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Arquivo Público Municipal: Uma jóia rara dos 219 anos de Paracatu

Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga em Paracatu – MG. Foto: Carlos Lima / 2017

Por: Carlos Lima (*)

 

O título de jóia rara, como sendo o que há de mais precioso num dado lugar, é primordialmente pertencente à população, que é protagonista de sua história e tece-a ao longo de muitos anos como a uma verdadeira “colcha de retalhos”, cujo resultado está bem conservado alí no Arquivo Público da sua cidade sob a forma de registros escritos, imagéticos e audiovisuais que retratam amplamente as atividades das civilizações.

A fundação do Arquivo Público de Paracatu é de 1994 e seu rico acervo, além de refletir muito bem os 219 anos da cidade, transcende esse período e sua geografia na medida em que  abrange manuscritos que datam deste 1723 sobre o velho Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu e os quais, denunciam um largo e cumprido território que fizera divisa com o Estado da Bahia e que fora composto por diversos distritos, hoje em sua maioria emancipados e com nova denominação.

Privilegiada por sua rica arquitetura colonial, seus saberes bem peculiares e suas manifestações culturais, o município engajou-se e considerou, em 1993 quando das tratativas iniciais, que seria estratégico implantar o Arquivo Público, não só como espaço de preservação da memória documental antes largada às intempéries dos porões úmidos e outros depósitos insalubres, mas como o órgão que delineasse a política municipal de gestão arquivística, e que possibilitasse à comunidade interessada o livre acesso as sua fontes de pesquisa.

Visitantes conhecem o Arquivo Público Municipal. Foto: Carlos Lima Out. 2015 Acervo do Arquivo Público de Paracatu

A Prefeitura de Paracatu, por meio da Fundação Municipal Casa de Cultura (gestora do Arquivo Público), inaugurava assim, aos 24 de junho de 1994, o Arquivo Público Municipal com farta documentação de relevância probatória e de tomada de decisão – que são suas finalidades primeiras! – e também para a fundamentação de pesquisas históricas e científicas empreendidas por estudantes acadêmicos de diferentes níveis de instrução.

Consta entre os registros recentes da instituição arquivística, um projeto de pesquisa sobre a trajetória dos libaneses em Paracatu, que vem sendo desenvolvido pelo Professor Mestre em história Alexandre de Oliveira Gama e com o auxílio de sua aluna Ingrid Rabelo Cruz, do curso de análise de sistemas em informação

Professor Alexandre Gama à esquerda, Amanda Michele e o pesquisador Eduardo Rocha em pesquisa nos documentos do Arquivo Público Municipal. Foto: Carlos Lima ago. 2015 Acervo do Arquivo Público de Paracatu

do Instituto Federal de Educação do Triângulo Mineiro (IFTM) campus Paracatu. Os estudos baseiam-se, entre outros, nos processos da Justiça Comum e no acervo de periódicos e terão como fruto principal a elaboração de uma tese de doutorado.

Outro trabalho de destaque, cujas pesquisas desenvolvem-se há quase 3 anos junto às fontes primárias do Arquivo Público Municipal, é a alimentação do site A Raposa da Chapada a partir de conteúdo genealógico sobre os troncos familiares de Paracatu, levantamento este empreendido com labor pelos pesquisadores Eduardo Rocha, José Aluísio Botelho e Mauro Neiva utilizando-se de manuscritos eclesiásticos e judiciários.

Embora a instituição tenha primado por sempre franquear o acesso às informações de que dispõe em seu acervo, o horizonte apresenta-se com grandes desafios para atender à demanda de um público cada vez mais familiarizado e dependente de modernas tecnologias de acesso remoto, como smartphones e similares, que sem dúvida, vão exigir da administração municipal investimentos em projetos de digitalização do acervo e sua conseqüente virtualização por meio da Internet, com emprego de ferramentas que garantam a segurança e a confiabilidade dos dados.

