A Cadeia de Paracatu nos registros da história

Imponente sobrado vocacionado à manutenção da ordem, localizou-se na Rua Direita (atual Joaquim Silva Pereira) até ser demolido entre 1920 e 1930.

Por: Carlos Lima (Arquivista)

Das entranhas de um imponente acervo dos séculos XVIII, XIX e XX, parte dele deteriorado em função das precárias condições de acomodação inicial no porão da extinta Santa Casa de Misericórdia (Casa de Caridade), torna-se possível rememorar a história da Cadeia Pública de Paracatu e sua dinâmica no contexto da sociedade.

A relevância dessas fontes constata-se, por exemplo, quando se acessa à documentação pertencente ao Fundo Tribunal Eclesiástico (o mais antigo, catalogado até então!) e depara-se com o manuscrito de nº 48, em sua folha 1, que registra uma denúncia de crime por incesto e estupro relacionado a duas irmãs e a um primo delas no ano de 1780, e tem-se uma menção ao estabelecimento prisional conforme se lê:

“neste Arraial de São Luiz e Santa Anna [sic] Minas de Paracatu Comarca da manga Bispado de Pernambuco em Cadeia Pública dellé onde eu Escrivão ao diante nomeado fui vindo e sendo ahi [sic] prezas P. da S. e B. da S.  pela culpa que resultou de huma [sic] denúncia contra ellas tidas neste Juízo”.

O mesmo manuscrito, em sua folha 2 verso, relata ainda a seguinte sentença proferida pelo então Reverendíssimo Doutor Provisor e Vigário Geral Antonio Joaquim de Souza Correa e Mello, de modo que as rés passassem a cumprir pena em casa de terceiros como lê:

“condeno as res ditas a serem depositadas neste Arraial com segurança em casa de pessoas muito honestas casadas de boa fama, credito, e honra; e dali serão remetidas, quando se haja capturado seu com reo, com segurança hirão comprir o degredo de oito anos no Arraial de São Romão, em que as condeno, e mais em dez mil reis cada huma [sic]”.

Localizou-se no antigo Largo da Abadia (imediações da atual Praça Firmina Santana)

Um século mais tarde, aproximadamente, tem-se um curioso documento do Fundo Câmara denominado Diária Remetida aos Presos, cujo teor trata do repasse, dentre outros, da quantia de hum mil duzentos e quarenta réis recebida por Luiz Pereira Mundim (o carcereiro naquele ano de 1874) para ser “repartido” entre os internos. Tal verba era empregada, de acordo com mesmo documento, nos custeios com os presos, entre os quais o fornecimento de água. Em 1º de Janeiro daquele ano, a Cadeia Pública mantinha apenas 5 reclusos.

Outro manuscrito não menos importante do mesmo fundo, relaciona o movimento de entrada e saída de presos de 1876 a 1877. No comprometido registro histórico, encontram-se diversas pessoas, entre as quais alguns escravos recolhidos à prisão por cometimento de fuga ou de roubo na cidade. Um desses era o escravo de nome Fortunato, que segundo o referido documento fora trazido “dos couros” até a prisão para ser entregue posteriormente ao seu senhor Domingos Lourenço, da cidade de Araxá. Esse mesmo escrito reporta ainda o recolhimento à Cadeia Pública, do soldado Francisco M., devido ao “roubo de aderessez [sic] de ouro de Illizia”.

Mais um documento relacionado às despesas com a manutenção da Cadeia Pública, datado de 1878, registra os valores empregados com a aquisição de materiais e a execução de diversos serviços, a exemplo da compra de azeite para acendimento dos lampiões, velas e limpeza da sala do júri (Casa de Câmara e Cadeia), conforme assina o carcereiro Florêncio Pereira da Silva.  

Registro traz informações sobre os presos e o sustento.

Os registros antigos trazem ainda outras informações sobre o cotidiano dos reclusos, como comprova o “Mapa de sustento fornecido aos presos pobres recolhidos à cadeia”, um documento datado de maio de 1942 e assinado pelo Delegado Especial Pedro Rocha Oliveira, que menciona, dentre outros, a tipologia criminal,  o custo (diária) e período completo de fornecimento da alimentação.

A documentação concernente à Cadeia Pública de Paracatu, que se encontra preservada no Arquivo Público Municipal, tem papel fundamental no estudo e na compreensão do pretérito prisional da cidade, sem contar nos fatores sociais e culturais que se podem inferir por meio da análise do contexto dessas fontes.  

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências

PARACATU. TRIBUNAL ECLESIÁSTICO. Processo criminal por incesto e estupro. 1780, 6fls.

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Diária Remetida aos Presos. Paracatu: 1874. 1 Códice.

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro movimento de entrada e saída de presos de 1877 a 1878. Paracatu: 1877-1878. 1 Códice.

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro das despesas com a manutenção da Cadeia Pública. Paracatu: 1878. 1 fl. PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Mapa de sustento fornecido aos presos pobres recolhidos à cadeia. 1942. 1fl.

