Pioneiros do transporte coletivo no Noroeste de Minas Gerais

Por: Carlos Lima (*)

Foto nº 1236. Walter fazendo a travessia por balsa no Rio Paracatu.

O emprego do transporte à tração animal, a simplicidade das estradas de chão e sua integração com hidrovias e ferrovias na década de 1930 são incrementados com a implantação das primeiras linhas de ônibus que facilitariam sobremaneira o deslocamento de pessoas e mercadorias entre a região  Noroeste de Minas  e algumas das principais cidades do Estado.

Um anúncio veiculado no Jornal O Imparcial do dia 17/05/1936 em sua edição de nº 3 dá conta de que naquele ano o transporte por ônibus já era uma realidade por aqui, haja vista que a referida publicação traz os dias e horários de viagens entre Patos de Minas e Paracatu explorados pela empresa Teixeira e Souza, concessionária do serviço.

Valorosa documentação estatística de 1939 revela a existência de um modal para viabilizar o fluxo de passageiros e encomendas entre estes rincões e determinados centros urbanos.  Uma viagem para o Rio de Janeiro, por exemplo, partia-se de Paracatu por ônibus até Patos de Minas e desta até Catiara (Município de Serra do Salitre), de onde se embarcava de Trem pela Rede Mineira de Viação até Barra Mansa (RJ), a partir da qual seguia-se também por trilhos até a capital carioca por meio da Estação de Ferro Central do Brasil.

Documento exibe as vias e meios de transporte entre as cidades no documento referente ao ano de 1939.

Verifica-se, com o passar dos anos, que o transporte por ônibus ganhava cada vez mais a simpatia das pessoas na medida em que possibilitava uma maior mobilidade entre os municípios. Prova disso é que, em documento expedido pelo DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais) com data de 20/12/1946, concede-se ao Sr.  José Botelho de Miranda o direito de exploração da linha Coromandel a Paracatu via Porto da Barra, Chapadão e Guarda-Mór com percurso total de 194 Kms e passagens a Cr$ 100,00.

Um levantamento feito junto às concessões de transporte coletivo pelo DER-MG, no período 1946 a 1957 (LIMA, 2019), revela a existência de pelo menos 8 linhas de ônibus exploradas por diferentes empresas na ligação entre o Noroeste de Minas e o Alto Paranaíba. Fotos da primeira metade do século XX, de autoria do saudoso Professor Olímpio Gonzaga, por sua vez, ilustram perfeitamente as viagens feitas nas jardineiras (um avanço naquele tempo!), com as travessias à balsa no Rio Paracatu e os atoleiros nos períodos chuvosos.

Foto nº 1101. Jardineira da linha Paracatu a Unaí em 1956

Entre os destinos explorados, segundo os mesmos alvarás do DER-MG, chama à atenção aquele que ligava Paracatu ao marco divisório Minas Gerais-Goiás no lugar denominado Porto de Botelhos, a partir do qual a viagem até Cristalina teria continuidade, muito certamente, por meio de outra empresa ou meio de locomoção. Essa linha fora operada em 1954 pelo concessionário Cezário de Mello através do serviço em microônibus. Mais tarde, em 1957, a linha passaria a ser explorada pelo empresário Walter Silva Neiva.

A construção da BR-040 (então BR-7) em 1958, que cortara em cheio a então modesta Paracatu, trouxera sem dúvida um pujante corredor logístico que viera a fortalecer ainda mais o transporte rodoviário entre o Noroeste de Minas e outras regiões, e que impulsionara decisivamente a utilização dos ônibus para a locomoção interurbana por grande parte da população, concomitantemente com o surgimento de novos itinerários e empresas do ramo.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

O IMPARCIAL. Paracatu, p. 4-4.17 maio 1936.

MINAS GERAIS. DEPARTAMENTO GERAL DE ESTATÍSTICA. Estatística dos meios de transporte: Inquérito referente a 1939 Município Paracatu. 1940

MINAS GERAIS. DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DE MINAS GERAIS. Linha de ônibus Coromandel – Paracatu. 20/12/1946. 1fl.

LIMA, Carlos E. G. Linhas de ônibus em Paracatu entre 1946 e 1957. Levantamento feito em fevereiro de 2019 com base nos Alvarás de 1935-1964 existentes no Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

A TRIBUNA DE PARACATU. Paracatu, 15 mar. 1959.

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Paracatuzinho: Passado e presente

Por: Carlos Lima (*)

Avenida Israel Pinheiro, cartão postal do Bairro Paracatuzinho. Foto: Arquivista Carlos Lima / Fev. 2019

Destacado do restante da cidade graças à existência dos Córregos Pobre e Rico, o Paracatuzinho, que outrora fora chamado de bairro proletário ou ainda de subúrbio, conserva hábitos tradicionais de sua comunidade, como reuniões familiares nas portas de casa e o velho futebolzinho de rua por parte da meninada, ao mesmo tempo em que desponta como endereço comercial promissor para empresários.

Documentos disponíveis no Arquivo Público Municipal sugerem que as primeiras casas do bairro teriam surgido às margens do Córrego Rico, notadamente onde se encontram as duas edificações de maior valor histórico da localidade, a saber, a sede da garagem da Prefeitura (antigo Matadouro Municipal) e a Chácara dos Padres (antiga Fazenda Papuda).