Pesquisadores Eduardo Rocha (genealogista) e Terezinhas de Jesus (historiadora) em seus trabalhos no acervo. Foto Carlos Lima: Nov. 2015. Acervo do Arquivo Público de Paracatu MG

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

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A Falta d’água em Paracatu e o exercício da cidadania

Por: Carlos Lima (*)

Abastecimento por meio de caminhão Pipa no Bairro JK em Paracatu. Foto: Movimento Mais Paracatu – 20/09/2017. Acervo do Arquivo Público Municipal

Paracatu-MG (29/09/2017) – Se por um lado a escassez hídrica por que passa o município de Paracatu vem afetando severamente o dia-à-dia de toda a sua população, por outro, tal sofrimento tem suscitado uma grande lição que jamais alguém conseguirá promover com tanta eficácia: A população está aprendendo a fiscalizar mais e a reclamar de quem anda desperdiçando água.

Com o contingenciamento hídrico que vem sendo operacionalizado há quase 1 mês pela COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e a inexistência de um reservatório capaz de suprir a demanda em meio ao caos que se instalou na cidade, decorrente do longo período de estiagem na região, nota-se que a percepção quanto à importância do consumo consciente da água começa a mudar consideravelmente em Paracatu.

Ponto de Captação de Água no Ribeirão Santa Izabel em Paracatu. Foto: Movimento Mais Paracatu – 16/08/2017 – Acervo do Arquivo Público Municipal

Diante do trágico espetáculo em que figuram como crucificada a COPASA, que deveria ter se precavido e evitado que a água chegasse ao “fundo do poço”, por assim o dizer, e como crucificadores, aqueles cuja outorga popular lhes é dada para fiscalizar, mas que em momento oportuno fizeram vistas grossas para o risco iminente e deixaram “a vaca ir de vez para o brejo”,   assiste-se  a um incipiente, porém relevante “big-brother social”  cuja participação coletiva tem levado para a mídia a indignação e o repúdio ao desperdício que ainda se vê por aí.

E não é só isso que se constata: A população tem revelado sua grande nobreza na medida em que começa a tomar para si parte desta culpa pela crise do desabastecimento de água e como tal, utiliza as redes sociais, a TV e o Rádio como portadores de sua autocrítica e de suas reclamações. Não raro, vídeos de pessoas que utilizam a mangueira para lavarem o carro, a calçada, a parede e até mesmo o asfalto em frente a suas residências e estabelecimentos comerciais, tem sido gravados e publicados na mídia, de forma a revelar não só a insatisfação, mas principalmente o exercício da cidadania.

2017 vai ficando assim marcado como o ano em que se viu a água secar por tudo quanto é lado. A cena do caminhão pipa abastecendo os galões – coisa que não se via há muito tempo – vai ficar na memória de muito gente. Ou quem sabe: o desabafo do comerciante (não estou autorizado a citar seu nome!) que, sem água para seu trabalho, informou que não forneceria refeições naquele 4º sábado de setembro. Enfim, restou-se  de tudo isso um enorme aprendizado social, de que o desperdício de água não pode ser a regra, como se testemunhou até então, mas na melhor das hipóteses, tão somente e no máximo, uma indesejável exceção.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite a fonte e o acervo a que pertencem

Paracatu pede socorro: Estamos sem água!

Por: Carlos Lima (*)

Rio Paracatu assoreado e quase seco. Foto: Movimento Mais Paracatu / Ago. 2017

Paracatu-MG  – 20/09/2017 – Chuvas escassas, aumento do consumo de água e o desmatamento crescente estão entre as principais causas para o quadro alarmante do desabastecimento hídrico em Paracatu, cidade do Noroeste mineiro que possui aproximadamente 90.000 habitantes e que é privilegiada por sua rica malha hidrográfica, embora esta venha sofrendo as duras conseqüências da estiagem e do uso predatório de suas águas.

