Usuários do transporte coletivo de Paracatu são beneficiados com sistema de integração

Sistema permitirá ao usuário utilizar dois ônibus de diferentes destinos e pagar apenas uma passagem

Por: Carlos Lima (*)

Parte da Frota adquirida pela empresa em 2012. Foto: Acervo da Expresso Planalto Paracatu / Abr. 2012

Parte da Frota adquirida pela empresa em 2012. Foto: Arquivo da Expresso Planalto Paracatu / Abr. 2012

Paracatu – MG (01/10/2013) – Há muito que a população necessitava de um serviço de transporte coletivo capaz de possibilitar a sua locomoção de forma ampliada, inclusive de um bairro para o outro, que até então não dispunham de itinerário, e é claro, a um custo que não lhe trouxesse ônus, haja vista que em algumas circunstâncias era preciso utilizar mais de um ônibus e pagar por isto ou empreender longa caminhada até chegar ao destino pretendido. Essa modernização chega às ruas a partir desta terça-feira (01), com a implantação do chamado sistema integrado por bilhetagem eletrônica, afirmou com exclusividade a este site, o Sr. Ivan Monteiro (49), gerente da empresa que detém a concessão para explorar o transporte urbano no município.

A Expresso Planalto Paracatu, cujo grupo controlador CSC está presente em mais de 12 cidades nos estados de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, sucedeu a viação Sempre Viva em julho de 2007, e embora opere em uma cidade interiorana e com uma população inferior a 100.000 habitantes, investe frequentemente em tecnologia e renovação da frota. Atualmente, a empresa emprega 130 funcionários e a cada 4 pessoas transportadas, pelo menos 1 dispõe da gratuidade (Idosos, crianças até 6 anos e Portadores de Necessidades Especiais).

Para apresentar o sistema de integração das linhas, que permitirá ao usuário utilizar dois ônibus de diferentes destinos e pagar apenas uma passagem, a R$ 2,00 cada, e falar sobre os recentes investimentos da Expresso Planalto na exploração do serviço de transporte coletivo na cidade, com a palavra o gerente administrativo Ivan Monteiro Rezende.

ENTREVISTA

ARQUIVO PÚBLICO (AP) – A partir de quando e como funcionará o sistema de integração das linhas nos ônibus? Quais linhas e bairros serão beneficiados com esta implementação?

 IVAN MONTEIRO (IM) – A integração funcionará a partir de 01 de Outubro de 2013, e atingira todas as linhas do transporte publico urbano do município.

AP – Como a empresa entendeu e que fatores ela considerou para que viesse a implantar a integração das linhas sob sua concessão em Paracatu?

IM – Os dados, que nos impulsionaram a implantar a Integração, são do próprio sistema de bilhetagem eletrônica que no município foi implantada em 2004. De lá para cá, é visível a expansão da cidade, não só de população mas sobretudo territorial. Hoje surgiram novos bairros e novas localidades geradoras de emprego, de conhecimento e de lazer, que são as alavancas principais para o deslocamento das massas dentro da mobilidade urbana. Como o desenho das linhas não favorece estes novos deslocamentos em razão de serem traçadas a mais de 15 anos para atender demandas antigas, a nossa opção, a curto prazo, para amenizar esta distorção foi a integração das linhas. Logicamente entendemos que apesar da tarifa do município ser uma das mais baixas de Minas Gerais (segundo a FETRAM), ela onera o usuário principalmente aquele que necessitaria utilizar 02 linhas em cada deslocamento. Neste sentido de desonerar o custo do transporte desta categoria de usuário surgiu a proposta da implantação da Integração.

Foto: Site transportabrasil.com.br

Foto: Site transportabrasil.com.br

AP – De que forma o usuário do transporte coletivo poderá beneficiar-se desse novo sistema? Através de bilhetagem eletrônica (cartão eletrônico, bilhete), estações de integração ou outros recursos?

 IM – O usuário terá direito ao beneficio através do cartão eletrônico e a integração será Temporal, o que quer dizer que não necessitará de um terminal ou estação para ocorrer a integração. Ela pode ser executada em qualquer ponto de ônibus da cidade por onde os dois ônibus pretendidos trafegam e pode ser obtida dentro de um determinado tempo (tempo de integração).

AP – O conceito de integração temporal neste caso implicará que de um ônibus para outro haverá um espaço de tempo mínimo (qual seria este tempo?) para que o passageiro possa visualizar o outro ônibus que deseja tomar e assim embarcar-se com segurança?