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Traços da organização política e administrativa do município de Paracatu no século XIX

Por: Carlos Lima (Arquivista)

Com suas folhas em parte comprometidas pela ação de agentes nocivos ao suporte papel, o livro registro de cartas patentes, provisões e diplomas é um relevante manuscrito herdado do Brasil Império e que revela principalmente como se davam algumas das principais nomeações para cargos públicos e a validação do ofício eclesiástico e profissional no termo do município de Paracatu.

Dentre os documentos que se podem destacar, consta o da folha de número 45, registrado na Imperial Cidade de Ouro Preto aos 5 dias de maio de 1829, em que se lê “Patente porque Vossa Excelência há por bem fazer mercê de prover ao Alferes Manoel Carneiro da Rocha, no Posto de Capitão da Companhia das Ordenanças do Distrito de Arraial de Nossa Senhora do Amparo do Brejo do Salgado (atual município de Januária), Termo e Comarca da Villa do Paracatu do Príncipe”. Ainda referente a este provimento, à folha 44, ressalta-se que para o posto ocupado “Não vencerá soldo algum, mas gozará de todas as honras, graças, privilégios, liberdade, izençõens [sic] e franquezas”.

Outra provisão encontra-se datada de 21 de abril de 1831, passada à folha 64, ao Sr. Joaquim de Mello Franco Bueno, para exercer o emprego de professor de cadeira de gramática latina na Villa do Paracatu do Príncipe. O ordenado a ser percebido pelo então servidor era de quatrocentos mil réis a serem pagos pela Fazenda Pública da Província de Minas Gerais.

Curioso também é um provimento para o cargo de escrivão dos direitos do ouro em pó na Comarca de Paracatu do Príncipe, conferida ao cidadão José D’Affonseca Silva e constante também no Registro de Provisões da Secretaria da Thesouraria [sic] da Fazenda de Ouro Preto, aos 28 de setembro de 1832. De acordo com RENGER (2006, p.98), o exercício dessa função era principalmente a de lavrar o termo de pagamento do quinto do ouro, de forma a constar, se fosse o caso, a informação “o ouro é levado em pó, por não haver ainda fundição nesta oficina”.  

Em 24 de março de 1841, atesta o laborioso documento do Fundo Câmara, o Sr. Tristão Antonio Dias Bicalho era nomeado Juiz Municipal do termo da cidade de Paracatu, com o registro de seu diploma pelo Doutor José Lopes da Silva Vianna, Presidente da Província de Minas Gerais à época.

Carta de colação e apresentação do Padre Miguel Archanjo Torres à Igreja Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Paracatu, datada de 1845.

O rico manuscrito traz também em sua folha de n° 90, aos 27 dias de setembro de 1845, o registro da carta de colação e apresentação do Padre Miguel Archanjo Torres à Igreja Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Paracatu, avalizada pelo Bispo Dom João da Purificação Marques Perdigão e por sua Majestade o Imperador Dom Pedro II, que no dito documento outorgavam-lhe poderes, inclusive, para dividir a dita Freguesia quando se fizesse necessário.

Outro fato interessante é a presença de súditos portugueses nestas cercanias particularmente em meados do século XIX, o que viria a justificar a nomeação do Sr. Ricardo Seraphim de Souza Porto para o cargo de Delegado do Consulado Geral no município de Paracatu por parte do Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro e através do seu Comendador, o Sr. José Duarte Nasarete, como se constata no respectivo registro do dia 2 de agosto de 1863.

O incomensurável códice com diferentes registros de patentes, provisões e documentos do século XIX, que exige um manuseio sobremaneira especial face a sua aparente delicadeza e real necessidade de preservação, possibilita ao pesquisador interessado um prazeroso mergulho em meio à história da organização política e administrativa do município de Paracatu e de seus distritos no período imperial.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro de Cartas Patentes, Provisões e outros documentos do Termo de Paracatu. Paracatu: 1829-1863. 1 códice. Disponível no Arquivo Público de Paracatu – MG

RENGER, Friedrich. O quinto do ouro no regime tributário nas Minas Gerais. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, v. 42, n. 2, p. 90-105, 2006.

A indústria na Paracatu da primeira metade do século passado

Por: Carlos Lima (*)

Assim resumira o escritor memorialista Olímpio Gonzaga (1910, p. 53) sobre a atividade industrial em Paracatu há pouco mais de 100 anos: “Infelizmente, talvez devido à carência de transporte com que lutam seus habitantes, a indústria agrícola vegeta no município, sem estímulo algum, seguindo méthodos [sic] antigos e rotineiros”, de forma a indicar a predominância, por aqui, de uma agroindústria bastante simples naquele período.  

Se por um lado faltavam recursos e infraestrutura para o desenvolvimento de fábricas mais robustas à época, por outro, o chamado imposto sobre indústria e profissões, deixou vasto acervo fiscal que viabiliza uma maior compreensão histórica sobre o abastecimento regional e a prática de comércio com outros municípios.