Razoável é afirmar que nestes últimos cinco anos a população local jamais tenha vivenciado um racionamento de água tão intenso quanto o que vem sendo praticado pela Companhia responsável pelo tratamento e distribuição desse recurso (COPASA), neste segundo semestre de 2017. Até um escalonamento por bairro e dia (ver imagem abaixo) para a restrição do fornecimento de água foi implantado e divulgado na imprensa e redes sociais pela COPASA, para evitar o colapso no sistema de abastecimento local.

Enquanto cidadãos e cidadãs testemunham a água minguar por tudo quanto é lado e usam da criatividade que lhes é bem característica para não passar sede, as autoridades responsáveis pelo problema se vêem num longo jogo de empurra-empurra e tardam a anunciar uma solução plausível e eficaz para a crise no setor hídrico do município.

Fato inquestionável é que a demanda por água aumentou sobremaneira nos últimos anos, especialmente porque não só a atividade mineraria expandiu seu parque industrial, mas também outros grandes empreendimentos, como os setores sucroalcooleiro e agropecuário, que tem forte emprego do recurso em voga para a sua produção.

Parte do mapa do racionamento praticado pela COPASA no município de Paracatu. Fonte: Movimento Mais Paracatu / Ago. 2017

E soma-se a tudo isso, o alto consumo no meio urbano, que mesmo em meio à tenebrosa situação, contraditoriamente, é marcada pelo desperdício, posto que é corriqueiro flagrar pessoas lavando veículos, calçadas, paredes e pasmem, até o asfalto da porta de suas residências e estabelecimentos comerciais. Multa para coibir esse desrespeito não é uma idéia muita aceita pelas lideranças políticas locais, afinal, todo cuidado é pouco quando o assunto sugere o risco de perda de eleitorado.

Depreende-se dessa problemática que a população terá de repensar o uso desse bem natural que tem se tornado cada vez mais escasso ao longo dos anos e que não se poderá mais contar apenas com as reservas hidrográficas para garantir a subsistência humana e a produção local, mas será indispensável o planejamento e a construção de grandes barragens para armazenar e suprir a demanda por água em Paracatu.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite a fonte e o acervo a que pertencem

Memória produzida e reunida pelo escritor paracatuense Oliveira Mello é o destaque da quinta e última reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (06/01/2017) – A quinta reportagem da série especial Traços de Paracatu traz as informações sobre o Acervo Iconográfico, Documental e Bibliográfico de Paracatu, com destaque para itens de ampla consulta por parte da população, como fotografias, periódicos, livros e vídeos sobre o município.

Na gravação da matéria, produzida com grande labor pelos repórteres João Paulo Marques e Ailton Albernaz, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, destaca-se o conjunto da produção literária e documental do escritor paracatuense Antônio de Oliveira Mello, de 80 anos, cujo acervo fora adquirido pela municipalidade em outubro de 2015 e que passou desde sua inauguração, em novembro daquele ano, a estar completamente acessível à comunidade interessada.

Visitas e consultas ao Arquivo Público Municipal, podem ser feitas na Rua Temístocles Rocha, nº 249, Núcleo Histórico de Paracatu (Próximo à antiga Delegacia Civil).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

Paracatu ganha amplo supermercado no estilo atacado e varejo

Rede atacado-varejista chega a Paracatu gerando pelo menos 100 empregos diretos e indiretos

Por: Carlos Lima (*)

Público numeroso durante a inauguração do Mart Minas Atacado e Varejo em Paracatu. Foto: Kausline / Out. 2016

Público numeroso durante a inauguração do Mart Minas Atacado e Varejo em Paracatu. Foto: Kausline / Out. 2016

Paracatu-MG (28/10/2016) – Houve quem disputasse até mesmo um carrinho para fazer suas compras durante a aguardada inauguração da rede mineira de supermercados Mart Minas, nesta quinta-feira (27), na cidade histórica e turística do Noroeste mineiro.

