Paracatu aos 220 anos e seu perfil para o turismo sustentável

Por: Carlos Lima (*)

Casa de Cultura no Largo da Jaqueira em Paracatu. Fonte: Facebook Paracatu Eternamente Linda

 

Paracatu-MG (19/10/2018) – Conhecido e povoado em função da existência de ouro de aluvião no lado oeste das Minas Gerais, o antigo Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu despertou o interesse dos primeiros bandeirantes que aqui chegaram há pelo menos 400 anos, os quais abriram caminho para o surgimento da futura e pujante capital do Noroeste do Estado.

Hoje com aproximados 92.430 habitantes, conforme dados oriundos do IBGE para 2018, e cortada estrategicamente pela BR-040 que liga Brasília a Belo Horizonte, Paracatu desponta em sua economia graças à preferência de muitas empresas que aqui se instalam bem como pelo crescente empreendedorismo de sua própria população.

Inicialmente marcada pelo ciclo do ouro e posteriormente pelo do couro, este último ampliado devido ao surgimento de pequenos estabelecimentos industriais (aguardente, polvilho, manteiga, açúcar e outros), Paracatu tivera a partir da década de 1980 uma maior fecundidade em atividades tais como a mineração (âncora da geração de renda e divisas), a agropecuária, a educação superior , o comércio em geral e o turismo.

A exploração do turismo no município conta com diversos atrativos, entre os quais a Casa de Cultura, o Museu Municipal, o Arquivo Público, as Igrejas históricas e a feira livre realizada aos sábados pela manhã nas imediações da Prefeitura, com a venda de artesanatos e comidas típicas. Durante o mês de julho, os holofotes voltam-se para o Festival Cultural de Paracatu, com premiações para o melhor da gastronomia e da música, o que tem agitado a cidade nessa época do ano.

O Núcleo Histórico de Paracatu (NHP), área tombada desde 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), compreende diversas edificações, becos, monumentos e praças com valor histórico que se traduzem em um belo e rico acervo da arquitetura dos séculos XIX e XX.

A cidade mãe do Noroeste das Minas Gerais também é a que reúne vasta e preciosa documentação sobre o passado de toda a região, através do funcionamento do seu Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, órgão destinado à salvaguarda e a franquia do acesso a importantes fontes de pesquisa cultural e científica.

Para agradar o paladar dos turistas que desembarcam na antiga Vila do Paracatu do Príncipe, categoria esta decretada em 1799 pela Rainha de Portugal Da. Maria Primeiro, a culinária paracatuense tem, dentre outras iguarias, o bolo desmamada, o tradicional pão de queijo (com direito à data comemorativa em todo 05 de julho), o bolo de domingo e o saboroso e crocante biscoito de polvilho (peta), muito elogiado no seu seguimento.

As noites paracatuenses oferecem ao turista algumas opções de gastronomia e show ao vivo em estabelecimentos bem acolhedores no próprio Núcleo Histórico, como na Rua Goiás e no Largo do Sant’Anna, o que tem trazido para esses lugares um maior movimento de pessoas e novas fontes de economia e de renda.

Paracatu assim, homenageada no alto de seus 220 anos de emancipação política, tem atributos que a tornam querida mas também a fazem despontar no ranking dos negócios, e para um futuro bem próximo, espera-se que o turismo nestes rincões seja interpretado, abraçado e posto em prática como um modelo promissor, sustentável e alternativo à predominante exploração minerária local.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

 

Referências:

 

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População estimada [2018]. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/paracatu/panorama>. Acesso em: 19 out. 2018 .

 

OLIVEIRA MELLO, Antônio de. Paracatu do Príncipe: Minha Terra. Patos de Minas: Academia Patense de Letras. 1978,  144 p.

 

GONZAGA, OLÍMPIO MICHAEL. Memória Histórica de Paracatu. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu. 136p.

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A corrida eleitoral e o papel das mídias sociais no exercício da democracia

Por: Carlos Lima (*)

Paracatu-MG (05/10/2018) – Há menos de 2 dias para o maior acontecimento democrático do ano de 2018, em que serão escolhidos Presidente, Deputados e senadores, é notável o emprego cada vez maior das redes sociais para a livre manifestação sobre o cenário político atual. Nesse embalo, a voz do povo ganhou o Brasil e o mundo graças a popularização de modernas e acessíveis plataformas de comunicação pela Internet, agora massificadas através de aparelhos celulares.

No debate virtual provocado e potencializado pelo uso corriqueiro de ferramentas como Facebook, Whatsapp, Youtube, Twitter e Instagram, os brasileiros expõem a sua insatisfação com muitos problemas que os afligem, a exemplo do galopante desemprego (13 milhões de desempregados), da castigável carga tributária que lhe é imposta, e da sofrível prestação de serviços públicos básicos como saúde, educação e segurança, agravada pela corrupção que ganhou proporções extracontinentais e assustadoras.