Parte do códice com registro de transporte de mercadorias produzidas em Paracatu

Preciosíssimo códice que relaciona as viagens por meio do vapor a partir do Porto Burity, no Rio Paracatu, até a cidade de Pirapora, registra em sua folha de número 1 verso, no dia 30 de outubro de 1924, a exportação de couros, assúcar [sic], manteiga e queijos por parte de Quintino Vargas e Cia e do Sr. Antônio Caetano de Souza, através da Empresa Navegação do Paracatu. Daqui também saíam xarque [sic], manona, algodão e arroz, conforme o mesmo manuscrito.

Entre os documentos que melhor retratam o passado da indústria local, está uma relação de contribuintes em atraso com seus pagamentos à Câmara Municipal de Paracatu, no ano de 1908, que denuncia a existência de pelo menos 45 engenhos de fabricação de rapaduras, açúcar e cachaça em tal circunstância, em diferentes localidades, como no Arraial de São Sebastião e Santa Rita.

A produção de laticínios, por sua vez, também consta da documentação conservada no fundo Câmara Municipal, parte integrante do Arquivo Público de Paracatu. O manuscrito denominado Lançamento do Imposto de Indústria e Profissões, datado de 1926 e pertencente a esse acervo, tributa o Sr. Francisco Alves de Souza e Silva em 76 mil réis quanto à fabricação de manteiga e criação de gado no lugar denominado Alegria.

Outra atividade que se pode destacar durante a primeira metade do século XX é a do cortume, cujo couro aqui produzido era em parte empregado na fabricação de calçados e selas para o consumo local, e em parte era vendido a atravessadores, que o exportavam para outras regiões. Constata-se, a partir de outras fontes, que essa atividade estabelecera-se mais tarde no lugar chamado Chapadinha, bairro de Paracatu.

A edição nº 1 do Paracatu-Jornal publicada em 06/09/1931 traz uma notícia bastante relevante para a população destes rincões do Noroeste de Minas Gerais: “Por esforços dos nossos conterrâneos, Srs. Maurício e Oscar Waschmuth, diligentes industriais em nosso meio, acaba de ser montada uma máquina destinada ao beneficiamento de arroz, nesta cidade”. Um grande sinal de progresso em um período marcado pela prevalência de manufaturas no setor produtivo local.


Levantamento estatístico sobre as atividades industriais em Paracatu no ano de 1947

Constata-se uma considerável evolução na indústria em Paracatu, especialmente quando observados dados da Agência Municipal de Estatística do ano de 1947, que dão conta da operação de centenas de fábricas de rapaduras, outras dezenas de produção de açúcar, aguardente, polvilho, farinha de mandioca e algumas unidades de olarias, sapatarias, ferrarias e marcenarias. Depreende-se que tal melhoria deu-se principalmente pela diversificação produtiva.

A indústria de Paracatu na primeira metade do século XX foi, portanto, marcada especialmente pela produção de rapadura, açúcar, cachaça e manteiga, que além de suprir a demanda local, também era exportada por meio dos rios Paracatu e São Francisco para diferentes destinos do país.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

BRASIL. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. AGÊNCIA MUNICIPAL DE ESTATÍSTICA. Estabelecimentos Industriais do Município Paracatu. 1947. 1fl.

GONZAGA, Olímpio M. Memória histórica de Paracatu. Uberaba: Typ. Jardim e Cia, 1910. 135p.

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Lançamento do Imposto de Indústria e Profissões. 1926, 1fl.

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro Empresa de Navegação do Paracatu.Paracatu: 1924. 1 códice

PARACATU. CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Relação de contribuintes em atraso com seus pagamentos à Câmara Municipal de Paracatu. 1908. 1fl.PARACATU-JORNAL. Paracatu, p. 2-2. 06 set. 1931.

Pioneiros do transporte coletivo no Noroeste de Minas Gerais

Por: Carlos Lima (*)

Foto nº 1236. Walter fazendo a travessia por balsa no Rio Paracatu.

O emprego do transporte à tração animal, a simplicidade das estradas de chão e sua integração com hidrovias e ferrovias na década de 1930 são incrementados com a implantação das primeiras linhas de ônibus que facilitariam sobremaneira o deslocamento de pessoas e mercadorias entre a região  Noroeste de Minas  e algumas das principais cidades do Estado.

Um anúncio veiculado no Jornal O Imparcial do dia 17/05/1936 em sua edição de nº 3 dá conta de que naquele ano o transporte por ônibus já era uma realidade por aqui, haja vista que a referida publicação traz os dias e horários de viagens entre Patos de Minas e Paracatu explorados pela empresa Teixeira e Souza, concessionária do serviço.