O estabelecimento comercial segue uma forte tendência no ramo supermercadista que é o formato atacado e varejo, com opção de preços e volumes que atendem satisfatoriamente a público diverso, como donas de casa, restaurantes, hotéis, padarias, lanchonetes e mercearias, que buscam variedade e economia em suas compras.

Com sua trajetória iniciada no ano de 2001 na cidade de Divinópolis, no Oeste de Minas Gerais, a rede atacado-varejista chega a Paracatu gerando pelo menos 100 empregos diretos e indiretos, além contribuir com o fortalecimento da indústria e empresariado locais, cuja produção também passa a ser absorvida pelo atacadista.

O Mart Minas Atacado e Varejo oferece à comunidade local e regional acessibilidade, extensa área de compras, além de moderno e amplo estacionamento privativo e coberto, em localização estratégica às margens da Rodovia BR-040, na Avenida Brasília, Bairro Amoreiras II, em Paracatu.

Outras imagens da inauguração:

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(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo a que pertencem.

Crimes de incesto e estupro no ano de 1780 contra a mulher são os destaques da quarta reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (09/09/2016) – A quarta reportagem da série especial Traços de Paracatu traz as informações sobre o acervo de processos crimes – neste caso especificamente aqueles contra a vida – com base em documentos históricos disponíveis no Arquivo Público de Paracatu, especialmente no Fundo Tribunal Eclesiástico, que compreende documentação setecentista.

Na gravação da matéria, produzida com muito esmero pelos repórteres João Paulo Marques e Ailton Albernaz, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, destacam-se os crimes de incesto e estupro praticados contra duas mulheres de prenome Paulina e Brizida por um primo de prenome Pedro, no ano de 1780 no Arraial de São Luis e Sant’Ana das Minas do Paracatu (atual município de Paracatu).

O manuscrito de nº 48, que registra esses crimes contra a mulher, é marcado pela escrita cursiva do século XVIII e pode ser consultado no Fundo Tribunal Eclesiástico, caixa 03, Maço 28, na sede do Arquivo Público Municipal, na Rua Temístocles Rocha, nº 249, Núcleo Histórico de Paracatu (Próximo à antiga Delegacia Civil).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

Manuscritos com até 290 anos de existência marcam a terceira reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (05/09/2016) – A terceira reportagem da série especial Traços de Paracatu traz os detalhes sobre o chamado Acervo Municipal do Arquivo Público de Paracatu, que é composto, dentre outros, por documentos raríssimos como os manuscritos do Tribunal Eclesiástico (Século XVIII), da Câmara Municipal (Séculos XIX e XX),  Irmandades Religiosas (Séculos XVIII ao XX, ), Tiro de Guerra (Século XX) e Prefeitura Municipal (Século XX).

Na gravação da matéria, produzida com muito esmero pelos repórteres João Paulo Marques e Daniel Santana, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, são mencionados acontecimentos e curiosidades como a existência do Tiro Guerra nº 90 em Paracatu (1946-1956), o registro das ruas e largos pioneiros do município (1811) e o cotidiano das atividades escolares no Povoado de Brejinho, Distrito de Unahy (1937).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

Acervo da Hemeroteca do Arquivo Público é o destaque da 2ª reportagem da série Traços de Paracatu, da TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (26/08/2016) – A segunda reportagem da série especial Traços de Paracatu traz os detalhes sobre a hemeroteca do Arquivo Público de Paracatu, que é formada por jornais e revistas que remetem principalmente ao final do século XIX e séculos XX E XXI.

Na gravação da matéria, produzida com muito esmero pelos repórteres João Paulo Marques e Daniel Santana, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, são mencionados acontecimentos e curiosidades como a tabela de preços do mercado local (alimentos e outros gêneros) em 1894, as eleições e a realização da 1ª Exposição Agropecuária e Industrial de Paracatu em outubro de 1962.

