Prédio histórico do Arquivo Público do Pará corre risco de curtos circuitos

Desde 1990 não há um trabalho de restauro no Arquivo, afirma diretora da instituição

Por: Portal ORM/Amazônia (*)

Arquivo Público do Estado do Pará. Fonte: Agência Pará

Belém (PA)-01/06/2012 – Associações e grupos voltados à preservação dos patrimônio histórico do Pará protestaram na manhã de ontem, em frente à Biblioteca do Arquivo Público do Estado do Pará (Apep) por manutenção e restauro do prédio, construído em 1858. Na madrugada do dia 18 de maio, a diretora executiva da Associação dos Amigos do Arquivo Público do Estado do Pará (Arqpep), Ethel Soares, informou, por redes sociais, que havia ocorrido um curto-circuito numa tomada da sala de documentação permanente. Um incêndio foi impedido após o vigia ter desligado a energia do prédio, mas o risco permanece por conta da instabilidade do fornecimento de energia no Comércio. A Secretaria de Estado de Cultura (Secult) garante que não houve tal curto-circuito e que o ocorrido foi a queima do reator de uma calha com quatro lâmpadas fluorescentes (três delas continuam apagadas). O órgão reconhece que o prédio histórico carece de reformas, pois durante o governo Ana Júlia, o Apep não passou por nenhum restauro.

Uma das diretoras da Arqpep, Lélia Fernandes, que faz parte do Fórum de Cultura de Belém e é ex-diretora de patrimônio da Secult, destacou que desde 1990 não há um trabalho de restauro no arquivo. Ela garantiu que na gestão dela na Secult, entre 2007 e 2010, foi feito um projeto de restauro pelo programa “Preservação da Memória, identidade e diversidade cultural”, colocando o Apep em prioridade. O projeto incluía modernização do arquivo com digitalização dos documentos, construção de um novo prédio e qualificação dos servidores.

“Quando saí havia um projeto pronto para o restauro, um projeto para o novo prédio que seria no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT), na avenida Perimetral, que estava em negociação com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect). O orçamento estava no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. Também havia recursos dos governos estadual, municipal e federal já reservado. Infelizmente não sei o que aconteceu e isso não saiu. A memória documental não é prioridade para os governos”, afirmou Lélia.

A representante da Associação dos Profissionais de História do Estado do Pará, Adriana Coimbra, também esteve no protesto. “Viemos aqui após denúncias. Fizemos uma petição pública na internet para exigir providências para restauro e manutenção do arquivo. Em cinco horas, tivemos 400 assinaturas”, disse. O documento ainda pode ser assinado no site http://www.peticaopublica.com.br, digitando a palavra “APEP” na busca.

Hoje, às 9h, haverá uma sessão especial na CMB sobre a criação do Sistema Municipal de Cultura, na qual será abordada a situação do patrimônio histórico da capital. No dia 15 deste mês, haverá uma audiência sobre tombamento de patrimônios, às 15h, no palacete Pinho.

A atual diretora de Patrimônio da Secult, Rosário Lima, confirmou que recebeu as denúncias na madrugada do dia 18, informando sobre o problema na fiação do prédio. “Não houve esse curto-circuito que foi denunciado e nem há razão para alarde. Não há marcas de incêndio, nem sequer um chamuscado. Mas isso foi como ‘a gota d’água’ para motivar esse protesto”, afirmou. Ela disse que haverá uma nova licitação para contratar empresa de restauro e manutenção do patrimônio histórico atrelado à Secult. “Será feita uma licitação específica para o Apep, no valor de R$ 2 milhões, que será incluído o PAC e o projeto já está no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”, concluiu.

(*) Houve alteração do título.

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