Valorosa documentação estatística de 1939 revela a existência de um modal para viabilizar o fluxo de passageiros e encomendas entre estes rincões e determinados centros urbanos.  Uma viagem para o Rio de Janeiro, por exemplo, partia-se de Paracatu por ônibus até Patos de Minas e desta até Catiara (Município de Serra do Salitre), de onde se embarcava de Trem pela Rede Mineira de Viação até Barra Mansa (RJ), a partir da qual seguia-se também por trilhos até a capital carioca por meio da Estação de Ferro Central do Brasil.

Documento exibe as vias e meios de transporte entre as cidades no documento referente ao ano de 1939.

Verifica-se, com o passar dos anos, que o transporte por ônibus ganhava cada vez mais a simpatia das pessoas na medida em que possibilitava uma maior mobilidade entre os municípios. Prova disso é que, em documento expedido pelo DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais) com data de 20/12/1946, concede-se ao Sr.  José Botelho de Miranda o direito de exploração da linha Coromandel a Paracatu via Porto da Barra, Chapadão e Guarda-Mór com percurso total de 194 Kms e passagens a Cr$ 100,00.

Um levantamento feito junto às concessões de transporte coletivo pelo DER-MG, no período 1946 a 1957 (LIMA, 2019), revela a existência de pelo menos 8 linhas de ônibus exploradas por diferentes empresas na ligação entre o Noroeste de Minas e o Alto Paranaíba. Fotos da primeira metade do século XX, de autoria do saudoso Professor Olímpio Gonzaga, por sua vez, ilustram perfeitamente as viagens feitas nas jardineiras (um avanço naquele tempo!), com as travessias à balsa no Rio Paracatu e os atoleiros nos períodos chuvosos.

Foto nº 1101. Jardineira da linha Paracatu a Unaí em 1956

Entre os destinos explorados, segundo os mesmos alvarás do DER-MG, chama à atenção aquele que ligava Paracatu ao marco divisório Minas Gerais-Goiás no lugar denominado Porto de Botelhos, a partir do qual a viagem até Cristalina teria continuidade, muito certamente, por meio de outra empresa ou meio de locomoção. Essa linha fora operada em 1954 pelo concessionário Cezário de Mello através do serviço em microônibus. Mais tarde, em 1957, a linha passaria a ser explorada pelo empresário Walter Silva Neiva.

A construção da BR-040 (então BR-7) em 1958, que cortara em cheio a então modesta Paracatu, trouxera sem dúvida um pujante corredor logístico que viera a fortalecer ainda mais o transporte rodoviário entre o Noroeste de Minas e outras regiões, e que impulsionara decisivamente a utilização dos ônibus para a locomoção interurbana por grande parte da população, concomitantemente com o surgimento de novos itinerários e empresas do ramo.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

O IMPARCIAL. Paracatu, p. 4-4.17 maio 1936.

MINAS GERAIS. DEPARTAMENTO GERAL DE ESTATÍSTICA. Estatística dos meios de transporte: Inquérito referente a 1939 Município Paracatu. 1940

MINAS GERAIS. DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DE MINAS GERAIS. Linha de ônibus Coromandel – Paracatu. 20/12/1946. 1fl.

LIMA, Carlos E. G. Linhas de ônibus em Paracatu entre 1946 e 1957. Levantamento feito em fevereiro de 2019 com base nos Alvarás de 1935-1964 existentes no Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

A TRIBUNA DE PARACATU. Paracatu, 15 mar. 1959.

Paracatuzinho: Passado e presente

Por: Carlos Lima (*)

Avenida Israel Pinheiro, cartão postal do Bairro Paracatuzinho. Foto: Arquivista Carlos Lima / Fev. 2019

Destacado do restante da cidade graças à existência dos Córregos Pobre e Rico, o Paracatuzinho, que outrora fora chamado de bairro proletário ou ainda de subúrbio, conserva hábitos tradicionais de sua comunidade, como reuniões familiares nas portas de casa e o velho futebolzinho de rua por parte da meninada, ao mesmo tempo em que desponta como endereço comercial promissor para empresários.

Documentos disponíveis no Arquivo Público Municipal sugerem que as primeiras casas do bairro teriam surgido às margens do Córrego Rico, notadamente onde se encontram as duas edificações de maior valor histórico da localidade, a saber, a sede da garagem da Prefeitura (antigo Matadouro Municipal) e a Chácara dos Padres (antiga Fazenda Papuda).

Em registro fotográfico de 1936, do Professor e escritor Olímpio Michael Gonzaga, é possível recordar o extinto Matadouro Municipal, que muito provavelmente fora o marco inicial daquele que mais tarde tornar-se-ia o mais populoso bairro da cidade. De acordo com um alvará de licença para construção de casa datado de 16/05/1955, folha 48v, e expedido pela municipalidade à Dona Maurícia Coelho Guimarães, ali também existira o chamado Largo do Matadouro.