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

 

Série Especial Traços de Paracatu, da TV Minas Brasil, traz as preciosidades do acervo judiciário local

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (24/08/2016) – Reportagem produzida pelo repórter João Paulo Marques e o cinegrafista Daniel Santana da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, sobre os documentos disponíveis no fundo documental Poder Judiciário, da Comarca de Paracatu, custodiados pelo Arquivo Público Municipal, como processos de inventários, ações cíveis, divisões de terra e outros, que compreendem mais de 200 anos de atuação da Justiça Comum no Noroeste das Minas Gerais.

A Fundação Municipal Casa de Cultura e o Arquivo Público de Paracatu, através de sua diretoria e funcionários, agradecem à emissora de Paracatu, pela excelente produção jornalística sobre a memória documental do município e por sua exibição nos telejornais Jornal da Manhã (7h15), Jornal da Cidade (12h00) e MB News (7h00 e 20h30).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

22 anos do Arquivo Público Municipal: O guardião da memória paracatuense

Por: Carlos Lima (*)

Arquivo Público Municipal de Paracatu, na Rua Temístocles Rocha, nº 249 no Núcleo Histórico. Foto: Arquivista Carlos Lima/ 2008

Arquivo Público Municipal de Paracatu, na Rua Temístocles Rocha, nº 249 no Núcleo Histórico. Foto: Arquivista Carlos Lima/ 2008

Paracatu-MG(24/06/2016) – O combatido e reprovado termo arquivo morto bem que se aplicaria ao conjunto de manuscritos setecentistas resgatado em acelerado processo de deterioração nos porões da antiga Santa Casa de Misercórdia, na Rua Rio Grande do Sul, não fosse a iniciativa de um grupo de intelectuais em conjunto com o Poder Público municipal para promoverem a salvaguarda de tais documentos com a criação em 1994 do Arquivo Público e Histórico de Paracatu, no governo do então Prefeito Manoel Borges, que um ano depois publica o decreto 2.230/1995 consolidando de fato e de direito a criação do órgão.

Estado lastimável em que se encontravam os manuscritos do século XVIII resgatados do porão da antiga Santa Casa de Misericórdia em Paracatu. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu / 1992

Estado lastimável em que se encontravam os manuscritos do século XVIII resgatados do porão da antiga Santa Casa de Misericórdia em Paracatu. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu / 1992

Os trabalhos iniciais de organização e catalogação dos documentos de relevante valor histórico foram realizados pela equipe de servidores do Arquivo Público sob a orientação técnica de consultoria especializada em arquivologia, contratada pela municipalidade para garantir o sucesso de implantação do importante equipamento público destinado à preservação da memória de Paracatu.

Convênios com outros órgãos públicos e recebimento de doações de documentos com substancial interesse coletivo também foram concretizados pela Diretoria com o intuito de fortalecer o acervo sob sua custódia e facilitar o acesso do cidadão aos registros documentais. Marcam esse momento a doação feita pelo Sr. Curtis Bijos, em 1995, de 1125 fotos da primeira metade do século passado e a custódia de aproximadamente 25 mil processos da justiça comum da Comarca de Paracatu.

Acervo da Justiça Comum custodiado no Arquivo Público de Paracatu. Foto: Carlos Lima/2014/APMOMG

Acervo da Justiça Comum custodiado no Arquivo Público de Paracatu. Foto: Carlos Lima/2015/APMOMG

A definição de um patrono para a instituição também era um anseio da diretoria e veio a concretizar-se em junho de 1997, quando o então Prefeito Almir Paraca sanciona a Lei 2.156/1997, que passa a denominá-la como Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, em homenagem ao saudoso autor de Memória Histórica de Paracatu (1910), professor da Escola Normal, fotógrafo, empresário e coletor federal.