Em registro fotográfico de 1936, do Professor e escritor Olímpio Michael Gonzaga, é possível recordar o extinto Matadouro Municipal, que muito provavelmente fora o marco inicial daquele que mais tarde tornar-se-ia o mais populoso bairro da cidade. De acordo com um alvará de licença para construção de casa datado de 16/05/1955, folha 48v, e expedido pela municipalidade à Dona Maurícia Coelho Guimarães, ali também existira o chamado Largo do Matadouro.

Antigo Matadouro, agora Departamento de transporte (garagem)

Em escritura de compra e venda datada de 09/09/1955, assinada pelo então Prefeito Joaquim Adjuto Botelho, constata-se a venda de um terreno urbano de 190 m2, destacado do patrimônio municipal, ao Sr. Manoel Gonçalves Carvalho, pela cifra de Cr$ 285,00, na Rua Praiana no Paracatuzinho, localizada à margem direita do Córrego Rico. Verifica-se que a comercialização de lotes ocorrera inicialmente a partir dessa rua seguindo pela Praça do Bom Jesus e adjacências, conforme se pode inferir a partir da maioria dos documentos relacionados.

Uma incursão pelo livro Registro de Alvarás da Prefeitura comprova, por exemplo, que foram concedidas diversas licenças de postura naquela localidade, entre as quais, para a reconstrução de uma casa pertencente ao Sr. Francisco André em 26/09/1955, folha 66, na Av. Israel Pinheiro (Principal logradouro do Paracatuzinho), para a construção de uma casa na Rua da Evolução (antiga rua do Centro Espírita) à pedido do Sr. Arnaldo Antônio dos Santos, em 20/12/1956, folha 96, além de uma permissão para funcionamento de um açougue pertencente ao Sr. João Gonçalves dos Santos em 08/02/1957, folha 98, sem informação sobre o endereço exato no bairro.

Outro aspecto relevante sobre a formação do Paracatuzinho diz respeito à atividade imobiliária na cidade, conforme se pode verificar através dos classificados nos jornais. Em sua edição de nº 24, de 15/03/1959, o Jornal A Tribuna de Paracatu publicou em sua página 4 a oferta de lotes residenciais e industriais no referido bairro. O responsável pelas vendas era o agrimensor, Sr. Paulo Kleber Ulhôa, e o anúncio trouxera o seguinte apelo comercial: “Bairro de mais futuro e dentro de grande plano urbanístico”.

Nova pista de pouso no Paracatuzinho

A construção do Aeroporto Municipal, que atualmente tem nome de Pedro Rabelo de Souza, também merece destaque na história do bairro, haja vista que ocorrera no ano de 1953 graças ao idealismo dos Srs. Raul Neuschwander e Paulo Kleber, que com recursos próprios escolheram as terras mais altas do Paracatuzinho para o novo campo de pouso (até então, os vôos e decolagens aconteciam na pista do Aeroclube da Bela vista). Esse empreendimento, de certa forma, possibilitou o surgimento de novos logradouros e habitações nas suas proximidades.

Dados do Serviço Nacional de Recenseamento referentes ao ano de 1960, divulgados no jornal A Tribuna de Paracatu, de 30 de outubro daquele mesmo ano, dão conta de que o Paracatuzinho fora habitado por 1762 pessoas, perdendo apenas para a população do centro da cidade, com 5190 habitantes. O terceiro colocado em números demográficos era o bairro Amoreiras, com 1364 moradores.

Planilha obtida junto ao Departamento Municipal de Endemias, da Secretaria Municipal de Saúde, pertinente ao quantitativo de imóveis (piso térreo) do perímetro urbano no ano de 2018 indica que somente no Paracatuzinho (inclusive o Loteamento Aeroporto) existiam, até então, 5.369 edificações, de forma a superar até mesmo o centro de Paracatu, que já contabilizou 2.188 imóveis. Uma demonstração de considerável crescimento habitacional naquele bairro, se comparado a outros, como o Amoreiras, loteado quase que na mesma época e com cerca de 1303 edificações no período em que fora feito o levantamento.

Alguns costumam afirmar que o Paracatuzinho é “uma cidade dentro de Paracatu”. Do básico para se viver, tem-se de tudo um pouco por alí (Postos de Saúde, supermercados, faculdade (UAITEC), Farmácias, Casa Lotérica, Postos de Gasolina, Transporte Coletivo, etc) e, dado o ritmo de crescimento comercial e institucional que se verifica ano após ano, há uma grande tendência quanto à implantação de novos serviços para seus moradores. É bem verdade que o bairro merece muito mais, como uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas), um banco, uma área de lazer ampla e uma base policial, que garantiriam um maior bem estar social.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

CARVALHO, Luiz Gonzaga de. Molestia de chagas no Paracatusinho [sic]. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, p. 4-4. 28 nov. 1954

GONZAGA, Olímpio Michael. Matadouro Municipal. Paracatu: Autor, 1936. 1 slide, P&B, 18 cm X 12 cm. 1 foto.

IDEALISMO constrói campo de pouso. O Diário. Belo Horizonte, p. 27-27. 26 maio 1960.

MELLO, Antônio de Oliveira. Paracatu do tempo em tempo. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu, 2001. 152 p.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. . Escritura de Compra e Venda. Paracatu, 1955. 1 f.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Livro Registro de AlvarásParacatu, 1955-1957. 1 f.

