Universidade Católica de Brasília aprova dissertação sobre meio ambiente, mina de ouro e conflitos sociais de Paracatu

A pesquisa versou sobre os conflitos socioambientais surgidos pela implantação da mineradora Rio Paracatu Mineração/Kinross, no Morro do Ouro

Por: Márcio José dos Santos/ Para o paracatumemoria.worpdress.com

Banca examinadora: Da esquerda para a direita, o Dr. Isaías Nery Ferreira (enfermeiro em Paracatu), Márcio J. dos Santos (autor da dissertação) , a Dra. Renata Marzon (engenheira) e o Dr. Paulo Ricardo Araújo (geólogo). Foto: Acervo Pessoal de Márcio José dos Santos / Jun. 2012

Brasília (DF) – 25/07/2012 – O geólogo Márcio José dos Santos apresentou, em 25 de junho, dissertação de mestrado em Planejamento e Gestão Ambiental, pela Universidade Católica de Brasília. Seu trabalho de pesquisa, intitulado “O ouro e a dialética territorial em Paracatu: opulência e resistência”, versou sobre os conflitos socioambientais surgidos pela implantação da mineradora Rio Paracatu Mineração/Kinross, no Morro do Ouro.

Os arquivos do jornal O Movimento foram uma das mais importantes fontes de informações utilizadas no trabalho de Márcio, ao lado de documentos oficiais, processos judiciais e entrevistas pessoais.

A pesquisa focalizou os grupos sociais atingidos pelo empreendimento – garimpeiros, remanescentes quilombolas, comunidades dos bairros urbanos, pequenos proprietários adjacentes à mina e população ribeirinha do Córrego Rico – uma população pobre, na maioria negra e parda, extremamente vulnerável. Seu trabalho demonstrou que os impactos negativos da mineração ao lado da zona urbana de Paracatu degradaram as condições ambientais e desestruturaram as condições sociais e econômicas dessas comunidades, expulsas ou em processo de expulsão de seus locais de origem.

Áreas de mineração, territórios quilombolas e periferia urbana de Paracatu. Foto/Reprodução: Dissertação de Márcio J. dos Santos

O estudo apontou que a origem dos problemas está na fragilidade das leis brasileiras e na deficiência dos processos de licenciamento ambiental, submetidos ao poder do grande capital. A mineradora minimizou ou omitiu os impactos socioambientais negativos nos processos de licenciamento e isto impediu o estabelecimento de medidas de precaução e de prevenção, cujas consequências atingem a atual e as futuras gerações da população de Paracatu. Entretanto, o Estado outorgou à RPM/Kinross o automonitoramento de suas atividades, impedindo que a população atingida sequer tome ciência dos reais perigos a que se expõe.

O autor abordou a questão do poder, representado pelo capital transnacional, que permeia e domina a sociedade, e a luta das comunidades pelo direito aos recursos naturais, ao meio ambiente saudável e ao território (espaço da vivência, da convivência, da co-presença de cada pessoa), destacando-se aí a natureza social e política da questão ambiental.

Portanto, este projeto de pesquisa reveste-se de grande importância para a comunidade paracatuense e sua história, onde o ouro sempre ressurge como gerador de opulência, degradação ambiental e miséria. O trato acadêmico contribuirá para dar visibilidade ao conflito e para compreender a luta dos grupos e comunidades afetadas, ampliando os horizontes da relação entre a justiça social e o meio ambiente em nosso País.

Para acessar a versão digital da dissertação de mestrado de Márcio José dos Santos, clique aqui.

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