Antigo Matadouro, agora Departamento de transporte (garagem)

Em escritura de compra e venda datada de 09/09/1955, assinada pelo então Prefeito Joaquim Adjuto Botelho, constata-se a venda de um terreno urbano de 190 m2, destacado do patrimônio municipal, ao Sr. Manoel Gonçalves Carvalho, pela cifra de Cr$ 285,00, na Rua Praiana no Paracatuzinho, localizada à margem direita do Córrego Rico. Verifica-se que a comercialização de lotes ocorrera inicialmente a partir dessa rua seguindo pela Praça do Bom Jesus e adjacências, conforme se pode inferir a partir da maioria dos documentos relacionados.

Uma incursão pelo livro Registro de Alvarás da Prefeitura comprova, por exemplo, que foram concedidas diversas licenças de postura naquela localidade, entre as quais, para a reconstrução de uma casa pertencente ao Sr. Francisco André em 26/09/1955, folha 66, na Av. Israel Pinheiro (Principal logradouro do Paracatuzinho), para a construção de uma casa na Rua da Evolução (antiga rua do Centro Espírita) à pedido do Sr. Arnaldo Antônio dos Santos, em 20/12/1956, folha 96, além de uma permissão para funcionamento de um açougue pertencente ao Sr. João Gonçalves dos Santos em 08/02/1957, folha 98, sem informação sobre o endereço exato no bairro.

Outro aspecto relevante sobre a formação do Paracatuzinho diz respeito à atividade imobiliária na cidade, conforme se pode verificar através dos classificados nos jornais. Em sua edição de nº 24, de 15/03/1959, o Jornal A Tribuna de Paracatu publicou em sua página 4 a oferta de lotes residenciais e industriais no referido bairro. O responsável pelas vendas era o agrimensor, Sr. Paulo Kleber Ulhôa, e o anúncio trouxera o seguinte apelo comercial: “Bairro de mais futuro e dentro de grande plano urbanístico”.

Nova pista de pouso no Paracatuzinho

A construção do Aeroporto Municipal, que atualmente tem nome de Pedro Rabelo de Souza, também merece destaque na história do bairro, haja vista que ocorrera no ano de 1953 graças ao idealismo dos Srs. Raul Neuschwander e Paulo Kleber, que com recursos próprios escolheram as terras mais altas do Paracatuzinho para o novo campo de pouso (até então, os vôos e decolagens aconteciam na pista do Aeroclube da Bela vista). Esse empreendimento, de certa forma, possibilitou o surgimento de novos logradouros e habitações nas suas proximidades.

Dados do Serviço Nacional de Recenseamento referentes ao ano de 1960, divulgados no jornal A Tribuna de Paracatu, de 30 de outubro daquele mesmo ano, dão conta de que o Paracatuzinho fora habitado por 1762 pessoas, perdendo apenas para a população do centro da cidade, com 5190 habitantes. O terceiro colocado em números demográficos era o bairro Amoreiras, com 1364 moradores.

Planilha obtida junto ao Departamento Municipal de Endemias, da Secretaria Municipal de Saúde, pertinente ao quantitativo de imóveis (piso térreo) do perímetro urbano no ano de 2018 indica que somente no Paracatuzinho (inclusive o Loteamento Aeroporto) existiam, até então, 5.369 edificações, de forma a superar até mesmo o centro de Paracatu, que já contabilizou 2.188 imóveis. Uma demonstração de considerável crescimento habitacional naquele bairro, se comparado a outros, como o Amoreiras, loteado quase que na mesma época e com cerca de 1303 edificações no período em que fora feito o levantamento.

Alguns costumam afirmar que o Paracatuzinho é “uma cidade dentro de Paracatu”. Do básico para se viver, tem-se de tudo um pouco por alí (Postos de Saúde, supermercados, faculdade (UAITEC), Farmácias, Casa Lotérica, Postos de Gasolina, Transporte Coletivo, etc) e, dado o ritmo de crescimento comercial e institucional que se verifica ano após ano, há uma grande tendência quanto à implantação de novos serviços para seus moradores. É bem verdade que o bairro merece muito mais, como uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas), um banco, uma área de lazer ampla e uma base policial, que garantiriam um maior bem estar social.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

CARVALHO, Luiz Gonzaga de. Molestia de chagas no Paracatusinho [sic]. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, p. 4-4. 28 nov. 1954

GONZAGA, Olímpio Michael. Matadouro Municipal. Paracatu: Autor, 1936. 1 slide, P&B, 18 cm X 12 cm. 1 foto.

IDEALISMO constrói campo de pouso. O Diário. Belo Horizonte, p. 27-27. 26 maio 1960.

MELLO, Antônio de Oliveira. Paracatu do tempo em tempo. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu, 2001. 152 p.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. . Escritura de Compra e Venda. Paracatu, 1955. 1 f.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Livro Registro de AlvarásParacatu, 1955-1957. 1 f.

PARACATU. SERVIÇO NACIONAL DE RECENSEAMENTO. . DADOS totais do recenseamento demográfico de 1960. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, p. 4-4. 30 out. 1960.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Secretaria Municipal de Saúde. Departamento Municipal de Endemias. Planilha de imóveis por bairro de Paracatu em 2018. Departamento Municipal de EndemiasParacatu, 2018. 1 f.A TRIBUNA DE PARACATU. Paracatu, 15 mar. 1959.