PARACATU. SERVIÇO NACIONAL DE RECENSEAMENTO. . DADOS totais do recenseamento demográfico de 1960. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, p. 4-4. 30 out. 1960.

PARACATU. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Secretaria Municipal de Saúde. Departamento Municipal de Endemias. Planilha de imóveis por bairro de Paracatu em 2018. Departamento Municipal de EndemiasParacatu, 2018. 1 f.A TRIBUNA DE PARACATU. Paracatu, 15 mar. 1959.

Acervo do Arquivo Público de Paracatu é tema de exposição na Casa de Cultura

Por: Carlos Lima (*)

Trampolim no Açude em Paracatu. [19–]. Foto 938 / Fundo: Oliveira Mello / Acervo Arquivo Público de Paracatu

Paracatu-MG (17/01/2019) – Um passeio pelos séculos XIX e XX através da memória documental do Noroeste de Minas é o que pretende a Exposição intitulada “Preciosidades do Arquivo Público de Paracatu”, em destaque no salão de exposições da Casa de Cultura.

Além de dezenas de manuscritos e impressos que rememoram a escravidão, a iluminação (à base de lampiões) e as práticas de comércio no século XIX, também é possível conhecer os feitos públicos, a dinâmica de transporte, os costumes e o lazer através de várias fotografias, mapas e outros itens do século XX, ampliados e expostos no local.

O rico conteúdo da mostra é parte fundamental do patrimônio histórico de Paracatu, e que revela o potencial cultural, científico e turístico preservado e acessível à população local e àqueles que visitam o município ou simplesmente estão de passagem por aqui.  

A exposição, que permanece até o dia 12 de fevereiro, possibilita aos apreciadores um curioso mergulho na história destes rincões das Minas Gerais por meio da assimilação de parte dos acervos do Arquivo Público de Paracatu e do Perfil Memórias de Paracatu no Facebook, este último administrado pelo artista plástico Ronaldo Rabelo.

Serviço: Fundação Municipal Casa de Cultura Rua do Ávila – S/Nº – Núcleo Histórico de Paracatu Tel.: (38)3671-4797 Visitação: Segunda à Sexta – 8h00 às 18h00 / Sábados, domingos e feriados: 9h00 às 15h00 Entrada franca  

(*) Carlos Lima é graduado emArquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado emOracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos ememória empresarial

O potencial hidroviário na Paracatu do século XX

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu-MG (14/12/2018) – Ao navegar pelos milhares de registros existentes no Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga em Paracatu, é possível rememorar momentos marcantes do desenvolvimento regional, como o fora no transporte hidroviário do Noroeste e Norte de Minas Gerais, notadamente na primeira metade do século XX.

Um códice (livro manuscrito) datado de 1924 e rubricado pelo Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal Luiz de Sant’Anna Júnior cita o contrato firmado entre a municipalidade e “os Srs. Vargas e Companhia Ltda” para exploração dos serviços de navegação do Porto Burity, no rio Paracatu, até a cidade de Pirapora, importante corredor logístico e ponto de conexão com outras localidades, dada a sua localização privilegiada às margens do Rio São Francisco.

Códice de registro da Empresa de Navegação do Paracatu em 1925. Fonte: Acervo do Arquivo Público Municipal de Paracatu – MG

O manuscrito classificado no Fundo Câmara Municipal é sem dúvida um fantástico registro das rotineiras viagens à vapor pelos rios Paracatu e São Francisco. Além de grande variedade de mercadorias, insumos e outros itens transportados, consta ainda o deslocamento de pessoas para diferentes destinos, inclusive alguns bem distantes, como Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, no Estado da Bahia.

De acordo com as anotações da viagem de nº 34 realizada em 30 de outubro de 1924 entre o Porto Burity (Rio Paracatu) e o Porto de Pirapora, por exemplo, são exportados couros, açúcar, manteiga e queijo a mando dos empresários Quintino Vargas e Antônio Caetano de Souza, o que também revela o potencial produtivo de Paracatu à época.

Já no dia 27 de março de 1925, conforme documentado, realiza-se a viagem de nº 9 do vapor Curvello, que transportara naquela ocasião mais de 10 toneladas e meia de carga com destino a Paracatu, em sua maioria tecidos, soda cáustica, combustíveis, móveis, louças e artigos de armarinho em geral. Entre os comerciantes endereçados estavam, o Professor e memorialista Olímpio Gonzaga e o empresário João Macedo.

Notável também é o manifesto de passageiros do dia 8 de abril de 1925, viagem de nº 10 do mesmo vapor, com destino a vários municípios na rota de Paracatu para Pirapora. São transportadas 23 pessoas, entre as quais o Dr. Henrique Itiberê [sic], os Srs. Anthero Santiago e Antônio Brochado e família. O valor da passagem até o destino final custava 900 réis, atesta o laborioso manuscrito. 


Vapor que operou a linha no Rio Paracatu pela Empresa de Navegação do Paracatu entre 1924 e 1925

O relevante livro que traz à memória o passado da Empresa de Navegação do Paracatu, (espécie de concessão pública), contabiliza, por fim, um total de 24 viagens contratuais realizadas no período de 23 de outubro de 1924 até 18 de dezembro de 1925 pelo vapor Curvello, que marcou sobremaneira a história da navegação e do comércio entre os municípios das bacias dos rios Paracatu e São Francisco naquele período.

