de conclusão do projeto é de dois anos.

(*) Houve alteração do título original “Projeto resgata documentação avulsa no Arquivo Público do Pará”

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