Paracatu 215 anos e o precioso tempo que ficou para traz

Por: Carlos Lima (*)

Árvore do Largo do Santana: Paracatu nasceu alí, ao seu redor! Foto: Autor desconhecido. Data: [19--?]. Acervo da Academia de Letras do Noroeste de Minas

Largo do Santana: De acordo com o escritor e historiador Oliveira Mello, este é um dos marcos iniciais de Paracatu. Foto: Autor desconhecido. Data: [19–?]. Acervo da Academia de Letras do Noroeste de Minas

Os festejos pelo aniversário da cidade não podem alienar o fato de que a história de Paracatu está além dos 215 anos que se comemoram neste domingo, dia 20 de Outubro. É indispensável rememorar o período de Arraial, cuja data de início não se sabe ao certo nem tampouco se tem comprovada e que finda com a sua elevação à categoria de Vila de Paracatu do Príncipe e a criação do cargo de Juiz-de-Fora no local, conforme alvará da Rainha de Portugal, Da. Maria I, a louca, datado de 1798.

Ao investigarem-se os manuscritos do século XVIII, existentes no Arquivo Público Municipal, é possível notar, a partir do documento mais antigo catalogado na instituição (inventário de Veríssimo Teixeira, 1723), que já existia uma espécie de normalização social no também chamado Distrito de Santo Antônio da Manga de Paracatu, haja vista a forte influência do Tribunal Eclesiástico, que atuara em defesa do moral e dos ditos “bons costumes” da época.

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Manuscrito de 1723

Entre os fatos marcantes do período setecentista, está o manifesto da descoberta das minas em 24 de junho de 1744, que se deu alguns anos após a chegada de duas importantes bandeiras a estas cercanias, a de Felisberto Caldeira Brant, oriunda de Goiás, e a de José Rodrigues Fróis, vinda da Bahia. Este último levou ao conhecimento do Governador Gomes Freire de Andrada a feliz descoberta, e este o fez ao Rei de Portugal, D. João V, inclusive escrevendo que por aqui “se juntaram todas as Comarcas das Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio, mais de dez mil almas” (MARTINS, 2008 citando Dicionário Histórico e Geográfico de Minas Gerais).

Sobradinho do Santana, construído em 1750 pelo português João de Mello Franco. Foi a primeira edificação de alvenaria e telhas de Paracatu. Foto: Olímpio Michael Gonzaga

Sobradinho do Santana, construído em 1750 pelo português João de Mello Franco. Foi a primeira edificação de alvenaria e telhas de Paracatu. Foto: Olímpio Michael Gonzaga

Enaltece sobremaneira ainda o Arraial de São Luiz e de Sant’Ana das Minas do Paracatu a construção das Igrejas do Rozário em 1744 (destinada aos Pretos) e Nossa Senhora do Amparo em 1780 (destinada aos pardos livres e demolida no século XX), conforme afirma o escritor Antônio de Oliveira Mello (1978). Outra relevante edificação da época, é o sobradinho de Sant’Ana, o primeiro erguido em alvenaria e telhas no ano de 1750 pelo português João de Mello Franco, como declara os professor de Paracatu Lavoisier Wagner Albernaz.

Há muito o que se desvendar do velho Arraial, cuja data de fundação é também uma incógnita principalmente pela escassez de documentos do século XVII e início do século XVIII, mas é imprescindível que esse período, muitas vezes restrito aos arquivos e aos livros, faça parte do aniversário dessa cidade que tem muito a revelar ao seu povo e ao mundo, sobre a sua história.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Coordenador do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo Arquivo Público de Paracatu-MG.

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