 Referência

CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Registro Empresa de Navegação do Paracatu.Paracatu: 1924. 1 códice

. (*) Carlos Lima é graduado emArquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado emOracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos ememória empresarial.

O fascinante, sutil e inevitável mundo digital

Por: Carlos Lima (*)

Convergência dos dados de um suporte papel para o meio virtual. Foto/Reprodução: Carlos Lima/APMOMG

Paracatu-MG (20/11/2018) – A rapidez com que as informações circulam entre as pessoas,  graças ao advento de modernas plataformas digitais que se aliaram à enorme popularização dos aparelhos celulares, revelam parte crucial da convergência de grande variedade de tarefas e hábitos para um universo predominantemente virtual.

As eleições deste ano são um belo exemplo de que a interação social está se tornando  implacavelmente digital: A campanha ganhou vez e voz através das rede sociais, democratizou-se a disputa entre candidatos de diferentes representações parlamentares e o eleitor, agora protagonista desse campo cibernético, manifestou-se como bem quis acerca de suas aspirações para o futuro político e administrativo do país.

O setor financeiro, que hoje assiste o crescimento dos bancos digitais – que em nada lembram o formato tradicional com filas e uma burocracia que sempre maltrataram a clientela – agora tem pela frente a missão de lidar com as transações por criptomoedas (bitcoins), que a grosso modo definem-se como cifras digitais com seu valor específico, porém até o momento sem regulação por parte de órgãos competentes no Brasil.

A área educacional também teve dereinventar-se nesse cenário profundamente tecnológico, e para tanto, abraçou as TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) e formatou programas deaprendizado e desenvolvimento profissional através da educação à distância e demodernas plataformas capazes de garantir a produção e difusão de conhecimentopara diferentes pontos remotos do país. A sala de aula da modernidadetornou-se, portanto, um ambiente essencialmente lógico, agora disponível emaplicativos.

No âmbito do atendimento médico-hospitalar, a bola da vez é a implantação do prontuário eletrônico, sobretudo na rede pública de saúde, como forma de melhorar o diagnóstico do quadro clínico do paciente. Entretanto, o que mais se verifica na grande maioria dos municípios é a incapacidade, inclusive quanto à estrutura, de se por em prática essa importante ferramenta de gestão das informações do histórico daqueles que prestam e recebem tratamento médico.

A presença massiva de câmeras de segurança dentro e fora das residências e estabelecimentos vários, com capacidade inclusive de transmissão de imagens em tempo real pela Internet, traduz-se na parábola bíblica da candeia que afirma “[…] não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz” (LUCAS 8:17). Todo esse aparato tecnológico são ferramentas que geram representantes digitais da vida cotidiana e fundamentam muito bem as ações dos indivíduos para o bem e/ou para o mal.

É razoável, destarte, afirmar que a sociedade está sendo sutil e rapidamente “digitalizada” e que é indispensável repensar o papel da “máquina homem” em meio a essa dinâmica social virtualizada, especialmente como forma de auto-afirmação humana diante desse novo universo robotizado e estruturado em códigos e instruções geradores de inteligência artificial.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referência: Bíblia. Português. A Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1980. 192 p.

Paracatu aos 220 anos e seu perfil para o turismo sustentável

Por: Carlos Lima (*)

Casa de Cultura no Largo da Jaqueira em Paracatu. Fonte: Facebook Paracatu Eternamente Linda

 

Paracatu-MG (19/10/2018) – Conhecido e povoado em função da existência de ouro de aluvião no lado oeste das Minas Gerais, o antigo Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu despertou o interesse dos primeiros bandeirantes que aqui chegaram há pelo menos 400 anos, os quais abriram caminho para o surgimento da futura e pujante capital do Noroeste do Estado.

Hoje com aproximados 92.430 habitantes, conforme dados oriundos do IBGE para 2018, e cortada estrategicamente pela BR-040 que liga Brasília a Belo Horizonte, Paracatu desponta em sua economia graças à preferência de muitas empresas que aqui se instalam bem como pelo crescente empreendedorismo de sua própria população.

Inicialmente marcada pelo ciclo do ouro e posteriormente pelo do couro, este último ampliado devido ao surgimento de pequenos estabelecimentos industriais (aguardente, polvilho, manteiga, açúcar e outros), Paracatu tivera a partir da década de 1980 uma maior fecundidade em atividades tais como a mineração (âncora da geração de renda e divisas), a agropecuária, a educação superior , o comércio em geral e o turismo.

A exploração do turismo no município conta com diversos atrativos, entre os quais a Casa de Cultura, o Museu Municipal, o Arquivo Público, as Igrejas históricas e a feira livre realizada aos sábados pela manhã nas imediações da Prefeitura, com a venda de artesanatos e comidas típicas. Durante o mês de julho, os holofotes voltam-se para o Festival Cultural de Paracatu, com premiações para o melhor da gastronomia e da música, o que tem agitado a cidade nessa época do ano.

O Núcleo Histórico de Paracatu (NHP), área tombada desde 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), compreende diversas edificações, becos, monumentos e praças com valor histórico que se traduzem em um belo e rico acervo da arquitetura dos séculos XIX e XX.

A cidade mãe do Noroeste das Minas Gerais também é a que reúne vasta e preciosa documentação sobre o passado de toda a região, através do funcionamento do seu Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, órgão destinado à salvaguarda e a franquia do acesso a importantes fontes de pesquisa cultural e científica.