Os veículos de comunicação tradicionais majoritariamente caracterizados por seu clássico alinhamento editorial e até bem pouco tempo atrás, não aparelhados com ferramentas que possibilitassem uma dinâmica mais interativa com o espectador, vem perdendo incessantemente “terreno” para a rede mundial de computadores, que abarcou de forma voraz um público crescente e que se afirma como protagonista da cena social.

O comportamento do eleitorado brasileiro ao conhecer, criticar ou mesmo apoiar os candidatos através do universo midiático criado pela Internet – território este permeado por notícias falsas (as chamadas fake news) – revela importantes tendências a serem analisadas e absorvidas pelos postulantes ao pleito eleitoral, como a visível rejeição a alguns e mesmo a devoção a outros.

Nas eleições de outrora (não muito distante assim!), abocanhavam os votos aqueles partidos municiados de maiores recursos financeiros e que detinham gordo espaço de inserção de seu portfólio durante o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, o que notoriamente em 2018 não se traduz na prática, haja vista que as redes sociais de um modo geral deram vez e voz a todos para que realizassem suas campanhas, inclusive ao próprio eleitor, que passou a defender massiva e voluntariamente o candidato de sua preferência.

É bem verdade que se vive um momento da história do Brasil em que as promessas de campanha e os agentes políticos caíram no total descrédito da população. Há uma onda de desconfiança de tudo e de todos, e nesse mar de pouco pragmatismo e grandes incertezas, o que se vê é um enorme desejo de renovação da classe política, mesmo que os postulantes sejam calouros para os cargos aos quais almejem.

A convergência gradual da disputa eleitoral para o campo da Internet revela, sem sombra de dúvidas, que é importantíssimo o papel das mídias sociais para fortalecimento da democracia, sobretudo no tocante à escolha das lideranças políticas, e que as campanhas eleitorais estarão cada vez mais pautadas com base na participação desse público “internauta” que cresce em progressão geométrica.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Tragédia no Museu Nacional: Um retrato da irrelevância do Patrimônio Histórico no Brasil

Por: Carlos Lima (*)

Bombeiros e Defesa Civil trabalham após incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Foto: Tomaz Silva / Agencia Brasil / Set. 2018

Paracatu-MG (05/09/2018) – O incêndio que destruiu o imponente prédio do Museu Nacional e seu incomensurável acervo de história natural e antropológica escancarou para o mundo o grau de desprezo das autoridades competentes na formulação e implantação de políticas públicas destinadas à proteção de acervos museológicos, bibliográficos e arquivísticos pelo Brasil à fora.

A catástrofe “patrimonial e histórica” ocorrida no Rio de Janeiro no último domingo (02) foi marcada especialmente pela devastação de grande parte do prédio com arquitetura neoclássica e pela consumição de pelo menos 90% de todo acervo ali conservado até se transformar em cinzas. Após o sinistro e com possibilidades cada vez mais remotas de restauração do que resistiu ao fogo, as autoridades já sinalizam com a liberação de verbas e a atenção outrora almejadas, mas nunca alcançadas pelo Museu Nacional.

Fato é que as propostas de investimento em preservação do patrimônio histórico e cultural nem sempre fizeram parte da pauta prioritária das ações governamentais e das políticas de Estado e por isto, resultam em tragédias ditas anunciadas como a que aqui se trata. Constata-se que na grande maioria dos Museus, Bibliotecas, Arquivos e conjuntos de edificações de valor histórico sequer há um plano emergencial contra incêndios.

Incêndio destruiu parte do Casarão do Orfanato no Núcleo Histórico de Paracatu. Foto: Paracatuzinho Online / Ago. 2018 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

Algumas medidas de prevenção e combate a esse tipo de sinistro deveriam ser pré-requisitos para a liberação de alvarás de funcionamento de instituições que se propõem a abrigar acervos, como por exemplo, a instalação de aspersores anti-incêndio, hidrantes, saída de emergência, treinamento de funcionários quanto ao manuseio correto de extintores, formação de brigadas de incêndio, entre outros itens.

Aquisições de maior envergadura que merecem ser cogitadas, ainda que estejam além da realidade orçamentária da maior parte das instituições custodiadoras de documentos e peças afins, são as chamadas salas e arquivos-cofre, que, dentre outras qualidades, são à prova de incêndios. Em 2012, a Universidade de Brasília adquiriu por R$ 3,5 milhões uma sala-cofre para abrigar com segurança o conjunto de dados e informações (Data Center) produzidas e armazenadas por aquela academia.

Outro caminho que necessita ser perseguido e trilhado urgentemente pelos órgãos que preservam e expõem acervos em seus mais variados suportes é a digitalização, que embora seu produto final não possa substituir as fontes originais em sua integralidade de caracteres, ao menos possibilita a geração de um representante digital (imagem), que garante a continuidade da pesquisa e o acesso virtual pelos interessados. Modernas tecnologias como o Google Street View possibilitam ao internauta uma visita remota ao interior de alguns museus e exposições.