O prédio do sobradinho do Sant’Anna abrigara o Arquivo Público até o seu 13º aniversário, quando em 2007 e a convite da Fundação Municipal Casa de Cultura, prepostos do Arquivo Público Mineiro vem a Paracatu exclusivamente para vistoriar e emitir parecer técnico sobre as condições de conservação e preservação do acervo. Atendendo à recomendação dos especialistas de que era indispensável a transferência para um local maior e que oferece menos risco aos documentos, a mudança realizou-se em novembro daquele ano para o casarão de nº 249 da Rua Temístocles Rocha, também no Núcleo Histórico.

Ainda no ano de 2007, o município realiza concurso e abra vaga para o cargo de arquivista, com exigência de bacharelado em Arquivologia e a posse do candidato aprovado acontece naquele mesmo ano. O Arquivo Público de Paracatu passa a contar então com staff técnico para a gestão documental e o planejamento e execução das políticas de preservação, conservação e acesso à informação previstas em lei e exigidas pelo Conselho Nacional de Arquivos, o CONARQ.

Dentre as suas ações de maior relevância, citam-se a educação patrimonial e ambiental realizada por meio de visitas guiadas ao acervo associadas a palestras, o emprego de sistema de banco de dados desenvolvido na própria instituição para garantir o acesso eficiente às fontes de pesquisa, a manutenção do site institucional para estreitar a relação com a comunidade, a consecução do Projeto de Conservação e Restauro dos Documentos do Século XVIII (mencionados no início deste artigo) e a digitalização e indexação de imagens do século XX.

A servidora Márcia Mello restaurando inventários e testamentos do século XVIII no Arquivo Público de Paracatu. Foto: Acervo APMOMG / Abril 2016

A servidora Márcia Mello restaurando inventários e testamentos do século XVIII no Arquivo Público de Paracatu. Foto: Acervo APMOMG / Abril 2016

Outra relevante conquista do Arquivo Público e da Fundação Municipal Casa de Cultura (sua gestora), deu-se com a recente aquisição (outubro de 2015) do acervo iconográfico, documental e bibliográfico do escritor de Paracatu, Antônio de Oliveira Mello, cujo investimento foi da ordem de R$ 65.000,00 com impostos inclusos e que trouxe para o município vasto repositório de informações sobre a cidade e que frequentemente tem servido à comunidade interessada em seus estudos e pequisas.

Dados estatísticos extraídos a partir dos registros de atendimento no Arquivo Público Municipal , entre o período 2011 a 2015, apontam para um média anual de cerca de 230 pesquisas efetuadas por terceiros junto à instituição, com finalidade relativamente variada entre fins acadêmicos e escolares, estudos genealógicos, comprovação e reclamação de direitos e posse de bens e outros. Somam-se a isso, algumas dezenas de atendimentos com a prestação de informações úteis para a tomada de decisão e fins probatórios junto à própria Prefeitura e a órgãos conveniados, como o Fórum local.

Para um futuro bem próximo, são metas que circulam nas artérias do “guardião” da memória documental do Noroeste Mineiro, a digitalização e disponibilização de pelo menos parte significativa de seu acervo na Internet, para acesso do grande público e maior transparência das informações sob custódia institucional, além do fortalecimento da equipe de servidores públicos.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo a que pertencem.

Alunos da Escola Estadual Delano Brochado presentes durante a inauguração do Acervo adquirido do Historiador Antônio de Oliveira Mello. Nov. 2015 /Foto: Carlos Lima / Acervo do Arquivo Público de Paracatu

Alunos da Escola Estadual Delano Brochado presentes durante a inauguração do Acervo adquirido do Historiador Antônio de Oliveira Mello. Nov. 2015 /Foto: Carlos Lima / Acervo do Arquivo Público de Paracatu

Códices e Manuscritos do Século XVIII no porão da Santa Casa em 1992. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu.

Códices e Manuscritos do Século XVIII no porão da Santa Casa em 1992. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu.