Arquivos de Tag: Antônio de Oliveira Mello

Memória produzida e reunida pelo escritor paracatuense Oliveira Mello é o destaque da quinta e última reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (06/01/2017) – A quinta reportagem da série especial Traços de Paracatu traz as informações sobre o Acervo Iconográfico, Documental e Bibliográfico de Paracatu, com destaque para itens de ampla consulta por parte da população, como fotografias, periódicos, livros e vídeos sobre o município.

Na gravação da matéria, produzida com grande labor pelos repórteres João Paulo Marques e Ailton Albernaz, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, destaca-se o conjunto da produção literária e documental do escritor paracatuense Antônio de Oliveira Mello, de 80 anos, cujo acervo fora adquirido pela municipalidade em outubro de 2015 e que passou desde sua inauguração, em novembro daquele ano, a estar completamente acessível à comunidade interessada.

Visitas e consultas ao Arquivo Público Municipal, podem ser feitas na Rua Temístocles Rocha, nº 249, Núcleo Histórico de Paracatu (Próximo à antiga Delegacia Civil).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

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Acervo Escritor Oliveira Mello: Um presente histórico e cultural para o povo de Paracatu

Por: Carlos Lima (*)

Acervo bibliográfico, iconográfico e documental do Fundo Oliveira Mello, adquirido pela Prefeitura Municipal de Paracatu em Outubro de 2015. Foto: Carlos Lima /Nov. 2015. Acervo Arquivo Púbico de Paracatu

Acervo bibliográfico, iconográfico e documental do Fundo Oliveira Mello, adquirido pela Prefeitura Municipal de Paracatu em Outubro de 2015. Foto: Carlos Lima /Nov. 2015. Acervo Arquivo Púbico de Paracatu

Paracatu-MG (24/11/2015) – Um investimento na prospecção da memória e da cultura do povo do Noroeste das Minas Gerais deu-se com a aquisição do precioso acervo bibliográfico, iconográfico e documental do Professor e Escritor paracatuense Antônio de Oliveira Mello, de 78 anos de idade.

Fruto de um extenso e minucioso trabalho de recolhimento e análise de diferentes tipos de documentos, Oliveira Mello, como é mais conhecido, reuniu ao longo dos seus mais de 50 anos de produção literária (seu primeiro livro foi Paracatu Perante a História, publicado em 1960), dezenas de milhares de títulos e registros que formariam, sob a ótica arquivística, uma verdadeira e bem costurada colcha de retalhos sobre o passado e o presente de Paracatu e região. Sim! O escritor retrata em seus textos, alguns deles abundantemente ilustrados com fotografias, as transformações sofridas por estes sertões.

As fontes de pesquisa, brava e reconhecidamente adquiridas pela municipalidade de Paracatu pela cifra de 59 mil reais, já com impostos, são de uma relevância imensurável para subsidiarem os estudos e pesquisas empreendidos pelo público frequentador do Arquivo Público Olímpio Michael Gonzaga, órgão que passou a custodiar oficialmente, desde ontem (23), a massa documental e bibliográfica em questão.

O escritor Oliveira Mello ao lado do arquivista Carlos Lima em visita ao Arquivo Público de Paracatu. Out. 2015. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu

O escritor Oliveira Mello ao lado do arquivista Carlos Lima em visita ao Arquivo Público de Paracatu. Out. 2015. Foto: Acervo do Arquivo Público de Paracatu

Entre os itens disponíveis para a consulta, estão fotografias dos séculos XX e XXI, jornais desde o ano de 1895, 17 caixas com correspondências, rascunhos e outros documentos, a coleção completa dos livros do próprio transmitente do acervo (54 publicações), outros que se referem à cidade de Paracatu, periódicos sobre a trajetória do Ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal e também filho desta terra, Joaquim Barbosa e livros de outros autores paracatuenses.

O acervo do Professor e escritor Oliveira Mello já fora, há alguns anos, objeto de interesse de uma das faculdades particulares da cidade, entretanto sem que houvesse de fato uma negociação concreta quanto à aquisição. Por parte da Prefeitura de Paracatu as tratativas para compra do acervo iniciaram em junho de 2014 e somente foram concluídas com êxito em outubro deste ano, com o recebimento do acervo na cidade vizinha de Patos de Minas, onde reside o transmitente.

Inauguração

Inauguração do Acervo Fundo Oliveira Mello. Presidente da Câmara João Arcanjo, Secretário de Cultura Isac Arruda e a Presidente da Casa de Cultura Graciele Mendes abrem oficialmente a sala do novo acervo. Foto: Carlos Lima / Nov. 2015 Acervo Arquivo Púbico de Paracatu

Inauguração do Acervo Fundo Oliveira Mello. Presidente da Câmara João Arcanjo, Secretário de Cultura Isac Arruda e a Presidente da Casa de Cultura Graciele Mendes abrem oficialmente a sala do novo acervo. Foto: Carlos Lima / Nov. 2015 Acervo Arquivo Púbico de Paracatu

O evento de inauguração da sala destinada a abrigar o acervo do Escritor Oliveira Mello, foi promovido pela Fundação Municipal Casa de Cultura, órgão gestor do Arquivo Público, e aconteceu na manhã desta segunda-feira (23), de forma que contou com amplo público, com a participação da Diretora da respectiva Fundação, Graciele Mendes de Souza, do Secretário Municipal de Cultura, Isac Costa Arruda, do Presidente da Câmara Municipal de Paracatu, João Arcanjo (Joãozinho Chapuleta), do Vereador Professor Hamilton, também acompanhado de seus alunos da Escola Estadual Delano Brochado, além da imprensa local e visitantes.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo a que pertencem.