É bem verdade que minimizar os riscos capazes de resultar em perdas irreparáveis, como a que “matou” o Museu Nacional e praticamente, todo o seu repositório memorial e científico, não depende simplesmente de boas intenções tampouco se limita à confecção de laudos técnicos que não raro terminam engavetados, mas sim e principalmente, de uma legislação robusta e eficaz quanto à consecução de parcerias e a disponibilização de mais recursos e sua correta destinação final a que se destinam.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Linha aérea em Paracatu: Será que pode melhorar?

Por: Carlos Lima (*)

Aeronave da Companhia Two Flex no Aeroporto de Paracatu para o vôo Paracatu-Patos de Minas-Belo Horizonte. Foto: Carlos Lima / 18 Maio 2018

Paracatu-MG (26/07/2018)“Azas da Panair: Porque não vem pousar elas em Paracatu?”, era a manchete do Paracatu – Jornal que circulara em 4 de outubro de 1931, de modo a expressar, a sua época, grande apelo para a chegada do progresso a estas cercanias, e cujo grupo de entusiastas contava com o apoio, dentre outros, do visionário Professor Olímpio Gonzaga e do também filho desta terra e então Ministro das Relações Exteriores, Afrânio de Mello Franco, para que a afamada companhia aérea por aqui fizesse sua escala afim trazer dos céus o desenvolvimento para a região.

Correio Aéreo Nacional em Paracatu na década de 1950. Foto: Olímpio M. Gonzaga / Acervo do Arquivo Público de Paracatu – MG

Não é de hoje, portanto, que esforços vinham sendo empreendidos para que a aviação comercial se tornasse uma realidade na cidade mãe do Noroeste de Minas Gerais. Constata-se, ademais, o interesse por parte das próprias empresas em atuarem em Paracatu, a exemplo de outra importante companhia aérea, a Nacional, que chegara a requerer à Diretoria da Aeronáutica Civil, em 1954, a autorização necessária para tal, contudo, sem concretizar seu projeto sabe-se lá por qual motivo. Fato é que naquele ano são vistos anúncios de vôos da respectiva empresa a partir do município vizinho de Cristalina, em Goiás, com destino a Belo Horizonte, Goiânia, Uberlândia, Catalão, entre outros.

Tentativa bem mais recente de emplacar o transporte aéreo regular de passageiros ocorrera em maio do ano passado com a empresa amazonense Apuí Táxi Aéreo, cuja atuação durara não mais que duas semanas na rota Brasília-Paracatu-Patos de Minas-Belo Horizonte, sem informações oficiais que explicassem a descontinuidade de suas operações nos municípios que integrariam a chamada Linha Redentora (nome de batismo do vôo).

O sonho de ver Paracatu “decolar” e de seu aeroporto servir de fato aos interesses coletivos – grande parte dos aeroportos serve, na maioria das vezes,  de “campo de pouso” para aeronaves de empresários, artistas e outros mais abastados – viria a concretizar-se em pouco tempo, por meio de um esforço conjunto da administração municipal, do empresariado local e do Estado de Minas Gerais, por meio do programa Voe Minas Gerais, da CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).  Através dessa iniciativa, o Noroeste Mineiro passou de fato a ter sua ligação, por vias aéreas, com a desenvolvida Patos de Minas e com a capital mineira desde o vôo inaugural realizado em 16 de agosto de 2017.

Nacional Transportes Aéreos, uma das interessadas em voar em Paracatu na década de 50. Fonte: A Tribuna de Paracatu / 1956 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

Os vôos contam, desde o início, com uma aeronave Cesna Grand Caravam 208B da companhia aérea Two Flex, com capacidade para até 9 passageiros, e desde a sua implantação até o último dia 30 de junho deste ano já contabilizou o total de 139 passageiros transportados na rota Paracatu a Patos de Minas, e Paracatu a Belo Horizonte, e 182 pessoas que viajaram da capital mineira com destino à antiga Vila de Paracatu do Príncipe, de forma que o maior número de bilhetes da linha aérea foi comercializado para o percurso entre Beagá e Patos de Minas, ou seja,  um total de 754.

Apesar de representar um grande avanço para o transporte aéreo regional, se considerados os últimos 87 anos em que Paracatu aspira a um modal regular na categoria, é bem verdade que o valor dos bilhetes, comercializados em média a partir de R$ 260,00 (Paracatu a Patos de Minas) e R$ 650,00 (Paracatu a Belo Horizonte), está muito além das possibilidades da grande maioria da população local, que prefere viajar de ônibus e pagar aproximados 20 a 30% desses valores ou fazer o deslocamento com veículo próprio.