IM – O tempo será inicialmente de 30 minutos a partir do uso do cartão no primeiro ônibus. Sendo que os deslocamentos do bairro ao centro, onde a maioria das linhas se sobrepõe, levam no máximo 15 minutos restariam outros 15 para a chegada do ônibus e o embarque validando a integração ( O cartão deve ser passado no outro validador dentro deste tempo). Este tempo é experimental e poderá sofrer alteração para mais se for o caso.

AP – Qualquer passageiro pode solicitar o cartão eletrônico junto à Expresso Planalto e onde ele poderá efetuar sua recarga?

IM – Qualquer pessoa pode adquirir o cartão que a partir de R$20,00 de crédito não tem custo de aquisição. Para adquirir o cartão personalizado (cadastro de nome e dados pessoais) deve ser na garagem da empresa e este em caso de perda ou extravio pode ser bloqueado e os créditos restantes serão reaproveitados. Já o cartão comum pode ser adquirido dentro do ônibus com o próprio cobrador, porém este não tem cadastro e não pode ser bloqueado em caso de extravio. Esta política de gratuidade na aquisição pelo valor é por tempo limitado. Ao se obter o cartão o mesmo pode ser recarregado a qualquer momento e com qualquer valor nos pontos de vendas (Serão disponibilizados 3 no centro da cidade e na própria garagem da empresa). Um dos objetivos para implementar o uso dos cartões é pela própria segurança dos funcionários e usuários pois a partir do momento em que houver menos dinheiro circulando dentro dos ônibus o interesse de bandidos por furto nos veiculos é muito menor.

AP – Em informe veiculado em emissora de rádio local, a empresa anunciou também a aquisição e disponibilização de 8 novos ônibus. Estes passarão a atender à população em substituição a outros ônibus ou serão acrescentados à frota em operação na cidade?

IM – Estes ônibus já estão operando em regime de atendimentos especiais e são destinados principalmente ao atendimento aos estudantes. Como já foi noticiado pela imprensa local, havia um lotação maior dos ônibus em horários onde a demanda dos estudantes buscando irem às instituições de ensino conflitavam com o horário da volta da maioria dos trabalhadores para casa (por volta das 18:00, 19:00 h). Com estes novos ônibus pudemos equacionar estas demandas mantendo o serviço de transporte regular de passageiros de forma normal e direcionando os estudantes para estes veículos especiais, agilizando assim tanto o transporte urbano quanto a entrada dos estudantes nas escolas, principalmente na FINOM, IFTM e Faculdade Atenas. Portanto, são novos ônibus para atendimento a população.  Isto não inibiu a empresa de investir em renovação de frota e hoje a nossa média de idade é de 3 anos. Na nossa frota, o veículo mais antigo é do ano de 2008 (5 anos de uso) e contamos também com unidades de ano 2012 (1 ano de uso). Isto sem contar na adequação às exigências quanto a acessibilidade pois contamos hoje com 08 veículos com plataforma de embarque de cadeirantes, sendo o restante da frota já adequado às leis (espaço e portas maiores para cadeirantes e portadores de necessidades especias). Fazendo frente a isto, também é política da empresa acrescentar novas tecnologias e novas ferramentas estando atenta às experiências positivas de outras localidades quer seja onde atuamos (mais 12 cidades nos estados de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro) ou nas demais localidades onde a diretoria mantém constante estudos e prospecção de resultados para implantação em suas unidades de serviço.

Ônibus da Expresso Planalto Paracatu Linha Paracatuzinho Novo Horizonte Foto Carlos Lima Maio 2012 Acervo Pessoal

Ônibus da Expresso Planalto Paracatu Linha Paracatuzinho Novo Horizonte Foto Carlos Lima Maio 2012 Acervo Pessoal

AP – O senhor confirma a informação sobre a disponibilização de 2 ônibus reserva para suprir à demanda nos casos de atrasos das viagens?

IM – Além destes veículos também é disponibilizado o motorista para este atendimento. Estes plantões estão direcionados a horários específicos onde notoriamente ocorrem os casos de atrasos que na maioria das vezes não está sob a gestão da empresa, pois sofrem influências tais como o trânsito, o volume de usuários, o clima (chuvas, etc), as interrupções das vias (por obras, eventos, etc). A comunicação do atraso para a central de controle de trafego ocorre pelo próprio motorista e é acionada quando o atraso atinge tempo maior do que 10 minutos. Esta central aciona o plantão e simultaneamente instrui o motorista da linha sobre como proceder para regularizar o seu horário.

AP – O emprego de sistema de monitoramento por GPS trará que vantagens para o funcionamento do transporte coletivo no município?