Outras imagens:

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Serviço:

Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga

Rua Temístocles Rocha – 249 – Núcleo Histórico – Próximo à Delegacia Civil – Paracatu-MG

Horário de Funcionamento: 8h00  às 12h00  e das 14h00 às 18h00

Tel.: (38)3671-5236

BENVINDOS ACERTOS E DESACERTOS DE DOM LEONARDO

Por: Oliveira Mello (*)

Acertos_&_desacertos_livro_de_Dom_Leonardo_de_Miranda_Pereira

       Trazido pelas mãos carinhosas de Coraci Neiva, foi um acerto ler este “Acertos e desacertos de um bispo missionário itinerante”, bispo emérito de Paracatu, D. Leonardo de Miranda Pereira. Comecei pensando: o que estaria registrado neste livro de 264 páginas? Que tipos de acertos e quais são os seus desacertos? Ele mesmo nos alerta: “Espero de quem ler essas memórias que não interprete como um inicial “desacerto” o título proposto. De uma coisa estou certo: creio que já é um grande acerto contar sempre com algum desacerto. Por isso, você também, leitor e leitora amigos, façam isso por mim: peçam a Deus “que eu erre menos e acerte mais” ou que meus desacertos sejam menos numerosos que meus acertos.” Este seu alerta me levou a ler o livro quase de uma só assentada. E fui encontrando mais acertos do que desacertos colocados sem nenhuma vaidade, de forma tão espontânea e de maneira agradabilíssima. Começa-se a leitura e não quer mais interrompê-la.

          Suas memórias implicam um à vontade na reestruturação dos acontecimentos e a inclusão de pessoas com as quais entrou em contato, desde sua vida de criança e, no decorrer do tempo, até a sua vida de “bispo missionário itinerante” na Diocese de Paracatu, durante mais de um quarto de século. Muito realizou. A Diocese virou outra durante a sua profícua administração, tanto espiritual como materialmente falando.

          Já dizia Buffon que o estilo é o homem. Uma verdade. Neste livro encontra-se a personalidade marcante e forte de Dom Leonardo. Um homem que não tem acanhamento em apresentar a sua vida. Não há meio termos, nem autoelogios. É eletrizante como ele mesmo. As palavras correm soltas. Sua memória põe a nu os acontecimentos mais remotos de sua infância. Numa reunião familiar, quando seu pai pergunta aos filhos, reunidos, a começar da mais velha, Ninita, o que pretendiam ser quando crescessem. Ao chegar a sua vez, sem titubear:

          – Quando crescer… eu vou ser padre. Quando vocês estiveram para morrer, disse aos irmãos, eu vou rezar para que vocês entrem no céu.

          Realmente tornou-se “Padre… Padre… Sempre Padre”. Ordenado em 1959, foi vigário cooperador durante 03 anos nas paróquias de Sabinópolis e Guanhães e, posteriormente, pároco de Couto de Magalhães de Minas, por pouco mais de um ano; de São Sebastião do Maranhão, pelo período de 14 anos e, finalmente, de Guanhães, durante 6 anos, até ser eleito e ordenado bispo de Paracatu, em 1986.

          E nos seus acertos e desacertos ele vai alinhavando com muita graça e simplicidade a sua infância, sem se esquecer do interessante neologismo por ele criado: “Tuvaca! Tuvaquinha! Tuvacão!” Não vou dizer o seu significado, o leitor encontrará a explicação no próprio texto. E os fatos vão surgindo no decorrer da narração, quando também fala das características pessoais do irmão Olímpio.

          Há acontecimentos interessantíssimos que nos levam a rir, pelo humor ao serem narrados, como “…o filhinho do Monsenhor” e muitos outros. Impagável mesmo é a “Missa com pinga… e das boas!”. Também “O Fusquinha, flores e casamento”. Sabe de uma? O melhor é eu parar.  Que todos façam como eu, leia-o, do começo ao fim.

          Enriquecedoras também suas narrações. Como lhe foi difícil dizer o sim para o Papa ao aceitar ser bispo. Quanto sofrimento! Que sim benéfico para a Diocese de Paracatu e de todos os seus diocesanos. Como são hilárias as suas observações quanto à sua pequena estatura de apenas 1 metro e cinquenta e cinco. Ele rouba a cena quando João Paulo II, no primeiro encontro do Papa, na primeira Visita ad limina, dos 32 bispos do Regional Leste II, “num forte e carinhoso abraço, disse com sonora e firma voz de barítono: o mais menor dos bispos”. Claro, além dessa observação do Papa Santo, ele narra outras mais que aconteceram, no decorrer de sua vida, com humor e naturalidade.

          A sua vida de Bispo Diocesano e de Administrador Apostólico de Paracatu, durante 26 anos, alguns meses e dias, com altos e baixos, foi de indelével marca na Diocese Paracatuense. Nestes seus acertos e desacertos por ele registrados, vamos encontrar muito mais acertos. Ao entregar a Diocese a seu sucessor assegurou:

          “Seja-me permitida esta última função: entregar-lhe como uma dádiva do céu esta querida e amada diocese e desejar-lhe um fecundo e santo pastoreio, último dos acertos de meu ministério episcopal.”

          Como prova maior de amor a Paracatu, permaneceu morando na cidade. Recolheu-se à sua nova residência, no Alto do Córrego, donde, acredito, além de suas orações em favor da sua gente, estuda, escreve e, amorosamente, cuida de sua invejável horta.

          Estamos esperando, Dom Leonardo, novos acertos, entre eles, outro livro de leitura e ensinamentos tão gostosos e ricos como este Acertos e desacertos de um bispo missionário itinerante.

                                                                                      Patos de Minas, 13 de junho de 2015

(*)Antônio de Oliveira Mello é paracatuense, professor e escritor de mais de 50 livros, a maioria deles sobre Paracatu, Minas Gerais.