Paracatu no plano de vôos da Companhia Azul Linhas Aéreas. [2014?] Fonte: Foto/Reprodução: asa-anac.org.br/biblioteca/download/cda/115/cdc/773

Diferentemente de outros municípios que recebem aeronaves com capacidade para até 72 passageiros, a exemplo de Lençóis (Chapada Diamantina, na Bahia) com 11.445 habitantes e Teixeira de Freitas (BA) com 161.690 habitantes, ambas atendidas pela Companhia Azul Linhas Aéreas, os cidadãos do Noroeste de Minas continuarão tão somente a sonhar, pelo menos por enquanto, com a possibilidade de irem a Belo Horizonte ou até mesmo a outros destinos fora do Estado (Por que não!?) pagando quantias que lhes sejam mais acessíveis.

Aeroporto Pedro Rabelo de Souza em Paracatu com aeronave do Voe Minas Gerais ao fundo. Foto: Carlos Lima / Maio 2018

Companhia aérea Nacional chegou a requerer autorização para operar em Paracatu. Fonte: A Tribuna de Paracatu – Nº 87 – Pág. 8 – 28 Nov. 1954 / Acervo Arquivo Público de Paracatu – MG

SOBRE O VOE MINAS GERAIS

O programa Voe Minas Gerais tem por objetivo propiciar a regionalização do transporte aéreo, de forma a funcionar como uma espécie de hub (conexão) na capital mineira para as cidades do interior do Estado, portanto, estratégico para o desenvolvimento dos negócios e do turismo em suas diferentes vertentes. A iniciativa garante ainda a compensação financeira de 45% das horas de vôo contratadas (300h/mês) caso a empresa aérea licitada não consiga vender o mínimo de assentos necessários para a consecução da viagem ou não haja vôos durante o mês.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Referências:

A Nacional passará a escalar em Paracatu. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, nº 87, p. 8, 28 nov. 1954.

ALMEIDA, Suellen Silva de. Voe Minas Gerais. Belo Horizonte, CODEMIG, 20 Jul. 2018. Entrevista a Carlos Lima.

Azas da Panair: Porque não vem pousar elas em Paracatu? Paracatu-Jornal. Paracatu, nº 3, p. 1, 4 out. 1931.

ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA ANAC. Plano para desenvolvimento de hubs regionais no sistema aeroportuário mineiro. Disponível em: <sa-anac.org.br/biblioteca/download/cda/115/cdc/773>. Acesso em: 20 Jul. 2018

NACIONAL Transportes Aéreos: Novos horários em Cristalina. A Tribuna de Paracatu. Paracatu, nº 163, p. 3, 27 Maio 1956.

VOE MINAS GERAIS. Projeto de integração regional de Minas Gerais – Modal aéreo. Disponível em: < http://www.voeminasgerais.com.br/>. Acesso em: 20 Jul. 2018.

A greve dos caminhoneiros e o alerta para a valorização do transporte ferroviário no Brasil

Por: Carlos Lima (*)

Linha férrea no Alto do Açude em Paracatu-MG. Foto: Olímpio Gonzaga / Década 1930 / Acervo Arquivo Público de Paracatu

Paracatu-MG (02/06/2018) – A greve nacional dos caminhoneiros que perdurara 10 dias desde que iniciada na segunda-feira (21), expôs não só a insatisfação com o alto preço do diesel (motivo principal que desencadeou todo o protesto!), mas também a grande vulnerabilidade social face ao predomínio de um sistema de transporte majoritariamente rodoviário e capaz de afetar diversos outros ramos da atividade econômica, além de por em risco serviços considerados essenciais, como transporte público, saúde e segurança.

É bem verdade que essa dependência das rodovias para a circulação de pessoas e mercadorias tem razões históricas e remontam já a primeira metade do século passado, a exemplo da materialização do discurso do último presidente da República Velha, Washington Luis, de que “governar é abrir estradas”, o que viria a acontecer de fato em 1928 com a inauguração da primeira rodovia asfaltada, a Rio – Petrópolis.

O cenário decadente dos trilhos brasileiros passou a agravar-se profundamente em 1950 com a grande expectativa pelo desenvolvimento pautado pela abertura de estradas, que dessa vez ganhara corpo com o governo do presidente Juscelino Kubitschek, que enxergara na escolha pelas rodovias, uma forma de consolidar sua política de avançar 50 anos em 5, além de favorecer à indústria automobilística e outros setores produtivos. Isso viria a desbancar de vez o fascínio pelas velhas e então “desinteressantes” locomotivas do país.

Se por um lado caminhões e ônibus passaram a oferecer agilidade no transporte de passageiros e de mercadorias na proporção em que também foram privilegiados com vasto sistema logístico ao longo de mais de 5 décadas pelas autoridades competentes, por outro, a fatura desse modelo tornou-se bastante amarga para o contribuinte, haja vista que a manutenção da complexa malha viária brasileira é onerosa e ineficaz (obras caras e nem sempre abrangentes/asfaltamento às vezes com baixíssima qualidade), os pedágios encarecem as viagens e os fretes, a poluição ambiental causada pelo transporte rodoviário é inquestionável e quando há assaltos ou paralisações, diversos são os prejuízos.