Para agradar o paladar dos turistas que desembarcam na antiga Vila do Paracatu do Príncipe, categoria esta decretada em 1799 pela Rainha de Portugal Da. Maria Primeiro, a culinária paracatuense tem, dentre outras iguarias, o bolo desmamada, o tradicional pão de queijo (com direito à data comemorativa em todo 05 de julho), o bolo de domingo e o saboroso e crocante biscoito de polvilho (peta), muito elogiado no seu seguimento.

As noites paracatuenses oferecem ao turista algumas opções de gastronomia e show ao vivo em estabelecimentos bem acolhedores no próprio Núcleo Histórico, como na Rua Goiás e no Largo do Sant’Anna, o que tem trazido para esses lugares um maior movimento de pessoas e novas fontes de economia e de renda.

Paracatu assim, homenageada no alto de seus 220 anos de emancipação política, tem atributos que a tornam querida mas também a fazem despontar no ranking dos negócios, e para um futuro bem próximo, espera-se que o turismo nestes rincões seja interpretado, abraçado e posto em prática como um modelo promissor, sustentável e alternativo à predominante exploração minerária local.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

 

Referências:

 

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População estimada [2018]. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/paracatu/panorama>. Acesso em: 19 out. 2018 .

 

OLIVEIRA MELLO, Antônio de. Paracatu do Príncipe: Minha Terra. Patos de Minas: Academia Patense de Letras. 1978,  144 p.

 

GONZAGA, OLÍMPIO MICHAEL. Memória Histórica de Paracatu. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu. 136p.

A corrida eleitoral e o papel das mídias sociais no exercício da democracia

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu-MG (05/10/2018) – Há menos de 2 dias para o maior acontecimento democrático do ano de 2018, em que serão escolhidos Presidente, Deputados e senadores, é notável o emprego cada vez maior das redes sociais para a livre manifestação sobre o cenário político atual. Nesse embalo, a voz do povo ganhou o Brasil e o mundo graças a popularização de modernas e acessíveis plataformas de comunicação pela Internet, agora massificadas através de aparelhos celulares.

No debate virtual provocado e potencializado pelo uso corriqueiro de ferramentas como Facebook, Whatsapp, Youtube, Twitter e Instagram, os brasileiros expõem a sua insatisfação com muitos problemas que os afligem, a exemplo do galopante desemprego (13 milhões de desempregados), da castigável carga tributária que lhe é imposta, e da sofrível prestação de serviços públicos básicos como saúde, educação e segurança, agravada pela corrupção que ganhou proporções extracontinentais e assustadoras.

Os veículos de comunicação tradicionais majoritariamente caracterizados por seu clássico alinhamento editorial e até bem pouco tempo atrás, não aparelhados com ferramentas que possibilitassem uma dinâmica mais interativa com o espectador, vem perdendo incessantemente “terreno” para a rede mundial de computadores, que abarcou de forma voraz um público crescente e que se afirma como protagonista da cena social.

O comportamento do eleitorado brasileiro ao conhecer, criticar ou mesmo apoiar os candidatos através do universo midiático criado pela Internet – território este permeado por notícias falsas (as chamadas fake news) – revela importantes tendências a serem analisadas e absorvidas pelos postulantes ao pleito eleitoral, como a visível rejeição a alguns e mesmo a devoção a outros.

Nas eleições de outrora (não muito distante assim!), abocanhavam os votos aqueles partidos municiados de maiores recursos financeiros e que detinham gordo espaço de inserção de seu portfólio durante o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, o que notoriamente em 2018 não se traduz na prática, haja vista que as redes sociais de um modo geral deram vez e voz a todos para que realizassem suas campanhas, inclusive ao próprio eleitor, que passou a defender massiva e voluntariamente o candidato de sua preferência.

É bem verdade que se vive um momento da história do Brasil em que as promessas de campanha e os agentes políticos caíram no total descrédito da população. Há uma onda de desconfiança de tudo e de todos, e nesse mar de pouco pragmatismo e grandes incertezas, o que se vê é um enorme desejo de renovação da classe política, mesmo que os postulantes sejam calouros para os cargos aos quais almejem.

A convergência gradual da disputa eleitoral para o campo da Internet revela, sem sombra de dúvidas, que é importantíssimo o papel das mídias sociais para fortalecimento da democracia, sobretudo no tocante à escolha das lideranças políticas, e que as campanhas eleitorais estarão cada vez mais pautadas com base na participação desse público “internauta” que cresce em progressão geométrica.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Tragédia no Museu Nacional: Um retrato da irrelevância do Patrimônio Histórico no Brasil

Por: Carlos Lima (*)

Bombeiros e Defesa Civil trabalham após incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Foto: Tomaz Silva / Agencia Brasil / Set. 2018

Paracatu-MG (05/09/2018) – O incêndio que destruiu o imponente prédio do Museu Nacional e seu incomensurável acervo de história natural e antropológica escancarou para o mundo o grau de desprezo das autoridades competentes na formulação e implantação de políticas públicas destinadas à proteção de acervos museológicos, bibliográficos e arquivísticos pelo Brasil à fora.

