Quilombolas paracatuenses são tema de mestrado em Montes Claros, no Norte de Minas

“Quilombolas são sujeitos de relativa invisibilidade em nossa sociedade, que aos poucos vem abrindo espaço para esses sejam reconhecidos em suas garantias plenas de direito”

Por: Carlos Lima (*)

Professora Maria Ester no Arquivo Público de Paracatu, no Noroeste de Minas. Foto: Acervo Pessoal/Jul. 2011

Paracatu (MG) – 09/03/2012 – Pouca gente reconhece o valor científico e probatório dos documentos existentes no Arquivo Público de uma cidade. A Professora de História e mestranda Maria Ester Santana Silveira Nascimento, de 49 anos, da cidade de Montes Claros, localizada a 434 Km da capital Belo Horizonte, é dessas pessoas que conseguem extrair de processos da justiça comum, preservados no Arquivo Público de Paracatu, as informações úteis para a produção de conhecimento que agora não só lhe irão garantir o grau de mestre, mas principalmente levar à tona um problema social, a luta de remanescentes quilombolas que veem seus valores e suas terras ameaçados pela morosidade do poder público e pelos interesses ligados ao capital.

Sobre a sua dissertação de mestrado, que será defendida na próxima sexta-feira (16), na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a Professora Maria Ester Nascimento comenta:

“A Constituição brasileira traz em seu texto o Artigo 68 dos ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), que estabelece o direito quilombola a terra. Em Paracatu, a Família dos Amaros, luta pelo direito de garantia sobre um território há quase um século. Apesar da garantia constitucional, o caso vem se arrastando de forma morosa e complexa. A partir dessa situação, desenvolvemos um estudo analisando e buscando compreender os motivos dessa morosidade”

“É importante destacar que um povo que não reconhece sua diversidade sociocultural, impede seu próprio desenvolvimento humano. Paracatu apresenta relevantes contrastes em sua organização social, daí a necessidade de reconhecer essa diversidade e caminhar no sentido de que todos tenham na diversidade, a garantia de igualdade social e política. Tanto para os Amaros, quanto para os outros grupos quilombolas da localidade, juntamente com o direito a terra, há a importância da garantia do reconhecimento social.”

“Quilombolas são sujeitos de relativa invisibilidade em nossa sociedade, que aos poucos vem abrindo espaço para esses sejam reconhecidos em suas garantias plenas de direito. O sentido maior de nosso estudo é contribuir com o processo de desinvibilidade desse sujeito.”

Este é o segundo trabalho acadêmico, cujos subsídios são também provenientes do Arquivo Público de Paracatu, que em curto espaço de tempo é apresentado à comunidade sobre a trajetória dos remanescentes quilombolas de Paracatu. O primeiro é do Professor e Historiador Paulo Sérgio Moreira da Silva, residente em Patos de Minas e que defende sua tese pela Universidade Federal de Uberlândia.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

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