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Memória produzida e reunida pelo escritor paracatuense Oliveira Mello é o destaque da quinta e última reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (06/01/2017) – A quinta reportagem da série especial Traços de Paracatu traz as informações sobre o Acervo Iconográfico, Documental e Bibliográfico de Paracatu, com destaque para itens de ampla consulta por parte da população, como fotografias, periódicos, livros e vídeos sobre o município.

Na gravação da matéria, produzida com grande labor pelos repórteres João Paulo Marques e Ailton Albernaz, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, destaca-se o conjunto da produção literária e documental do escritor paracatuense Antônio de Oliveira Mello, de 80 anos, cujo acervo fora adquirido pela municipalidade em outubro de 2015 e que passou desde sua inauguração, em novembro daquele ano, a estar completamente acessível à comunidade interessada.

Visitas e consultas ao Arquivo Público Municipal, podem ser feitas na Rua Temístocles Rocha, nº 249, Núcleo Histórico de Paracatu (Próximo à antiga Delegacia Civil).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/

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Paracatu completa 217 anos e problemas como violência, trânsito ruim e caos da saúde pública encabeçam a lista de reclamações dos munícipes

Estas e outras manchetes no seu Jornal O Movimento Edição 483 de Novembro de 2015, o seu jornal necessário

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Fonte: Jornal O Movimento / Novembro 2015

Paracatu de outrora X Paracatu de hoje

Jovens da sociedade paracatuense em piquenique na Pria do Vigário em Paracatu. Foto do Acervo da Academia de Letras do Noroeste de Minas [19--?]

Jovens da sociedade paracatuense em momento tranquilo durante um piquenique na Praia do Vigário em Paracatu. Foto do Acervo da Academia de Letras do Noroeste de Minas [19–?]

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu (MG) – 22/11/2013 – Há trinta anos, o escritor Antônio de Oliveira Mello traduziria, com emoção e muita propriedade do uso das palavras, seus sentimentos e suas lembranças do tempo de menino através do poema “Éramos a Paracatu…”, cuja publicação fora feita no seu livro Memória de um Tempo (Academia de Letras do Noroeste de Minas, 1999). Também naquele mesmo texto, o escritor revelaria um futuro bem diferente para a sua cidade ao afirmar: “Hoje, somos outra Paracatu. Agitada, movimentada, procurada e revivida”.

O isolamento que por aqui reinara até meados do século XX, reforçado principalmente pelas distâncias com a capital mineira e com outros município limítrofes, além, é claro, de outros fatores como estradas ruins e travessias à balsa (Rio São Marcos e Rio Paracatu), faziam com que a cidade permanecesse até então bem pacata e fiel aos seus costumes e tradições.

Em 1960, com a inauguração da Rodovia Brasília-Belo Horizonte, a familiar BR-040, Paracatu torna-se uma importante rota de passagem de veículos e mercadorias, o que mais tarde resultaria não só no crescimento da cidade, mas também a impactaria socialmente, através e principalmente, da facilidade de penetração das drogas e o conseqüente e desenfreado aumento da criminalidade, fortemente relacionada com o tráfico de substâncias entorpecentes, defendem as autoridades policiais.

Ainda no nostálgico poema de 1983, Oliveira Mello escrevera: “Éramos a Paracatu dos toques do sino da cadeia, convocando o carcereiro para receber mais um hóspede àquela indesejável pensão”, lembrança esta que tanto e infelizmente contrapõe-se aos constantes estampidos de tiros e do soar das sirenes policiais que se ouvem no momento atual por toda a parte da cidade.

Homem assassinado dentro de igreja evangélica em Paracatu. Foto: Programa Ação Policial / Nov. 2013

Homem assassinado dentro de igreja evangélica em Paracatu. Foto: Programa Ação Policial / Nov. 2013

A violência não respeita sequer a fé das pessoas. Basta lembrar que no último sábado (16), durante um culto religioso em que participavam centenas de fiéis, na Igreja Catedral da Benção localizada no centro de Paracatu, um homem fora assassinado com nove tiros pelas costas e uma mulher, ferida por um tiro. Vive-se, destarte, a rotina do medo, da desconfiança de tudo e de todos e da impunidade em meio a um cenário marcado pela alarmante violência em uma cidade com apenas 85.000 habitantes.

Sim, o escritor Oliveira Mello na década de 80 estava correto e hoje todos são unânimes em concordar com ele quando afirmara “Éramos a Paracatu romântica das serestas debaixo das barrigudas floridas”. O cotidiano, no entanto, escancara a blindagem e a reclusão a que os cidadãos estão submetidos em suas residências por causa do medo de serem assaltados e agredidos. As serestas, por sua vez, quando não se resumem aos registros fotográficos e escritos, são realizadas de forma esporádica, mas em lugar fechado.

Lamentável mesmo é ter que aceitar que em um país que sobrecarrega os seus filhos com tantos e freqüentes impostos, o direito à segurança exista apenas na teoria e não na prática. E em Paracatu, os índices são preocupantes (cerca de 46 homicídios no decorrer do ano) e compõem o espetáculo da barbárie a que assiste – na maioria das vezes sem ter a quem recorrer – a população que outrora vivera isolada, porém tranqüila e a par apenas dos “acontecimentos íntimos da cidadezinha” (MELLO, 1983).

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista do Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite o fotógrafo e o acervo a que pertence.