Os desafios frente ao caos do trânsito

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu e o trânsito nos dias de hoje. Foto: Carlos Lima/Jan. 2011/Acervo Arquivo Público Municipal

Paracatu e o trânsito nos dias de hoje. Foto: Carlos Lima/Jan. 2011/Acervo Arquivo Público Municipal

Paracatu-MG (29/11/2013) – Na contramão do modal de mobilidade sustentável, a cidade mineira de Paracatu, no Noroeste do Estado, vem se destacando pelo aumento exponencial de sua frota de veículos e pela ausência de um planejamento eficaz quanto à locomoção diária de sua população.

A reflexão sobre a problemática do trânsito na cidade traz à memória um passado caracterizado por uma enorme tranqüilidade quando o assunto é o transporte dos cidadãos. Prova disso é que, de acordo informações obtidas em documentos históricos do Arquivo Público Municipal, para uma população de 6.000 habitantes no ano de 1939 no distrito sede  (PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU, 1939) havia apenas 22 veículos de passeio, 11 caminhões, 3 motocicletas, 20 carroças e o dado mais curioso, 590 carros de boi em circulação. (DEPARTAMENTO GERAL DE ESTATÍSTICA, 1939).

O transporte à tração animal no século XX: Entrega de Pães da Padaria da Família Bijos. Foto cedida por  Curtis Bijos para o Acervo do Arquivo Público de Paracatu

O transporte à tração animal no século XX: Entrega de Pães da Padaria da Família Bijos em Paracatu. Foto cedida por Curtis Bijos para o Acervo do Arquivo Público de Paracatu

Decorridos mais de 70 anos em relação aos dados elencados e com o crescimento do município, que hoje pode ser classificado como um pólo universitário, agropecuário e de atividade extrativista mineral, além de seu potencial turístico e cultural -pouco valorizado – Paracatu possui, de acordo com estimativas para 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 90.000 habitantes e pelo menos um terço deles utiliza transporte motorizado para o seu deslocamento no perímetro urbano.

O aumento do número de aquisições de veículo próprio pelo brasileiro está diretamente relacionado à facilidade no acesso ao crédito e à omissão do Estado em garantir um transporte público de qualidade e a preços justos. A preferência pelos veículos, por sua vez, beneficiou sobremaneira a indústria automobilística e sacrificou sobretudo as cidades de médio e grande portes, cuja estrutura viária não cresceu na mesma proporção e vem com freqüência apresentando problemas como engarrafamentos e acidentes no trânsito.

Em solo paracatuense a situação não é diferente e agrava-se cada vez mais em virtude da inexistência de políticas públicas eficientes e concretas que visem a estimular e priorizar o uso do transporte coletivo urbano, entre outros meios de locomoção considerados sustentáveis e de baixo custo.

De olho nas alternativas para tentar reduzir os impactos que podem ser causados pelo grande fluxo de veículos especialmente no centro da cidade, o Presidente da Câmara Municipal, vereador Glewton de Sá (PROS), através do requerimento nº 766/2013, propôs, em agosto último, ao Executivo o anteprojeto de lei que institui a bicicleta como modal de transporte regular. Pelo projeto, 5% das vias urbanas seriam destinadas a ciclovias e ciclofaixas e seriam implementados bicicletários, para guarda e aluguel desse meio de transporte altamente ecológico e benéfico para a saúde da população.

Wilma Melo Franco Dias passeia de bicicleta na Paracatu de outrora. Foto: Olímpio M. Gonzaga/Acervo APMOMG. [19--]

Wilma Melo Franco Dias passeia de bicicleta na Paracatu de outrora. Foto: Olímpio M. Gonzaga/Acervo APMOMG. [19–]

O sistema de transporte público urbano local, embora seja atendido por pelo menos 6 linhas regulares de ônibus integradas por bilhetagem eletrônica e com frota em sua grande maioria com menos de 3 anos de uso,  é considerado pelos usuários ineficaz, pois há reclamações quanto ao tempo de espera, à falta de informações disponíveis sobre horários, itinerários pouco abrangentes, além de o sistema ser pouco ou quase nunca fiscalizado com maior rigor pela municipalidade.

Bem longe da realidade vivenciada pela comunidade até meados do século passado, em que a calmaria reinara soberana por aqui, Paracatu já encara o sinal vermelho da problemática do trânsito em suas principais áreas de circulação, e a missão de encontrar soluções que primem pela sustentabilidade, é ao mesmo tempo uma obrigação e um desafio para o gestor público perante os munícipes.

Estatística dos Meios de Transporte em Paracatu em 31/12/1939, pelo Departamento Geral de Estatística. Foto/Reprodução: Arquivo Público de Paracatu-MG

Estatística dos Meios de Transporte em Paracatu em 31/12/1939, pelo Departamento Geral de Estatística. Foto/Reprodução: Arquivo Público de Paracatu-MG

Ofício informa o número de habitantes em Paracatu no ano de 1939. Caixa de Correspondências Ativas da Prefeitura Período 1931 1940. Acervo do Arquivo Público de Paracatu-MG

Ofício informa o número de habitantes em Paracatu no ano de 1939. Caixa de Correspondências Ativas da Prefeitura Período 1931 1940. Acervo do Arquivo Público de Paracatu-MG

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo a que pertencem.

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