Fonte: Blog Logística /Maio_2015

O transporte ferroviário tem a seu desfavor o longo prazo e o alto custo de sua implantação, no entanto, vence outras formas de mobilidade, especialmente porque pode garantir maior capacidade de carga, baixo custo de manutenção do sistema como um todo, maior segurança e grande sustentabilidade (combustíveis menos agressivos ao meio ambiente, por exemplo), além de representarem uma forma muito mais econômica de locomoção e movimentação da produção.

Sabe-se que muitos países também aderiram, em meados do século passado, ao maior emprego do modal rodoviário, contudo enxergaram os riscos dessa completa e iminente dependência de um único meio de escoamento da produção e transporte de passageiros, e voltaram atrás em seus projetos de mobilidade, de forma a impedir o sucateamento de seus trens (o que infelizmente acontecera por aqui!) com investimentos maciços em revitalização e modernização de suas malhas ferroviárias.

Vagões com etanol aguardando embarque no Terminal de Colinas, TO. Foto de Ariosto Mesquita Set 2012

No Brasil, a retomada das obras relacionadas ao transporte ferroviário tomou um pouco de fôlego há pouco mais de 1 década, com investimentos públicos e privados em dois grandes corredores logísticos sobre trilhos, a Ferrovia Norte Sul, com operações efetivas, dentre outros trechos, de Açailandia (MA) a Anápolis (GO) e a Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL) que liga Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO), com trechos ainda em construção.

As manifestações nas estradas e a conseqüente crise de desabastecimento ocorridas nestes últimos dias, notadamente no fornecimento de combustíveis, gás de cozinha e alguns gêneros alimentícios, acenderam o sinal de alerta quanto ao modelo logístico com que a nação tupiniquim vem sendo transportada nestes últimos 60 anos. Viaja-se, por assim dizer, na contramão do desenvolvimento sustentável e da infraestrutura mais segura e menos onerosa a longo prazo, itinerário este que só será alterado quando forem revitalizadas e construídas mais ferrovias, como o fizeram os países mais avançados econômica e socialmente.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.

Cartograma de Minas Gerais em 31/10/1928. Fonte: Secretaria da Agricultura – Serviço de Estatística Geral / Acervo do Arquivo Público de Paracatu-MG

Projeto futuro da Ferrovia Transcontinental entre Porto de Forno-RJ a Boqueirão da Esperança –AC, passando por Paracatu-MG. Fonte : VALEC /Jun. 2018

REFERÊNCIAS:

FERROVIAS BRASILEIRAS – DECLÍNIO DAS FERROVIAS. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Disponível em: < http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/328805-FERROVIAS-BRASILEIRAS–DECL%C3%8DNIO-DAS-FERROVIAS–(-06′-01%22-).html>. Acesso  em: 01/06/2018

FERROVIAS BRASILEIRAS – CHEGADA DOS TRENS NO BRASIL. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Disponível em: < http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/328804-FERROVIAS-BRASILEIRAS–CHEGADA-DOS-TRENS-NO-BRASIL–(-06′-34%22-).html>. Acesso em: 01/06/2018

DECICINIO, Ronaldo. Transporte ferroviário: Brasil voltou a investir em ferrovias. UOL. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/transporte-ferroviario-brasil-voltou-a-investir-em-ferrovias.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em 01/06/2018

POR QUE O TRANSPORTE FERROVIÁRIO É TÃO PRECÁRIO NO BRASIL. SUPER INTERESSANTE. Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-o-transporte-ferroviario-e-tao-precario-no-brasil/. Acesso em: 30/05/2018

VALEC. Disponível em: < http://www.valec.gov.br/ferrovias>. Acesso em: 01/06/2018

WASHINGTON LUÍS INAUGURA A PRIMEIRA RODOVIA ASFALTADA DO PAÍS, A RIO-PETRÓPOLIS.
O GLOBO. Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/rio-de-historias/washington-luis-inaugura-primeira-rodovia-asfaltada-do-pais-rio-petropolis-8849272. Acesso em: 29/05/2018

Chilena Cencosud-Bretas encerra suas atividades em Paracatu

Por: Carlos Lima (*)

Loja Bretas de Paracatu totalmente fechada nesta quinta feira 1º de Fevereiro. Foto: Arquivista Carlos Lima / Fev 2018.

Paracatu-MG (02/02/2018) – O movimento sofrível por que vinha passando o hipermercado Bretas em Paracatu nos últimos meses não poderia trazer notícia mais amarga do que o encerramento de suas atividades no município do Noroeste de Minas, com mais de 90.000 habitantes e estrategicamente fincado num dos principais corredores logísticos do Brasil, a BR-040, que liga a capital federal à Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro.

Gondolas vazias às vésperas do fechamento do Hipermercado Bretas em Paracatu. Foto: Arquivista Carlos Lima / Jan 2018.