IM – O sistema, que ainda está em fase de implantação, terá a responsabilidade de transmitir on-line a real situação da posição dos ônibus nas linhas. Será fator principal para o acionamento dos plantonistas para regularização dos atrasos. Nos dará informações importantes sobre o cumprimento efetivo do trajeto pelo motorista, sobre tempo excessivo de paradas durante o percurso ou mesmo nos pontos finais e sobre o padrão de operação do motorista e abre espaço para a instalação de novas ferramentas de controle que possam utilizar a tecnologia via satélite já disposta no GPS. Também será fator primordial para a efetiva fiscalização por parte da Secretaria Municipal do Transporte, órgão regulador do sistema, que terá acesso on-line ao sistema sendo inclusive solicitado por determinação expressa do atual Prefeito Municipal.

Ônibus da Empresa Transpar, de propriedade do Sr. Maurício, que operou o transporte coletivo em Paracatu entre as décadas de 80 e 90. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu / [199-?]

Ônibus da Empresa Transpar, de propriedade do Sr. Maurício, que operou o transporte coletivo em Paracatu entre as décadas de 80 e 90. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu / [199-?]

AP – Qual o valor dos investimentos neste novo momento a ser vivenciado pelos cidadãos e pelo transporte coletivo em Paracatu?

IM – Toda tecnologia, todo equipamento novo tem um custo que é caro de início, porém estes investimentos são necessários para se manter a atualização dos serviços. No Brasil os veículos pesados (ônibus, caminhões, etc..) possuem hoje tecnologia embarcada muito superiores a maioria dos carros de passeio que são produzidos pelo país. Todo este aparato tem um custo alto e no sistema de concessão pública onde o retorno do investimento é através da tarifa (passagem) cobrada diretamente do usuário como é o nosso caso, o equilíbrio econômico-financeiro da concessão é artigo de grande importância para a manutenção da prestação dos serviços com qualidade. Este equilíbrio é, portanto, o fator que mantém a operadora funcionando bem com os seus investimentos sendo mantidos, como reza o contrato da concessão e é a própria Prefeitura que regulamenta através de decretos os valores a serem cobrados, baseado em estudos técnicos sobre as variações dos principais índices e preços dos insumos inerentes a operação. Ocorre que em Paracatu este fator foi ignorado, durante os últimos 08 anos, e os reajustes de tarifas não acompanharam o avanço dos insumos básicos do serviço. Este desalinhamento do equilíbrio econômico está sendo revisto agora pelo Governo Municipal, que sensível à realidade, procura com bom senso determinar um valor viável tanto para a população que já está com grande parte de seus ganhos comprometidos como para que a empresa continue prestando seus serviços com qualidade e eficiência.

AP – Alguma consideração a fazer?

IM – O transporte Coletivo do Município passa por uma fase de transformação, as ações que estamos tomando são necessárias e irão surtir efeito em curto espaço de tempo, porém é possível e preciso evoluir mais. Precisamos redesenhar as linhas em função das novas demandas, precisamos investir em políticas públicas para o transporte de massa, precisamos adequar as estruturas viárias para a demanda de veículos que são cada vez maiores, precisamos entender que Paracatu é uma cidade centenária e como tal não está adequada para esta nova realidade, mas é essencial preservar sua história e sua condição de cidade histórica; e estão nestes gargalos as dificuldades que nossa sociedade precisa entender e buscar juntamente com as entidades organizadas, as soluções definitivas e duradouras.

Central de Atendimento Expresso Planalto Paracatu: 08000951737 ou (38)3672-1737

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce o cargo de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor.

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Uma resposta

  1. Beneficiados? onde? Eu utilizo este transporte e é péssimo, os funcionários são pessimamente remunerados e não deixam de demonstrar sua insatisfação, estou com um hematoma na perna porque o motorista mal espera você entrar no ônibus e arranca como se fossemos porcos. Minha irmã atendeu no mês passado uma senhora que caiu e quebrou a perna, eu vi com meus próprios olhos um senhor que teve o braço preso na porta quando entrava, as pessoas que estavam no ponto gritavam desesperadamente para que abrissem a porta, foi horrível.
    Para voltar da faculdade (Atenas) é uma luta, o ônibus está sempre lotado dificilmente se acha um lugar para sentar ( estamos falando de gente que trabalha o dia todo e estuda a noite e tem que ir em pé e espremido de volta pra casa).
    Os ônibus estão sempre atrasados e todos caindo aos pedaços ( exceto os que transportam os funcionários da kinross).
    Hoje mesmo – 27/03/14, tive que vir de mototáxi para o trabalho porque o ônibus Alto da Colina que passa no Bela Vista simplesmente não passou, eu não posso mais ir almoçar em casa porque NÃO TEM mais ônibus que vai no Bela Vista às 11:00, entre outras coisas.
    Não existe justificativa que ampare o aumento da passagem em R$00,25.

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