A catástrofe “patrimonial e histórica” ocorrida no Rio de Janeiro no último domingo (02) foi marcada especialmente pela devastação de grande parte do prédio com arquitetura neoclássica e pela consumição de pelo menos 90% de todo acervo ali conservado até se transformar em cinzas. Após o sinistro e com possibilidades cada vez mais remotas de restauração do que resistiu ao fogo, as autoridades já sinalizam com a liberação de verbas e a atenção outrora almejadas, mas nunca alcançadas pelo Museu Nacional.

Fato é que as propostas de investimento em preservação do patrimônio histórico e cultural nem sempre fizeram parte da pauta prioritária das ações governamentais e das políticas de Estado e por isto, resultam em tragédias ditas anunciadas como a que aqui se trata. Constata-se que na grande maioria dos Museus, Bibliotecas, Arquivos e conjuntos de edificações de valor histórico sequer há um plano emergencial contra incêndios.

Incêndio destruiu parte do Casarão do Orfanato no Núcleo Histórico de Paracatu. Foto: Paracatuzinho Online / Ago. 2018 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

Algumas medidas de prevenção e combate a esse tipo de sinistro deveriam ser pré-requisitos para a liberação de alvarás de funcionamento de instituições que se propõem a abrigar acervos, como por exemplo, a instalação de aspersores anti-incêndio, hidrantes, saída de emergência, treinamento de funcionários quanto ao manuseio correto de extintores, formação de brigadas de incêndio, entre outros itens.

Aquisições de maior envergadura que merecem ser cogitadas, ainda que estejam além da realidade orçamentária da maior parte das instituições custodiadoras de documentos e peças afins, são as chamadas salas e arquivos-cofre, que, dentre outras qualidades, são à prova de incêndios. Em 2012, a Universidade de Brasília adquiriu por R$ 3,5 milhões uma sala-cofre para abrigar com segurança o conjunto de dados e informações (Data Center) produzidas e armazenadas por aquela academia.

Outro caminho que necessita ser perseguido e trilhado urgentemente pelos órgãos que preservam e expõem acervos em seus mais variados suportes é a digitalização, que embora seu produto final não possa substituir as fontes originais em sua integralidade de caracteres, ao menos possibilita a geração de um representante digital (imagem), que garante a continuidade da pesquisa e o acesso virtual pelos interessados. Modernas tecnologias como o Google Street View possibilitam ao internauta uma visita remota ao interior de alguns museus e exposições.

É bem verdade que minimizar os riscos capazes de resultar em perdas irreparáveis, como a que “matou” o Museu Nacional e praticamente, todo o seu repositório memorial e científico, não depende simplesmente de boas intenções tampouco se limita à confecção de laudos técnicos que não raro terminam engavetados, mas sim e principalmente, de uma legislação robusta e eficaz quanto à consecução de parcerias e a disponibilização de mais recursos e sua correta destinação final a que se destinam.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Linha aérea em Paracatu: Será que pode melhorar?

Por: Carlos Lima (*)

Aeronave da Companhia Two Flex no Aeroporto de Paracatu para o vôo Paracatu-Patos de Minas-Belo Horizonte. Foto: Carlos Lima / 18 Maio 2018

Paracatu-MG (26/07/2018)“Azas da Panair: Porque não vem pousar elas em Paracatu?”, era a manchete do Paracatu – Jornal que circulara em 4 de outubro de 1931, de modo a expressar, a sua época, grande apelo para a chegada do progresso a estas cercanias, e cujo grupo de entusiastas contava com o apoio, dentre outros, do visionário Professor Olímpio Gonzaga e do também filho desta terra e então Ministro das Relações Exteriores, Afrânio de Mello Franco, para que a afamada companhia aérea por aqui fizesse sua escala afim trazer dos céus o desenvolvimento para a região.

Correio Aéreo Nacional em Paracatu na década de 1950. Foto: Olímpio M. Gonzaga / Acervo do Arquivo Público de Paracatu – MG

Não é de hoje, portanto, que esforços vinham sendo empreendidos para que a aviação comercial se tornasse uma realidade na cidade mãe do Noroeste de Minas Gerais. Constata-se, ademais, o interesse por parte das próprias empresas em atuarem em Paracatu, a exemplo de outra importante companhia aérea, a Nacional, que chegara a requerer à Diretoria da Aeronáutica Civil, em 1954, a autorização necessária para tal, contudo, sem concretizar seu projeto sabe-se lá por qual motivo. Fato é que naquele ano são vistos anúncios de vôos da respectiva empresa a partir do município vizinho de Cristalina, em Goiás, com destino a Belo Horizonte, Goiânia, Uberlândia, Catalão, entre outros.

Tentativa bem mais recente de emplacar o transporte aéreo regular de passageiros ocorrera em maio do ano passado com a empresa amazonense Apuí Táxi Aéreo, cuja atuação durara não mais que duas semanas na rota Brasília-Paracatu-Patos de Minas-Belo Horizonte, sem informações oficiais que explicassem a descontinuidade de suas operações nos municípios que integrariam a chamada Linha Redentora (nome de batismo do vôo).

O sonho de ver Paracatu “decolar” e de seu aeroporto servir de fato aos interesses coletivos – grande parte dos aeroportos serve, na maioria das vezes,  de “campo de pouso” para aeronaves de empresários, artistas e outros mais abastados – viria a concretizar-se em pouco tempo, por meio de um esforço conjunto da administração municipal, do empresariado local e do Estado de Minas Gerais, por meio do programa Voe Minas Gerais, da CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).  Através dessa iniciativa, o Noroeste Mineiro passou de fato a ter sua ligação, por vias aéreas, com a desenvolvida Patos de Minas e com a capital mineira desde o vôo inaugural realizado em 16 de agosto de 2017.

