BENVINDOS ACERTOS E DESACERTOS DE DOM LEONARDO

Por: Oliveira Mello (*)

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       Trazido pelas mãos carinhosas de Coraci Neiva, foi um acerto ler este “Acertos e desacertos de um bispo missionário itinerante”, bispo emérito de Paracatu, D. Leonardo de Miranda Pereira. Comecei pensando: o que estaria registrado neste livro de 264 páginas? Que tipos de acertos e quais são os seus desacertos? Ele mesmo nos alerta: “Espero de quem ler essas memórias que não interprete como um inicial “desacerto” o título proposto. De uma coisa estou certo: creio que já é um grande acerto contar sempre com algum desacerto. Por isso, você também, leitor e leitora amigos, façam isso por mim: peçam a Deus “que eu erre menos e acerte mais” ou que meus desacertos sejam menos numerosos que meus acertos.” Este seu alerta me levou a ler o livro quase de uma só assentada. E fui encontrando mais acertos do que desacertos colocados sem nenhuma vaidade, de forma tão espontânea e de maneira agradabilíssima. Começa-se a leitura e não quer mais interrompê-la.

          Suas memórias implicam um à vontade na reestruturação dos acontecimentos e a inclusão de pessoas com as quais entrou em contato, desde sua vida de criança e, no decorrer do tempo, até a sua vida de “bispo missionário itinerante” na Diocese de Paracatu, durante mais de um quarto de século. Muito realizou. A Diocese virou outra durante a sua profícua administração, tanto espiritual como materialmente falando.

          Já dizia Buffon que o estilo é o homem. Uma verdade. Neste livro encontra-se a personalidade marcante e forte de Dom Leonardo. Um homem que não tem acanhamento em apresentar a sua vida. Não há meio termos, nem autoelogios. É eletrizante como ele mesmo. As palavras correm soltas. Sua memória põe a nu os acontecimentos mais remotos de sua infância. Numa reunião familiar, quando seu pai pergunta aos filhos, reunidos, a começar da mais velha, Ninita, o que pretendiam ser quando crescessem. Ao chegar a sua vez, sem titubear:

          – Quando crescer… eu vou ser padre. Quando vocês estiveram para morrer, disse aos irmãos, eu vou rezar para que vocês entrem no céu.

          Realmente tornou-se “Padre… Padre… Sempre Padre”. Ordenado em 1959, foi vigário cooperador durante 03 anos nas paróquias de Sabinópolis e Guanhães e, posteriormente, pároco de Couto de Magalhães de Minas, por pouco mais de um ano; de São Sebastião do Maranhão, pelo período de 14 anos e, finalmente, de Guanhães, durante 6 anos, até ser eleito e ordenado bispo de Paracatu, em 1986.

          E nos seus acertos e desacertos ele vai alinhavando com muita graça e simplicidade a sua infância, sem se esquecer do interessante neologismo por ele criado: “Tuvaca! Tuvaquinha! Tuvacão!” Não vou dizer o seu significado, o leitor encontrará a explicação no próprio texto. E os fatos vão surgindo no decorrer da narração, quando também fala das características pessoais do irmão Olímpio.

          Há acontecimentos interessantíssimos que nos levam a rir, pelo humor ao serem narrados, como “…o filhinho do Monsenhor” e muitos outros. Impagável mesmo é a “Missa com pinga… e das boas!”. Também “O Fusquinha, flores e casamento”. Sabe de uma? O melhor é eu parar.  Que todos façam como eu, leia-o, do começo ao fim.

          Enriquecedoras também suas narrações. Como lhe foi difícil dizer o sim para o Papa ao aceitar ser bispo. Quanto sofrimento! Que sim benéfico para a Diocese de Paracatu e de todos os seus diocesanos. Como são hilárias as suas observações quanto à sua pequena estatura de apenas 1 metro e cinquenta e cinco. Ele rouba a cena quando João Paulo II, no primeiro encontro do Papa, na primeira Visita ad limina, dos 32 bispos do Regional Leste II, “num forte e carinhoso abraço, disse com sonora e firma voz de barítono: o mais menor dos bispos”. Claro, além dessa observação do Papa Santo, ele narra outras mais que aconteceram, no decorrer de sua vida, com humor e naturalidade.

          A sua vida de Bispo Diocesano e de Administrador Apostólico de Paracatu, durante 26 anos, alguns meses e dias, com altos e baixos, foi de indelével marca na Diocese Paracatuense. Nestes seus acertos e desacertos por ele registrados, vamos encontrar muito mais acertos. Ao entregar a Diocese a seu sucessor assegurou:

          “Seja-me permitida esta última função: entregar-lhe como uma dádiva do céu esta querida e amada diocese e desejar-lhe um fecundo e santo pastoreio, último dos acertos de meu ministério episcopal.”

          Como prova maior de amor a Paracatu, permaneceu morando na cidade. Recolheu-se à sua nova residência, no Alto do Córrego, donde, acredito, além de suas orações em favor da sua gente, estuda, escreve e, amorosamente, cuida de sua invejável horta.

          Estamos esperando, Dom Leonardo, novos acertos, entre eles, outro livro de leitura e ensinamentos tão gostosos e ricos como este Acertos e desacertos de um bispo missionário itinerante.

                                                                                      Patos de Minas, 13 de junho de 2015

(*)Antônio de Oliveira Mello é paracatuense, professor e escritor de mais de 50 livros, a maioria deles sobre Paracatu, Minas Gerais. 

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