Especulações à parte, desde sexta-feira (26) os clientes não só iam à loja em busca de promoções relâmpago (Leite condensado a R$ 0,50 e feijão carioquinha a R$ 1,00 o kg) como também assistiam ao esvaziamento sistemático das prateleiras e

Clientes à espera de promoções relâmpago no Bretas de Paracatu. Foto: Arquivista Carlos Lima /Jan. 2018

encerramento dos setores de carnes, frios e hortifrúti. Na mesma velocidade, funcionários empenhavam-se para recolher ao depósito mercadorias de menor circulação, como aquelas do setor automotivo.

O grupo supermercadista inaugurou sua loja em solo paracatuense em maio de 2010, de modo a oferecer não só o mix variado de mercadorias para o consumidor, mas amplo estacionamento privativo, conforto, acessibilidade (inclusive para cegos!) e preços competitivos, de modo a revolucionar o conceito varejista praticado até então pelas pioneiras do ramo na cidade. O cartel que por aqui reinou soberano até então foi completamente desmantelado pelo recém chegado Bretas, que teve sua importância no desenvolvimento local, inclusive com a geração de cerca de 80 postos diretos de trabalho.

Não foi só por aqui que a multinacional chilena Cencosud deu com os burros n’água. Em agosto do ano passado, era a vez da suntuosa loja de Unaí encerrar as suas atividades e mandar seus colaboradores de volta para casa. De acordo com moradores daquela cidade circunvizinha, o luxo e a boa estrutura do hipermercado (tinha até esteira rolante!) não conseguira fidelizar a clientela, que migrou de mala e cuia para um tal Columbia, que no seu improviso estrutural e no poderoso baixo preço, derrotou seu principal rival.

No caso de Paracatu, a gerência e seu staff bem que tentaram apostar suas últimas fichas na sobrevivência do hipermercado frente ao recém inaugurado (outubro de 2016) e encantador modelo cash and carry (atacado e varejo!) Mart Minas, mas foi

Entrada do Bretas Paracatu com suas atividades encerradas na cidade desde esta quinta-feira (1º). Foto: Arquivista Carlos Lima / Fev. 2018

tudo em vão. Não sortiram  efeito as promoções, a pesquisa na boca do caixa e nem tampouco, o tapete vermelho estendido na entrada da loja para agradar seus poucos clientes. O “atacadão” MM caíra de vez no gosto povo e não restara outra solução para o Bretas, a não ser, fechar suas portas.

Fontes confiáveis de informação, porém extra-oficiais, dão conta de que as redes Supermercados BH e/ou Bernardão estariam negociando a aquisição e operação do ponto desocupado pelo Grupo Cencosud Bretas e seus parceiros nesta quinta-feira (1) , conforme constatado in-loco. Se esses bons ventos se confirmarem, certamente haverá recuperação dos empregos perdidos e a concorrência beneficiará, como sempre, o consumidor com melhores preços, ofertas e serviços.

Vale lembrar aqui as sábias palavras de Sam Walton, fundador do Wal-Mart, quando de sua palestra proferida para funcionários dessa gigante varejista mundial: “CLIENTES PODEM DEMITIR TODOS DE UMA EMPRESA, DO ALTO EXECUTIVO PARA BAIXO, SIMPLESMENTE GASTANDO SEU DINHEIRO EM ALGUM OUTRO LUGAR.”

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Arquivo Público Municipal: Uma jóia rara dos 219 anos de Paracatu

Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga em Paracatu – MG. Foto: Carlos Lima / 2017

Por: Carlos Lima (*)

 

O título de jóia rara, como sendo o que há de mais precioso num dado lugar, é primordialmente pertencente à população, que é protagonista de sua história e tece-a ao longo de muitos anos como a uma verdadeira “colcha de retalhos”, cujo resultado está bem conservado alí no Arquivo Público da sua cidade sob a forma de registros escritos, imagéticos e audiovisuais que retratam amplamente as atividades das civilizações.

A fundação do Arquivo Público de Paracatu é de 1994 e seu rico acervo, além de refletir muito bem os 219 anos da cidade, transcende esse período e sua geografia na medida em que  abrange manuscritos que datam deste 1723 sobre o velho Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu e os quais, denunciam um largo e cumprido território que fizera divisa com o Estado da Bahia e que fora composto por diversos distritos, hoje em sua maioria emancipados e com nova denominação.

Privilegiada por sua rica arquitetura colonial, seus saberes bem peculiares e suas manifestações culturais, o município engajou-se e considerou, em 1993 quando das tratativas iniciais, que seria estratégico implantar o Arquivo Público, não só como espaço de preservação da memória documental antes largada às intempéries dos porões úmidos e outros depósitos insalubres, mas como o órgão que delineasse a política municipal de gestão arquivística, e que possibilitasse à comunidade interessada o livre acesso as sua fontes de pesquisa.