Nacional Transportes Aéreos, uma das interessadas em voar em Paracatu na década de 50. Fonte: A Tribuna de Paracatu / 1956 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

Os vôos contam, desde o início, com uma aeronave Cesna Grand Caravam 208B da companhia aérea Two Flex, com capacidade para até 9 passageiros, e desde a sua implantação até o último dia 30 de junho deste ano já contabilizou o total de 139 passageiros transportados na rota Paracatu a Patos de Minas, e Paracatu a Belo Horizonte, e 182 pessoas que viajaram da capital mineira com destino à antiga Vila de Paracatu do Príncipe, de forma que o maior número de bilhetes da linha aérea foi comercializado para o percurso entre Beagá e Patos de Minas, ou seja,  um total de 754.

Apesar de representar um grande avanço para o transporte aéreo regional, se considerados os últimos 87 anos em que Paracatu aspira a um modal regular na categoria, é bem verdade que o valor dos bilhetes, comercializados em média a partir de R$ 260,00 (Paracatu a Patos de Minas) e R$ 650,00 (Paracatu a Belo Horizonte), está muito além das possibilidades da grande maioria da população local, que prefere viajar de ônibus e pagar aproximados 20 a 30% desses valores ou fazer o deslocamento com veículo próprio.

Paracatu no plano de vôos da Companhia Azul Linhas Aéreas. [2014?] Fonte: Foto/Reprodução: asa-anac.org.br/biblioteca/download/cda/115/cdc/773

Diferentemente de outros municípios que recebem aeronaves com capacidade para até 72 passageiros, a exemplo de Lençóis (Chapada Diamantina, na Bahia) com 11.445 habitantes e Teixeira de Freitas (BA) com 161.690 habitantes, ambas atendidas pela Companhia Azul Linhas Aéreas, os cidadãos do Noroeste de Minas continuarão tão somente a sonhar, pelo menos por enquanto, com a possibilidade de irem a Belo Horizonte ou até mesmo a outros destinos fora do Estado (Por que não!?) pagando quantias que lhes sejam mais acessíveis.

Aeroporto Pedro Rabelo de Souza em Paracatu com aeronave do Voe Minas Gerais ao fundo. Foto: Carlos Lima / Maio 2018

Companhia aérea Nacional chegou a requerer autorização para operar em Paracatu. Fonte: A Tribuna de Paracatu – Nº 87 – Pág. 8 – 28 Nov. 1954 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

SOBRE O VOE MINAS GERAIS

O programa Voe Minas Gerais tem por objetivo propiciar a regionalização do transporte aéreo, de forma a funcionar como uma espécie de hub (conexão) na capital mineira para as cidades do interior do Estado, portanto, estratégico para o desenvolvimento dos negócios e do turismo em suas diferentes vertentes. A iniciativa garante ainda a compensação financeira de 45% das horas de vôo contratadas (300h/mês) caso a empresa aérea licitada não consiga vender o mínimo de assentos necessários para a consecução da viagem ou não haja vôos durante o mês.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

A Nacional passará a escalar em Paracatu. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, nº 87, p. 8, 28 nov. 1954.

ALMEIDA, Suellen Silva de. Voe Minas Gerais. Belo Horizonte, CODEMIG, 20 Jul. 2018. Entrevista a Carlos Lima.

Azas da Panair: Porque não vem pousar elas em Paracatu? Paracatu-Jornal. Paracatu, nº 3, p. 1, 4 out. 1931.

ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA ANAC. Plano para desenvolvimento de hubs regionais no sistema aeroportuário mineiro. Disponível em: <sa-anac.org.br/biblioteca/download/cda/115/cdc/773>. Acesso em: 20 Jul. 2018

NACIONAL Transportes Aéreos: Novos horários em Cristalina. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, nº 163, p. 3, 27 Maio 1956.

VOE MINAS GERAIS. Projeto de integração regional de Minas Gerais – Modal aéreo. Disponível em: < http://www.voeminasgerais.com.br/>. Acesso em: 20 Jul. 2018.

A greve dos caminhoneiros e o alerta para a valorização do transporte ferroviário no Brasil

Por: Carlos Lima (*)

Linha férrea no Alto do Açude em Paracatu-MG. Foto: Olímpio Gonzaga / Década 1930 / Acervo Arquivo Público de Paracatu

Paracatu-MG (02/06/2018) – A greve nacional dos caminhoneiros que perdurara 10 dias desde que iniciada na segunda-feira (21), expôs não só a insatisfação com o alto preço do diesel (motivo principal que desencadeou todo o protesto!), mas também a grande vulnerabilidade social face ao predomínio de um sistema de transporte majoritariamente rodoviário e capaz de afetar diversos outros ramos da atividade econômica, além de por em risco serviços considerados essenciais, como transporte público, saúde e segurança.

É bem verdade que essa dependência das rodovias para a circulação de pessoas e mercadorias tem razões históricas e remontam já a primeira metade do século passado, a exemplo da materialização do discurso do último presidente da República Velha, Washington Luis, de que “governar é abrir estradas”, o que viria a acontecer de fato em 1928 com a inauguração da primeira rodovia asfaltada, a Rio – Petrópolis.