Acervo do Arquivo Público de Paracatu é tema de exposição na Casa de Cultura

Por: Carlos Lima (*)

Trampolim no Açude em Paracatu. [19–]. Foto 938 / Fundo: Oliveira Mello / Acervo Arquivo Público de Paracatu

Paracatu-MG (17/01/2019) – Um passeio pelos séculos XIX e XX através da memória documental do Noroeste de Minas é o que pretende a Exposição intitulada “Preciosidades do Arquivo Público de Paracatu”, em destaque no salão de exposições da Casa de Cultura.

Além de dezenas de manuscritos e impressos que rememoram a escravidão, a iluminação (à base de lampiões) e as práticas de comércio no século XIX, também é possível conhecer os feitos públicos, a dinâmica de transporte, os costumes e o lazer através de várias fotografias, mapas e outros itens do século XX, ampliados e expostos no local.

O rico conteúdo da mostra é parte fundamental do patrimônio histórico de Paracatu, e que revela o potencial cultural, científico e turístico preservado e acessível à população local e àqueles que visitam o município ou simplesmente estão de passagem por aqui.  

A exposição, que permanece até o dia 12 de fevereiro, possibilita aos apreciadores um curioso mergulho na história destes rincões das Minas Gerais por meio da assimilação de parte dos acervos do Arquivo Público de Paracatu e do Perfil Memórias de Paracatu no Facebook, este último administrado pelo artista plástico Ronaldo Rabelo.

Serviço: Fundação Municipal Casa de Cultura Rua do Ávila – S/Nº – Núcleo Histórico de Paracatu Tel.: (38)3671-4797 Visitação: Segunda à Sexta – 8h00 às 18h00 / Sábados, domingos e feriados: 9h00 às 15h00 Entrada franca  

(*) Carlos Lima é graduado emArquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado emOracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos ememória empresarial

O potencial hidroviário na Paracatu do século XX

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu-MG (14/12/2018) – Ao navegar pelos milhares de registros existentes no Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga em Paracatu, é possível rememorar momentos marcantes do desenvolvimento regional, como o fora no transporte hidroviário do Noroeste e Norte de Minas Gerais, notadamente na primeira metade do século XX.

Um códice (livro manuscrito) datado de 1924 e rubricado pelo Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal Luiz de Sant’Anna Júnior cita o contrato firmado entre a municipalidade e “os Srs. Vargas e Companhia Ltda” para exploração dos serviços de navegação do Porto Burity, no rio Paracatu, até a cidade de Pirapora, importante corredor logístico e ponto de conexão com outras localidades, dada a sua localização privilegiada às margens do Rio São Francisco.

Códice de registro da Empresa de Navegação do Paracatu em 1925. Fonte: Acervo do Arquivo Público Municipal de Paracatu – MG

O manuscrito classificado no Fundo Câmara Municipal é sem dúvida um fantástico registro das rotineiras viagens à vapor pelos rios Paracatu e São Francisco. Além de grande variedade de mercadorias, insumos e outros itens transportados, consta ainda o deslocamento de pessoas para diferentes destinos, inclusive alguns bem distantes, como Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, no Estado da Bahia.

De acordo com as anotações da viagem de nº 34 realizada em 30 de outubro de 1924 entre o Porto Burity (Rio Paracatu) e o Porto de Pirapora, por exemplo, são exportados couros, açúcar, manteiga e queijo a mando dos empresários Quintino Vargas e Antônio Caetano de Souza, o que também revela o potencial produtivo de Paracatu à época.

Já no dia 27 de março de 1925, conforme documentado, realiza-se a viagem de nº 9 do vapor Curvello, que transportara naquela ocasião mais de 10 toneladas e meia de carga com destino a Paracatu, em sua maioria tecidos, soda cáustica, combustíveis, móveis, louças e artigos de armarinho em geral. Entre os comerciantes endereçados estavam, o Professor e memorialista Olímpio Gonzaga e o empresário João Macedo.

Notável também é o manifesto de passageiros do dia 8 de abril de 1925, viagem de nº 10 do mesmo vapor, com destino a vários municípios na rota de Paracatu para Pirapora. São transportadas 23 pessoas, entre as quais o Dr. Henrique Itiberê [sic], os Srs. Anthero Santiago e Antônio Brochado e família. O valor da passagem até o destino final custava 900 réis, atesta o laborioso manuscrito. 


Vapor que operou a linha no Rio Paracatu pela Empresa de Navegação do Paracatu entre 1924 e 1925

O relevante livro que traz à memória o passado da Empresa de Navegação do Paracatu, (espécie de concessão pública), contabiliza, por fim, um total de 24 viagens contratuais realizadas no período de 23 de outubro de 1924 até 18 de dezembro de 1925 pelo vapor Curvello, que marcou sobremaneira a história da navegação e do comércio entre os municípios das bacias dos rios Paracatu e São Francisco naquele período.

