Paracatu e o ópio da destruição

Por: Carlos Lima (*)

Foto: Informepe.com

Não raras vezes os homicídios ocorridos em Paracatu estão relacionados ao crescimento do tráfico de drogas, que imputa à sociedade uma conta pesada, paga quase sempre com o sangue de uma juventude que poderia estar ajudando a construir uma cidade melhor para se viver.

Os números apresentados pelo deputado federal Eros Biondini (PTB-MG) durante audiência nesta quinta-feira (03), na Câmara Municipal, dão conta de que há pelo menos 1.000 dependentes de crack em Paracatu e que a quantidade de centros especializados para o tratamento destes é ínfima (apenas 3) e atende somente a 10% desse total de usuários.

Os dados são realmente muito preocupantes, principalmente porque as leis não acompanham com a mesma velocidade a rápida disseminação de substâncias entorpecentes pelo Brasil afora. Prova disso é que, nos casos de apreensão de menores de idade portando drogas, particularmente nas pequenas e médias cidades do interior, nem sempre há na prática punição que vise a sua recuperação sócio-educativa.

Se de um lado são notórias a fragilidade da legislação brasileira e a escassez de recursos para o enfrentamento ao narcotráfico, do outro é possível vislumbrar um caminho para algumas soluções, por meio da prevenção, com políticas públicas que desviem o jovem – principal alvo dos traficantes – do lamentável e tenebroso mundo das drogas.

A conscientização coletiva de que as drogas matam ou podem conduzir a morte é indispensável, tanto em casa quanto na escola, mas é preciso ir além do discurso, e incluir no orçamento verbas destinadas à consecução de programas e projetos sociais que mantenham as crianças ocupadas e entretidas, através de cursos, do teatro, da música, do esporte, da leitura e do lazer.

A continuidade dessas políticas perpassa pela capacitação profissional do jovem, que tendo a oportunidade de estar inserido no mercado de trabalho, seja como menor aprendiz ou como estagiário ou ainda como empregado, certamente estará afastado e desestimulado em relação ao uso de drogas.

O tratamento dos dependentes químicos deve, por sua vez, ser encarado como uma questão de saúde pública e não pode estar, como tal, ausente na agenda do gestor público. É de suma relevância trabalhar políticas que viabilizem a internação, haja vista que o usuário está intoxicado e não deve ser simplesmente ignorado e posto à disposição da marginalidade e do tráfico novamente.

Num tempo em que se vive a banalização da violência e que a sensação de insegurança está em todo lugar, o diálogo é das mais poderosas armas para o combate às drogas. Na família, a conversa ajuda a dirimir dúvidas e a evitar o mau caminho das substâncias tóxicas. Na comunidade, o diálogo entre poder público, sociedade civil organizada e população é a ferramenta que leva ao diagnóstico sobre a problemática do consumo de drogas e às soluções viáveis a seu respeito.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu

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