O cenário decadente dos trilhos brasileiros passou a agravar-se profundamente em 1950 com a grande expectativa pelo desenvolvimento pautado pela abertura de estradas, que dessa vez ganhara corpo com o governo do presidente Juscelino Kubitschek, que enxergara na escolha pelas rodovias, uma forma de consolidar sua política de avançar 50 anos em 5, além de favorecer à indústria automobilística e outros setores produtivos. Isso viria a desbancar de vez o fascínio pelas velhas e então “desinteressantes” locomotivas do país.

Se por um lado caminhões e ônibus passaram a oferecer agilidade no transporte de passageiros e de mercadorias na proporção em que também foram privilegiados com vasto sistema logístico ao longo de mais de 5 décadas pelas autoridades competentes, por outro, a fatura desse modelo tornou-se bastante amarga para o contribuinte, haja vista que a manutenção da complexa malha viária brasileira é onerosa e ineficaz (obras caras e nem sempre abrangentes/asfaltamento às vezes com baixíssima qualidade), os pedágios encarecem as viagens e os fretes, a poluição ambiental causada pelo transporte rodoviário é inquestionável e quando há assaltos ou paralisações, diversos são os prejuízos.

Fonte: Blog Logística /Maio_2015

O transporte ferroviário tem a seu desfavor o longo prazo e o alto custo de sua implantação, no entanto, vence outras formas de mobilidade, especialmente porque pode garantir maior capacidade de carga, baixo custo de manutenção do sistema como um todo, maior segurança e grande sustentabilidade (combustíveis menos agressivos ao meio ambiente, por exemplo), além de representarem uma forma muito mais econômica de locomoção e movimentação da produção.

Sabe-se que muitos países também aderiram, em meados do século passado, ao maior emprego do modal rodoviário, contudo enxergaram os riscos dessa completa e iminente dependência de um único meio de escoamento da produção e transporte de passageiros, e voltaram atrás em seus projetos de mobilidade, de forma a impedir o sucateamento de seus trens (o que infelizmente acontecera por aqui!) com investimentos maciços em revitalização e modernização de suas malhas ferroviárias.

Vagões com etanol aguardando embarque no Terminal de Colinas, TO. Foto de Ariosto Mesquita Set 2012

No Brasil, a retomada das obras relacionadas ao transporte ferroviário tomou um pouco de fôlego há pouco mais de 1 década, com investimentos públicos e privados em dois grandes corredores logísticos sobre trilhos, a Ferrovia Norte Sul, com operações efetivas, dentre outros trechos, de Açailandia (MA) a Anápolis (GO) e a Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL) que liga Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO), com trechos ainda em construção.

As manifestações nas estradas e a conseqüente crise de desabastecimento ocorridas nestes últimos dias, notadamente no fornecimento de combustíveis, gás de cozinha e alguns gêneros alimentícios, acenderam o sinal de alerta quanto ao modelo logístico com que a nação tupiniquim vem sendo transportada nestes últimos 60 anos. Viaja-se, por assim dizer, na contramão do desenvolvimento sustentável e da infraestrutura mais segura e menos onerosa a longo prazo, itinerário este que só será alterado quando forem revitalizadas e construídas mais ferrovias, como o fizeram os países mais avançados econômica e socialmente.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Cartograma de Minas Gerais em 31/10/1928. Fonte: Secretaria da Agricultura – Serviço de Estatística Geral / Acervo do Arquivo Público de Paracatu-MG

Projeto futuro da Ferrovia Transcontinental entre Porto de Forno-RJ a Boqueirão da Esperança –AC, passando por Paracatu-MG. Fonte : VALEC /Jun. 2018

REFERÊNCIAS:

FERROVIAS BRASILEIRAS – DECLÍNIO DAS FERROVIAS. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Disponível em: < http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/328805-FERROVIAS-BRASILEIRAS–DECL%C3%8DNIO-DAS-FERROVIAS–(-06′-01%22-).html>. Acesso  em: 01/06/2018

FERROVIAS BRASILEIRAS – CHEGADA DOS TRENS NO BRASIL. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Disponível em: < http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/328804-FERROVIAS-BRASILEIRAS–CHEGADA-DOS-TRENS-NO-BRASIL–(-06′-34%22-).html>. Acesso em: 01/06/2018

DECICINIO, Ronaldo. Transporte ferroviário: Brasil voltou a investir em ferrovias. UOL. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/transporte-ferroviario-brasil-voltou-a-investir-em-ferrovias.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em 01/06/2018

POR QUE O TRANSPORTE FERROVIÁRIO É TÃO PRECÁRIO NO BRASIL. SUPER INTERESSANTE. Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-o-transporte-ferroviario-e-tao-precario-no-brasil/. Acesso em: 30/05/2018

VALEC. Disponível em: < http://www.valec.gov.br/ferrovias>. Acesso em: 01/06/2018

WASHINGTON LUÍS INAUGURA A PRIMEIRA RODOVIA ASFALTADA DO PAÍS, A RIO-PETRÓPOLIS.
O GLOBO. Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/rio-de-historias/washington-luis-inaugura-primeira-rodovia-asfaltada-do-pais-rio-petropolis-8849272. Acesso em: 29/05/2018