 Referência

CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro Empresa de Navegação do Paracatu.Paracatu: 1924. 1 códice

. (*) Carlos Lima é graduado emArquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado emOracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos ememória empresarial.

O fascinante, sutil e inevitável mundo digital

Por: Carlos Lima (*)

Convergência dos dados de um suporte papel para o meio virtual. Foto/Reprodução: Carlos Lima/APMOMG

Paracatu-MG (20/11/2018) – A rapidez com que as informações circulam entre as pessoas,  graças ao advento de modernas plataformas digitais que se aliaram à enorme popularização dos aparelhos celulares, revelam parte crucial da convergência de grande variedade de tarefas e hábitos para um universo predominantemente virtual.

As eleições deste ano são um belo exemplo de que a interação social está se tornando  implacavelmente digital: A campanha ganhou vez e voz através das rede sociais, democratizou-se a disputa entre candidatos de diferentes representações parlamentares e o eleitor, agora protagonista desse campo cibernético, manifestou-se como bem quis acerca de suas aspirações para o futuro político e administrativo do país.

O setor financeiro, que hoje assiste o crescimento dos bancos digitais – que em nada lembram o formato tradicional com filas e uma burocracia que sempre maltrataram a clientela – agora tem pela frente a missão de lidar com as transações por criptomoedas (bitcoins), que a grosso modo definem-se como cifras digitais com seu valor específico, porém até o momento sem regulação por parte de órgãos competentes no Brasil.

A área educacional também teve dereinventar-se nesse cenário profundamente tecnológico, e para tanto, abraçou as TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) e formatou programas deaprendizado e desenvolvimento profissional através da educação à distância e demodernas plataformas capazes de garantir a produção e difusão de conhecimentopara diferentes pontos remotos do país. A sala de aula da modernidadetornou-se, portanto, um ambiente essencialmente lógico, agora disponível emaplicativos.

No âmbito do atendimento médico-hospitalar, a bola da vez é a implantação do prontuário eletrônico, sobretudo na rede pública de saúde, como forma de melhorar o diagnóstico do quadro clínico do paciente. Entretanto, o que mais se verifica na grande maioria dos municípios é a incapacidade, inclusive quanto à estrutura, de se por em prática essa importante ferramenta de gestão das informações do histórico daqueles que prestam e recebem tratamento médico.

A presença massiva de câmeras de segurança dentro e fora das residências e estabelecimentos vários, com capacidade inclusive de transmissão de imagens em tempo real pela Internet, traduz-se na parábola bíblica da candeia que afirma “[…] não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz” (LUCAS 8:17). Todo esse aparato tecnológico são ferramentas que geram representantes digitais da vida cotidiana e fundamentam muito bem as ações dos indivíduos para o bem e/ou para o mal.

É razoável, destarte, afirmar que a sociedade está sendo sutil e rapidamente “digitalizada” e que é indispensável repensar o papel da “máquina homem” em meio a essa dinâmica social virtualizada, especialmente como forma de auto-afirmação humana diante desse novo universo robotizado e estruturado em códigos e instruções geradores de inteligência artificial.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referência: Bíblia. Português. A Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1980. 192 p.

Paracatu aos 220 anos e seu perfil para o turismo sustentável

Por: Carlos Lima (*)

Casa de Cultura no Largo da Jaqueira em Paracatu. Fonte: Facebook Paracatu Eternamente Linda

 

Paracatu-MG (19/10/2018) – Conhecido e povoado em função da existência de ouro de aluvião no lado oeste das Minas Gerais, o antigo Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu despertou o interesse dos primeiros bandeirantes que aqui chegaram há pelo menos 400 anos, os quais abriram caminho para o surgimento da futura e pujante capital do Noroeste do Estado.

Hoje com aproximados 92.430 habitantes, conforme dados oriundos do IBGE para 2018, e cortada estrategicamente pela BR-040 que liga Brasília a Belo Horizonte, Paracatu desponta em sua economia graças à preferência de muitas empresas que aqui se instalam bem como pelo crescente empreendedorismo de sua própria população.

Inicialmente marcada pelo ciclo do ouro e posteriormente pelo do couro, este último ampliado devido ao surgimento de pequenos estabelecimentos industriais (aguardente, polvilho, manteiga, açúcar e outros), Paracatu tivera a partir da década de 1980 uma maior fecundidade em atividades tais como a mineração (âncora da geração de renda e divisas), a agropecuária, a educação superior , o comércio em geral e o turismo.

A exploração do turismo no município conta com diversos atrativos, entre os quais a Casa de Cultura, o Museu Municipal, o Arquivo Público, as Igrejas históricas e a feira livre realizada aos sábados pela manhã nas imediações da Prefeitura, com a venda de artesanatos e comidas típicas. Durante o mês de julho, os holofotes voltam-se para o Festival Cultural de Paracatu, com premiações para o melhor da gastronomia e da música, o que tem agitado a cidade nessa época do ano.