Visitantes conhecem o Arquivo Público Municipal. Foto: Carlos Lima Out. 2015 Acervo do Arquivo Público de Paracatu

A Prefeitura de Paracatu, por meio da Fundação Municipal Casa de Cultura (gestora do Arquivo Público), inaugurava assim, aos 24 de junho de 1994, o Arquivo Público Municipal com farta documentação de relevância probatória e de tomada de decisão – que são suas finalidades primeiras! – e também para a fundamentação de pesquisas históricas e científicas empreendidas por estudantes acadêmicos de diferentes níveis de instrução.

Consta entre os registros recentes da instituição arquivística, um projeto de pesquisa sobre a trajetória dos libaneses em Paracatu, que vem sendo desenvolvido pelo Professor Mestre em história Alexandre de Oliveira Gama e com o auxílio de sua aluna Ingrid Rabelo Cruz, do curso de análise de sistemas em informação

Professor Alexandre Gama à esquerda, Amanda Michele e o pesquisador Eduardo Rocha em pesquisa nos documentos do Arquivo Público Municipal. Foto: Carlos Lima ago. 2015 Acervo do Arquivo Público de Paracatu

do Instituto Federal de Educação do Triângulo Mineiro (IFTM) campus Paracatu. Os estudos baseiam-se, entre outros, nos processos da Justiça Comum e no acervo de periódicos e terão como fruto principal a elaboração de uma tese de doutorado.

Outro trabalho de destaque, cujas pesquisas desenvolvem-se há quase 3 anos junto às fontes primárias do Arquivo Público Municipal, é a alimentação do site A Raposa da Chapada a partir de conteúdo genealógico sobre os troncos familiares de Paracatu, levantamento este empreendido com labor pelos pesquisadores Eduardo Rocha, José Aluísio Botelho e Mauro Neiva utilizando-se de manuscritos eclesiásticos e judiciários.

Embora a instituição tenha primado por sempre franquear o acesso às informações de que dispõe em seu acervo, o horizonte apresenta-se com grandes desafios para atender à demanda de um público cada vez mais familiarizado e dependente de modernas tecnologias de acesso remoto, como smartphones e similares, que sem dúvida, vão exigir da administração municipal investimentos em projetos de digitalização do acervo e sua conseqüente virtualização por meio da Internet, com emprego de ferramentas que garantam a segurança e a confiabilidade dos dados.

Pesquisadores Eduardo Rocha (genealogista) e Terezinhas de Jesus (historiadora) em seus trabalhos no acervo. Foto Carlos Lima: Nov. 2015. Acervo do Arquivo Público de Paracatu MG

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

A Falta d’água em Paracatu e o exercício da cidadania

Por: Carlos Lima (*)

Abastecimento por meio de caminhão Pipa no Bairro JK em Paracatu. Foto: Movimento Mais Paracatu – 20/09/2017. Acervo do Arquivo Público Municipal

Paracatu-MG (29/09/2017) – Se por um lado a escassez hídrica por que passa o município de Paracatu vem afetando severamente o dia-à-dia de toda a sua população, por outro, tal sofrimento tem suscitado uma grande lição que jamais alguém conseguirá promover com tanta eficácia: A população está aprendendo a fiscalizar mais e a reclamar de quem anda desperdiçando água.

Com o contingenciamento hídrico que vem sendo operacionalizado há quase 1 mês pela COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e a inexistência de um reservatório capaz de suprir a demanda em meio ao caos que se instalou na cidade, decorrente do longo período de estiagem na região, nota-se que a percepção quanto à importância do consumo consciente da água começa a mudar consideravelmente em Paracatu.

Ponto de Captação de Água no Ribeirão Santa Izabel em Paracatu. Foto: Movimento Mais Paracatu – 16/08/2017 – Acervo do Arquivo Público Municipal

Diante do trágico espetáculo em que figuram como crucificada a COPASA, que deveria ter se precavido e evitado que a água chegasse ao “fundo do poço”, por assim o dizer, e como crucificadores, aqueles cuja outorga popular lhes é dada para fiscalizar, mas que em momento oportuno fizeram vistas grossas para o risco iminente e deixaram “a vaca ir de vez para o brejo”,   assiste-se  a um incipiente, porém relevante “big-brother social”  cuja participação coletiva tem levado para a mídia a indignação e o repúdio ao desperdício que ainda se vê por aí.

E não é só isso que se constata: A população tem revelado sua grande nobreza na medida em que começa a tomar para si parte desta culpa pela crise do desabastecimento de água e como tal, utiliza as redes sociais, a TV e o Rádio como portadores de sua autocrítica e de suas reclamações. Não raro, vídeos de pessoas que utilizam a mangueira para lavarem o carro, a calçada, a parede e até mesmo o asfalto em frente a suas residências e estabelecimentos comerciais, tem sido gravados e publicados na mídia, de forma a revelar não só a insatisfação, mas principalmente o exercício da cidadania.