O Núcleo Histórico de Paracatu (NHP), área tombada desde 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), compreende diversas edificações, becos, monumentos e praças com valor histórico que se traduzem em um belo e rico acervo da arquitetura dos séculos XIX e XX.

A cidade mãe do Noroeste das Minas Gerais também é a que reúne vasta e preciosa documentação sobre o passado de toda a região, através do funcionamento do seu Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, órgão destinado à salvaguarda e a franquia do acesso a importantes fontes de pesquisa cultural e científica.

Para agradar o paladar dos turistas que desembarcam na antiga Vila do Paracatu do Príncipe, categoria esta decretada em 1799 pela Rainha de Portugal Da. Maria Primeiro, a culinária paracatuense tem, dentre outras iguarias, o bolo desmamada, o tradicional pão de queijo (com direito à data comemorativa em todo 05 de julho), o bolo de domingo e o saboroso e crocante biscoito de polvilho (peta), muito elogiado no seu seguimento.

As noites paracatuenses oferecem ao turista algumas opções de gastronomia e show ao vivo em estabelecimentos bem acolhedores no próprio Núcleo Histórico, como na Rua Goiás e no Largo do Sant’Anna, o que tem trazido para esses lugares um maior movimento de pessoas e novas fontes de economia e de renda.

Paracatu assim, homenageada no alto de seus 220 anos de emancipação política, tem atributos que a tornam querida mas também a fazem despontar no ranking dos negócios, e para um futuro bem próximo, espera-se que o turismo nestes rincões seja interpretado, abraçado e posto em prática como um modelo promissor, sustentável e alternativo à predominante exploração minerária local.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

 

Referências:

 

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População estimada [2018]. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/paracatu/panorama>. Acesso em: 19 out. 2018 .

 

OLIVEIRA MELLO, Antônio de. Paracatu do Príncipe: Minha Terra. Patos de Minas: Academia Patense de Letras. 1978,  144 p.

 

GONZAGA, OLÍMPIO MICHAEL. Memória Histórica de Paracatu. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu. 136p.

A corrida eleitoral e o papel das mídias sociais no exercício da democracia

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu-MG (05/10/2018) – Há menos de 2 dias para o maior acontecimento democrático do ano de 2018, em que serão escolhidos Presidente, Deputados e senadores, é notável o emprego cada vez maior das redes sociais para a livre manifestação sobre o cenário político atual. Nesse embalo, a voz do povo ganhou o Brasil e o mundo graças a popularização de modernas e acessíveis plataformas de comunicação pela Internet, agora massificadas através de aparelhos celulares.

No debate virtual provocado e potencializado pelo uso corriqueiro de ferramentas como Facebook, Whatsapp, Youtube, Twitter e Instagram, os brasileiros expõem a sua insatisfação com muitos problemas que os afligem, a exemplo do galopante desemprego (13 milhões de desempregados), da castigável carga tributária que lhe é imposta, e da sofrível prestação de serviços públicos básicos como saúde, educação e segurança, agravada pela corrupção que ganhou proporções extracontinentais e assustadoras.

Os veículos de comunicação tradicionais majoritariamente caracterizados por seu clássico alinhamento editorial e até bem pouco tempo atrás, não aparelhados com ferramentas que possibilitassem uma dinâmica mais interativa com o espectador, vem perdendo incessantemente “terreno” para a rede mundial de computadores, que abarcou de forma voraz um público crescente e que se afirma como protagonista da cena social.

O comportamento do eleitorado brasileiro ao conhecer, criticar ou mesmo apoiar os candidatos através do universo midiático criado pela Internet – território este permeado por notícias falsas (as chamadas fake news) – revela importantes tendências a serem analisadas e absorvidas pelos postulantes ao pleito eleitoral, como a visível rejeição a alguns e mesmo a devoção a outros.

Nas eleições de outrora (não muito distante assim!), abocanhavam os votos aqueles partidos municiados de maiores recursos financeiros e que detinham gordo espaço de inserção de seu portfólio durante o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, o que notoriamente em 2018 não se traduz na prática, haja vista que as redes sociais de um modo geral deram vez e voz a todos para que realizassem suas campanhas, inclusive ao próprio eleitor, que passou a defender massiva e voluntariamente o candidato de sua preferência.

É bem verdade que se vive um momento da história do Brasil em que as promessas de campanha e os agentes políticos caíram no total descrédito da população. Há uma onda de desconfiança de tudo e de todos, e nesse mar de pouco pragmatismo e grandes incertezas, o que se vê é um enorme desejo de renovação da classe política, mesmo que os postulantes sejam calouros para os cargos aos quais almejem.

A convergência gradual da disputa eleitoral para o campo da Internet revela, sem sombra de dúvidas, que é importantíssimo o papel das mídias sociais para fortalecimento da democracia, sobretudo no tocante à escolha das lideranças políticas, e que as campanhas eleitorais estarão cada vez mais pautadas com base na participação desse público “internauta” que cresce em progressão geométrica.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.