2017 vai ficando assim marcado como o ano em que se viu a água secar por tudo quanto é lado. A cena do caminhão pipa abastecendo os galões – coisa que não se via há muito tempo – vai ficar na memória de muito gente. Ou quem sabe: o desabafo do comerciante (não estou autorizado a citar seu nome!) que, sem água para seu trabalho, informou que não forneceria refeições naquele 4º sábado de setembro. Enfim, restou-se  de tudo isso um enorme aprendizado social, de que o desperdício de água não pode ser a regra, como se testemunhou até então, mas na melhor das hipóteses, tão somente e no máximo, uma indesejável exceção.

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite a fonte e o acervo a que pertencem

Paracatu pede socorro: Estamos sem água!

Por: Carlos Lima (*)

Rio Paracatu assoreado e quase seco. Foto: Movimento Mais Paracatu / Ago. 2017

Paracatu-MG  – 20/09/2017 – Chuvas escassas, aumento do consumo de água e o desmatamento crescente estão entre as principais causas para o quadro alarmante do desabastecimento hídrico em Paracatu, cidade do Noroeste mineiro que possui aproximadamente 90.000 habitantes e que é privilegiada por sua rica malha hidrográfica, embora esta venha sofrendo as duras conseqüências da estiagem e do uso predatório de suas águas.

Razoável é afirmar que nestes últimos cinco anos a população local jamais tenha vivenciado um racionamento de água tão intenso quanto o que vem sendo praticado pela Companhia responsável pelo tratamento e distribuição desse recurso (COPASA), neste segundo semestre de 2017. Até um escalonamento por bairro e dia (ver imagem abaixo) para a restrição do fornecimento de água foi implantado e divulgado na imprensa e redes sociais pela COPASA, para evitar o colapso no sistema de abastecimento local.

Enquanto cidadãos e cidadãs testemunham a água minguar por tudo quanto é lado e usam da criatividade que lhes é bem característica para não passar sede, as autoridades responsáveis pelo problema se vêem num longo jogo de empurra-empurra e tardam a anunciar uma solução plausível e eficaz para a crise no setor hídrico do município.

Fato inquestionável é que a demanda por água aumentou sobremaneira nos últimos anos, especialmente porque não só a atividade mineraria expandiu seu parque industrial, mas também outros grandes empreendimentos, como os setores sucroalcooleiro e agropecuário, que tem forte emprego do recurso em voga para a sua produção.

Parte do mapa do racionamento praticado pela COPASA no município de Paracatu. Fonte: Movimento Mais Paracatu / Ago. 2017

E soma-se a tudo isso, o alto consumo no meio urbano, que mesmo em meio à tenebrosa situação, contraditoriamente, é marcada pelo desperdício, posto que é corriqueiro flagrar pessoas lavando veículos, calçadas, paredes e pasmem, até o asfalto da porta de suas residências e estabelecimentos comerciais. Multa para coibir esse desrespeito não é uma idéia muita aceita pelas lideranças políticas locais, afinal, todo cuidado é pouco quando o assunto sugere o risco de perda de eleitorado.

Depreende-se dessa problemática que a população terá de repensar o uso desse bem natural que tem se tornado cada vez mais escasso ao longo dos anos e que não se poderá mais contar apenas com as reservas hidrográficas para garantir a subsistência humana e a produção local, mas será indispensável o planejamento e a construção de grandes barragens para armazenar e suprir a demanda por água em Paracatu.

 

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

Atenção! Caso queira publicar esta matéria, cite o autor. Casa utilize as imagens, cite a fonte e o acervo a que pertencem

Memória produzida e reunida pelo escritor paracatuense Oliveira Mello é o destaque da quinta e última reportagem da série Traços de Paracatu, na TV Minas Brasil

Por: TV Minas Brasil (*)

Paracatu-MG (06/01/2017) – A quinta reportagem da série especial Traços de Paracatu traz as informações sobre o Acervo Iconográfico, Documental e Bibliográfico de Paracatu, com destaque para itens de ampla consulta por parte da população, como fotografias, periódicos, livros e vídeos sobre o município.

Na gravação da matéria, produzida com grande labor pelos repórteres João Paulo Marques e Ailton Albernaz, da TV Minas Brasil, afiliada Rede Minas, destaca-se o conjunto da produção literária e documental do escritor paracatuense Antônio de Oliveira Mello, de 80 anos, cujo acervo fora adquirido pela municipalidade em outubro de 2015 e que passou desde sua inauguração, em novembro daquele ano, a estar completamente acessível à comunidade interessada.

Visitas e consultas ao Arquivo Público Municipal, podem ser feitas na Rua Temístocles Rocha, nº 249, Núcleo Histórico de Paracatu (Próximo à antiga Delegacia Civil).

(*) Fonte: TV Minas Brasil (Canal 20 VHF) –   http://www.mbnews.tv.br/